Para se viver com plenitude e colaboração | Guia Slow Living Dois

Por Bruna Miranda

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Texto da coluna Inovar no Guia Slow Living Dois, que você encontra aqui.

Por Luciana Gallo, mineira, mãe, coach de vida e carreira e facilitadora de processos colaborativos. Após 15 anos de experiência como advogada e executiva de empresas (multi) nacionais, fez uma transição de carreira e hoje ajuda as pessoas a (re)significarem suas vidas e seus trabalhos. É especialista em cultura e economia colaborativa e co-fundadora da Amadoria, um espaço movimento colaborativo que promove a (re)conexão do indivíduo consigo mesmo. 

Estou bem feliz nesse exato momento.

Não (só) porque é domingo, faz sol e estou escrevendo esse artigo próxima da piscina, bem ao estilo slow life… Estou feliz também porque é sobre algo que me movimenta, me energiza e é atualmente meu propósito de vida e minha carreira.

Compartilho hoje nessa revista que tanto me inspira sobre dois assuntos principais: vida plena e cultura & economia colaborativas.

Vida plena e colaboração têm tudo a ver com o conceito do slow living. Um: Resgatam nossa essência, nossa ancestralidade. No início, a carreira era símbolo da identidade: o que alguém fazia era inseparável de quem ele era. Tribos, comunidades inteiras começaram por meio de um processo colaborativo. Dois: Fomos nos distanciando desses aspectos – plenitude e cooperação – à medida em que ficamos grandes, desenvolvidos e tecnológicos demais; agora muitos de nós temos buscado fazer o caminho de volta. E três: vivemos novos tempos. Tempos em que qualidade de vida não está mais somente no ter coisas. Está em ter tempo.

Taí. Hoje queremos tempo, realização e felicidade.

É possível? Sim, é. Mas não significa que é fácil.

Viver a vida em plenitude é estar inteiro, sentir-se completo, na sua maior potência. É estar integralmente disposto a se entregar à vida, seus desafios e conquistas. É encontrar um trabalho que tenha significado para você. É se permitir ser visto como verdadeiramente se é, a partir da sua essência. É se realizar pessoal e profissionalmente a partir dessa essência.

Precisamos admitir: conceituar é sempre mais fácil do que praticar… Nos mostrarmos com nossas imperfeições e medos, em um mundo que cultua a perfeição e o sucesso, é difícil pra caramba!

Além disso, a busca da integralidade pressupõe tempo (olha ele aí de novo). Tempo para meditar, mergulhar no autoconhecimento, reconhecer-se em seus talentos e competências, planejar. Pressupõe recalcular a rota, pensar no melhor e no pior, se arriscar. Pressupõe escolher. Entre o ir e o ficar, entre o mudar e o permanecer, entre o largar e o segurar.

Como se já não fosse desafiador o bastante, tem mais: a gente não consegue fazer essa jornada da autenticidade sozinhos. Ela nasce na consciência do nosso eu interior mas se concretiza na relação com o outro.

Porque não vivemos sozinhos, somos seres interdependentes. Sabemos que, ao nos mostrarmos como realmente somos e agirmos com nossa mais profunda coragem, outras pessoas serão afetadas (não necessariamente de maneira ruim, mas serão).

E principalmente porque, em busca da nossa integralidade, vamos precisar da ajuda do outro. O tempo todo.

E é aí que entra a tal da colaboração. Não vou falar dos conceitos de economia colaborativa, da governança colaborativa presente em empresas inovadoras, de compartilhamento, crowdfunding, economia do dom, de espaços bacanas de co-working, prevalência do uso sobre a posse, diferença entre preço e valor, relação peer-to-peer… teremos outras oportunidades.

A colaboração que cito aqui é o “primeiro estágio”. Diz respeito a você e ao outro mais próximo. Começa no seu micro-cosmos.

Para realizar seu potencial máximo, você precisa de ajuda. Para passos grandes ou pequenos. Para se organizar, se lançar em um empreendimento novo. Para cuidar da casa, devolver sua coragem. Para compartilhar seus medos, ficar com as crianças. Para segurar alguma barra, dar uma carona, celebrar.

Pense em algum outro próximo. E pense que ele também quer realizar-se e experimentar a tal da vida plena. Ele também precisa de ajuda, que colaborem com ele.

Pedir ajuda. Oferecer ajuda. Esse é o equilíbrio sistêmico. Equilíbrio entre o dar e o receber.

Como está a colaboração na sua vida?

Pegue um pedaço de papel e um lápis. Faça duas colunas. Na primeira, coloque QUEM EU AJUDO. E, na outra, QUEM ME AJUDA. Pense em tudo: na vida pessoal, trabalho, família, prédio, bairro, escola…

Pronto? Como ficou? Sinceramente… está equilibrada?

Quando digo equilibrada, os nomes das duas listas não têm que ser os mesmos. Se você colabora com sua irmã, ela não precisa ser alguém que colabora com você. Não são os nomes que importam aqui.

Para o equilíbrio sistêmico do universo colaborativo, as listas precisam estar quantitativamente equilibradas. E você tem um papel imprescindível para fazer isso acontecer.

Muitas religiões e culturas ao redor do mundo têm ditados e máximas como “dê e você receberá”. Nada contra eles, mas muitos não ajudam em nada a desenvolvermos nosso protagonismo porque várias vezes esperamos sentados por essa ajuda, que parece estar vindo de trem. Precisamos levantar dessa poltrona. Refletir. Colaborar. Pedir socorro. Aceitar coisas. Permitir que o Universo se equilibre.

Martin Luther King tem uma frase que me emociona: “todos os homens estão presos a uma inescapável rede de mutualidade, atados numa única veste do destino. O que afeta diretamente um, afeta indiretamente a todos. Eu nunca poderei ser o que deveria ser até que você seja o que deveria ser. E você nunca poderá ser o que deveria ser até que eu seja o que deveria ser.”

O que você precisa fazer para que essa lista seja mais harmônica e sua vida mais colaborativa? Pedir mais ajuda? Ajudar mais? Aceitar mais ajuda?

Não perca a chance de experimentar essa travessia para uma vida integral, conectada e colaborativa. E, se você quiser compartilhar suas certezas e incertezas, escreve pra mim, lu@amadoria.com.br.

Seguimos junt@s!

 

Foto do topo: Marko Morciano

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Sobre Bruna Miranda

Incentivo pessoas e empresas a transformarem o presente e futuro com o Slow - Living, Empreendedorismo, Marketing, Trends.

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