Uma mala slow para uma vida nômade (e para qualquer dia a dia também)

Por Bruna Miranda

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Na foto do topo, a mala menor é a que eu uso hoje em dia nessa vida nômade. Sem expandir seu tamanho, com espaço de sobra pras roupas, sapatos, acessórios e cosméticos. A rosa é a que eu usava na França, em 2012, quando passei seis meses por lá estudando em um período sabático, no ápice do meu consumismo, especialmente em lojas de fast fashion. E eram duas, a outra do mesmo tamanho que essa, ambas com o zíper pra expandir abertos e naquela dificuldade pra fechar. Essa outra ficou em BH com a minha tia, e a rosa atualmente serve pra gente guardar roupas de cama, toalhas e algumas peças que ainda não precisamos, como blusas de frio e roupas um pouco mais sociais, que são bem poucas.

Na época do sabático, viver com essas duas malas, mesmo que cheias, mesmo que ainda comprando um bocado, foi uma vitória pra mim, que tinha dois armários e uma arara lotados. O trabalho com moda e noite me incentivavam no já existente impulso de querer sempre mais. Quando voltei pro Brasil, somei as duas malas com as roupas que ainda tinha em casa (uma parte tinha doado pras amigas e família antes de viajar) e continuei com aquele tanto de coisa! A confusão com relação ao que vestir era constante, já que opções demais favorecem isso, e o meu estilo real ficava escondido no meio dos excessos.

Uma coisa que fiz, pouco tempo depois (e que eu adoro hoje em dia, especialmente por ter chegado ao slow fashion e guarda roupa minimalista) foi criar uma arara pequena e colocar nela apenas as roupas que eu usava mais e gostava de verdade. Ou seja, eram exatamente essas roupas as que eu precisava ter! Isso facilitou demais a vida, e as peças que ficaram de fora – mais estampadas e coloridas, menos práticas, menos a ver comigo, a maioria comprada por impulso, costume ou por tendências de moda – vez ou outra eu usava, mas sem o mesmo gosto das da “ararinha”, como eu chamava esse espaço menor. Depois acabei doando esse excesso, uns bons 80%, e foi a melhor coisa que fiz na vida. Fui lendo sobre minimalismo e conheci o movimento slow, daí tudo fluiu.

Hoje tenho uma “mala slow” que é ainda, claro, muito baseada na vida que eu tinha morando em BH, como dá pra ver na foto ao lado, que tirei mês passado em Pipa. Desde que saímos de casa, tem peças que ficam pra trás, que são doadas, compro algumas que tem a ver com a minha vida de hoje, e assim sigo adaptando pras minhas necessidades e gostos de agora, conhecendo marcas pelo caminho… Não conto o número de peças porque prefiro sentir minhas necessidades e gostos do momento e não seguir algo tão certinho. E acho que minha mala ainda vai continuar a mudar, com menos preto, por exemplo, rs!

Aqui nessa foto são as caixas que ficaram em Minas, na casa da minha sogra. Tem alguns sapatos de salto, uns casacos de frio mais pesado que eu gosto bem e o resto… não me lembro! Ou seja, algo me diz que praticamente nem vou voltar a usar. Das minhas experiências acho que o ideal é a gente saber tudo o que tem, usar tudo o que tem, combinar entre si tudo o que tem. E repetir roupas com orgulho! Me lembro que no blog de moda que eu tinha alguém comentou uma vez que não aguentava mais me ver usando determinada peça, em um sentido ruim. Hoje eu adoraria ler isso, rs! Mais tempo, energia, espaço, criatividade, praticidade, economia. Economia inclusive pra comprar menos peças de marcas incríveis, que a gente admira e sabe que tem um trabalho cuidadoso. Desde 2012 eu até entrei em fast fashion com quem quisesse ir, e fico observando as etiquetas, os preços, as tendências. Confesso que já tive vontade de comprar algumas coisas, mas não tive coragem. Sei que me arrependeria depois, como me arrependi de ter gastado tanto nessas lojas ao invés de montar um armário sensacional e durável, com muito menos peças, pra vida inteira ou, pelo menos, pra muitos anos, pra passar pras amigas e família de novo.

Resumindo, hoje me sinto muito satisfeita com a minha mala e suas possibilidades. Quando olho pra trás e comparo as quantidades e a minha consciência de consumo, fico aliviada e muito feliz com o upgrade das minhas escolhas.

Tá em dúvida com o que desapegar, o que fica, o que você gosta de verdade? Monta uma mala! A gente sempre escolhe as coisas que mais gostamos e usamos na hora de viajar, e geralmente o que fica pra trás a gente nem se lembra mais…

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Sobre Bruna Miranda

Jornalista e escritora, se inspira na busca por um viver mais consciente e significativo e é idealizadora do Review e da revista Guia Slow Living. Percebe o slow como ...

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