O Slow Travel como opção | Guia Slow Living Dois

Por Diorela Bruschi

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Texto da coluna Viajar no Guia Slow Living Dois, que você encontra aqui.

Por Diorela Bruschi, advogada, redatora e professora, vive entre o Brasil e a França e seus contrastes culturais. Autora dos blogs Direito é Legal e Saída à Francesa, aprecia a vida em comunidade e o poder da colaboração.

O conceito é simples, mas ainda pouco divulgado. Slow travel é viajar com calma, é sentir o lugar diferente do roteiro turístico padrão. É conhecer gente, caminhar nas ruelas não convencionais. É participar mais da vida cotidiana e menos da vida turística. Por que não tratar o slow travel como algo desejável?

A viagem fora dos « roteiros mais visitados » é também conciliadora. Os pacotes convencionais e alternativos podem se encontrar numa rotina de visitas a pontos turísticos como a Torre Eiffel, em Paris, e a Quinta Avenida, em Nova York, mesclados com passeios de bicicleta e visitas a restaurantes de família ainda não descobertos pelo grande público.

Além disso, o destino em si não precisa ser uma grande cidade com inúmeras atrações. Uma pequena vila pode te levar a descobrir o melhor café com bolo da sua vida. O silêncio da beira de um rio pode te fazer pensar melhor. E uma conversa na esquina pode ajudar a desvendar a solução para uma questão que te acompanha há anos.

Mas como decidir conscientemente por uma viagem ao estilo slow travel ? É simples, basta estar aberto às possibilidades.

Muitas pessoas descobrem essa possibilidade simplesmente por não terem orçamento para uma grande viagem turística. Visitam as pequenas cidades no entorno de suas próprias cidades, andam pelas ruas, conhecem o armazém, escutam as crianças na escola, dormem em casas de famílias, comem uma comida quentinha e saem do lugar com a boa sensação de terem conquistado uma paz que antes não parecia possível.

Para viver o slow travel não é preciso muito mais do que sentir o ambiente, mas podemos dar algumas dicas a mais. A economia colaborativa, há muito tempo, vem criando alternativas para os viajantes slow. Tais como…

“O surfe de sofá” (Couchsurfing). É uma grande opção para quem quer se hospedar barato, fazer amigos e conhecer o cotidiano de uma família local. Você se cadastra em algum site como o couchsurfing.com, que faz o serviço de conexão, e escolhe onde e no sofá de quem gostaria de dormir! Junto ao site que leva o nome da ideologia surgiram ainda muitos outros onde as pessoas podem buscar referências de quem as hospedará ou de quem será hospedado. Uma forma barata de viajar que exige apenas simpatia, noções básicas de sociabilidade e flexibilidade quanto ao conforto da acomodação. É de bom tom levar uma lembrancinha para o anfitrião (vale chocolate!).

As caronas. Os sites de caronas mudaram a forma como as pessoas se deslocam. Por preços quase simbólicos, é possível ir de uma cidade a outra e de um país a outro aproveitando a carona de alguém que estava indo para o mesmo destino ou que passaria por ele. Usando um sistema integrado com o facebook, o site blablacar (blablacar.com), por exemplo, consegue te dar referências e opções de pessoas que poderiam te levar para onde deseja. É possível verificar detalhes como se aceitam animais de companhia e o número de malas a caber.

As refeições compartilhadas. As pessoas descobriram que vale mais a pena compartilhar uma refeição com um desconhecido do que viverem sozinhas. E, para regular isso, colocaram em rota ideias como os sites Eat With (eatwith.com) e o Meal Sharing (mealsharing.com) que propõem cardápios variados preparados por pessoas comuns de todas as partes do mundo. Assim é possível encontrar tanto jantares pagos como até refeições bem mais baratas por quase todo o mundo. E a graça do slow travel é exatamente poder conectar pessoas. Afinal, esta não é a graça de tudo?

Há ainda inúmeras outras formas de viajar e de se conectar com a comunidade local. Aplicativos e portais para isso não faltam. Mas, muito além do virtual, saber enxergar a rua pela qual passamos com o olhar curioso do turista e a admiração de um aprendiz faz de todos nós bons viajantes em potencial. Mais do que nunca, tudo que se precisa agora é de tempo, vontade e pernas para caminhar!

 

Foto do topo via Candida Specht

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Sobre Diorela Bruschi

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