Vai pra São Miguel do Gostoso, no RN? Não deixe de incentivar a economia local com o Gostoso, a moeda própria de lá

Por Bruna Miranda

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Saindo de Pipa, fomos direto para São Miguel do Gostoso, cidadezinha a 130 km de Natal que algumas pessoas nos indicaram a conhecer. E que bela indicação! Já tinham nos contado sobre a beleza de suas praias, a potência do seu vento (lá é conhecido como “esquina do Brasil”), o charme de suas ruazinhas e do clima de interior. Agora, uma novidade incrível que o William, da pousada petfriendly que ficamos, Varanda das Orquídeas, nos contou quando falamos com ele e sua esposa, a Marlene, sobre o Review e o Guia, foi sobre o Gostoso, o dinheiro próprio de lá, criado em 2013 pra fortalecer a economia local! Antes mesmo de falar sobre ele, que nome maravilhoso, rs!

Praia da Xêpa – São Miguel do Gostoso/RN

Na hora me me lembrei desse texto da querida Diorela Bruschi, aqui mesmo em nosso site, onde ela fala sobre essa mesma iniciativa na cidade onde mora, Avignon, na França. Lá existe o Roue, e eu recomendo demais a (re)leitura dele porque ela explica da melhor maneira como isso funciona e os seus benefícios, a começar pelo título. 

Junto com a nota de dez gostosos, as disponíveis no dia em que fomos ao mercado

Isso entendido, olha como é bacana que uma cidadezinha que é uma super dica de slow travel, no interior do Rio Grande do Norte, também tenha a sua moeda própria. É muito inspirador! Essas aqui (viu que tem até nota de 50 centavos?) a gente trocou no maior supermercado da cidade, na rua principal (esqueci o nome, mas é só perguntar por lá que geralmente o pessoal sabe). Cada Gostoso vale um real e você usa no comércio de lá normalmente, nos vários estabelecimentos credenciados. E cada nota tem um símbolo municipal: Boi de Reis (10 gostosos), pescador na praia de Tourinhos (cinco), pé de cajazeira (dois), feira agroecológica (um) e o cajueiro (50 centavos).

Cinquenta centavos de gostoso

Caso você precise destrocar pra usar fora da cidade é só ir lá também. O projeto foi realizado com a Incubadora Tecnológica de Economia Solidária da Universidade Federal da Bahia, e a a gestão é da Associação de Mulheres, Jovens e Produtores de Tabua, com integração de outras entidades do município. E tem mais: com o banco comunitário, os moradores têm acesso a pequenos créditos de até 150 gostosos, que podem ser pagos em até 3 vezes, sem juros. 

Dez gostosos

Outro detalhe é que as notas são muito bem feitas, como observa o William, “mais difíceis de falsificar que o próprio Real!”. Uma diferença do Gostoso pro Roue é que ele não tem data de validade. Ainda de acordo com o William, a única questão que pode ser melhorada é a divulgação da moeda, pra ser mais usada entre os próprios moradores e conhecida também entre os turistas. Passando alguns dias por lá, é mais do que válido ajudar a beneficiar a região, certo?

Alguns trechos do texto da Diorela que eu destaco aqui:

“Para os comerciantes é interessante. Para a cidade é interessante. Cria movimento. E movimento, já nos mostra a bicicleta, é o que gera o equilíbrio!

As pessoas que têm a moeda local, preferencialmente vão consumir na cidade. Entre produtores locais, de origem conhecida. Produtos que não gastaram milhares em gasolina pra chegar aqui. Produtos que foram feitos por mãos conhecidas. Produtos que, se estragarem, vamos conversar com quem fabricou, descobrir a origem do problema e resolvermos rápido. E a cidade se abastece dela mesma, como um bebê pequeno que precisa da mãe para se fortalecer.

Muitas cidades têm tentado praticar a moeda alternativa. Inclusive no Brasil são 103 cidades com bancos comunitários criando moedas locais”.

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Sobre Bruna Miranda

Bruna é empreendedora e jornalista, idealizadora da plataforma Review e da revista impressa Guia Slow Living, e está experimentando uma vida nômade pelo Brasil. É movida pelo que é atemporal ...

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