Manifesto Slow Nômades

Por Bruna e Ismael

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Viva o tempo, semeador de novos ciclos e novas caminhadas em busca de nós mesmos, do que nos preenche por dentro e nos move por fora.

Há 6 anos começava a brotar a inspiração para o Slow Living, quando não sabia o que queria fazer, mas sabia que seria algo que me levasse a REVER questões importantes do que eu já tinha vivido (especialmente com relação aos excessos e à aceleração) e trabalhado, até então (especialmente na área da moda e do estilo de vida).

E nessa busca, que aconteceu através de muita pesquisa, experimentação, vivências e compartilhamento, chegamos ao Review Slow Living, em 2013, e ao Guia Slow Living, em 2015. Do nosso modo de viver, trabalhar e viajar ao que vestimos, comemos, colocamos na pele e mais, pudemos perceber claramente todos os benefícios que o desacelerar, o cuidar e o menos e melhor trouxeram a nós mesmos. E entendemos como isso teve e tem o poder de se manifestar positivamente também para o nosso entorno e para as outras pessoas e seres que compartilham o mundo com a gente.

Por 4 anos, exploramos uma maneira mais slow de se viver morando em uma capital, nossa querida Belo Horizonte. Juntamente com o movimento online, tivemos muito a celebrar, com cada resgate e inovação que conhecemos e vivenciamos, com tantas pessoas que também acreditam e que nos oferecem suas brilhantes iniciativas e possibilidades!

Durante esse tempo, todo um processo de autoconhecimento veio junto, nós como pessoas e como casal. Resgatamos sonhos antigos, buscamos nos aperfeiçoar e fortalecer uma vida mais consciente e significativa. Mais leve e equilibrada, um retorno à nossa essência. Algo que ainda buscamos, a cada dia, e seguiremos assim.

E com isso começaram a fluir as oportunidades (e também os desafios) para que colocássemos o nosso sonho em prática: Viajar. Conhecer lugares, nos encantar com as paisagens, com as pessoas, suas histórias e seus projetos de vida. Suas transformações. Compartilhar com elas novos olhares e novos caminhos. Compartilhar uma vida, trabalho, consumo e viagens mais livres e em sintonia com o que tem valor pra gente.

E então percebemos que a nossa vontade inicial, de ter mais contato com o ar livre, lá em BH, se uniu ao nosso trabalho – que já era focado em escritórios em casa e compartilhados – e se transformou no que é chamado de Nômades Digitais, algo que você provavelmente já deve ter ouvido falar. Entregamos nosso apartamento e decidimos investir nessa nova escolha de vida, que seguia fluindo e nos convidando via intuição, alma e coração.

Os Nômades Digitais tem como simples definição os profissionais que trabalham enquanto viajam. E desde o primeiro dia da primavera, em setembro de 2017, escolhemos começar por nosso país de origem, o Brasil! E dentro da sua vastidão, decidimos começar pelo nordeste e seu litoral exuberante, e você pode conferir com a gente o início dessa históriao desenrolar de cada experiência.

Nesses três meses apenas de estrada, ficamos em casas mobiliadas, de temporadas, na grande maioria das vezes, ou em pousadas pet friendly (já que temos como companhia os “slow dogs” Claudinha e Varlô). É pouco tempo, mas já conseguimos perceber que essa é a liberdade e o entusiasmo que buscávamos. Uma linda e deliciosa sintonia com tudo o que a gente vem escolhendo pra nossas vidas nos últimos anos – e também desde sempre, quando penso no tanto que viajar faz parte do meu imaginário de vida (e muita gente vai concordar comigo, certo?).

Levando o slow living para esse novo modo de viver, pensamos então, em tom de brincadeira: “Somos Slow Nômades!”. E a brincadeira ficou! Porque tem sido uma atividade muito prazerosa pra gente vivenciar e registrar, pela primeira vez, a união dos incentivos e benefícios do slow living a uma vida nômade – além, claro, de seus desafios, como em qualquer experiência de vida. Digital, sem dúvidas, já que é através do nosso site, dos emails e das redes sociais que trabalhamos durante boa parte do tempo, e é onde temos a possibilidade de compartilhar e também de continuar a nos inspirar e a aprender, somando com cada cantinho por onde passamos. Mas somos também “Nômades Analógicos”, já que temos o resgate do papel com a nossa revista impressa, o Guia Slow Living, e os encontros presenciais com as palestras e workshops. E esse lado offline  também significa demais pra gente, pelo contato físico ser tão bom e poderoso, e a leitura desconectada, bem mais marcante e agradável.

Um de nossos escritórios favoritos foi esse quiosque que tinha como quintal a Praia do Pontal de Coruripe/AL

 

MANIFESTO SLOW NÔMADES

O Manifesto Slow Nômades se assemelha, claro, ao Manifesto Slow Living, que desenvolvemos em 2016 também através de gratificantes percepções, vivências e aprendizados. Os dois têm como base as três buscas, conectadas entre si, que são possibilidades para um viver significativo. Trajetórias pessoais e coletivas que abrangem seus benefícios para o todo.

Se você também se sintoniza com essa maneira mais livre e remota de se viver e trabalhar, esperamos que o Manifesto Slow Nômades possa ser, de alguma maneira, útil também para seus próprios olhares e caminhos!

EQUILÍBRIO

Nossa base e busca constante. As estradas, a ausência de rotina, as incertezas, o convívio com novas pessoas, lugares e culturas, as descobertas, a liberdade e cada detalhe a mais de uma vida nômade nos fortalece as possibilidade de um profundo autoconhecimento. A humildade de nos revermos tão pequenos perante a vastidão do mundo. Buscar esse equilíbrio interno é entender o nosso papel na vida, desaprender o que nos foi instituído como padrão e “correto”, é conhecer a nós mesmos e nos expressarmos da maneira mais transparente e sincera. É a nossa cura, que se manifesta no cuidado com a gente mesmo e com cada encontro, cada ambiente, cada jardim e quintal!

ESCOLHAS CONSCIENTES

De vida, consumo, trabalho e viagens! Tudo conectado e relacionado, como somos com cada aspecto do planeta em que vivemos. Aqui, usamos os incentivos dos nossos símbolos, que são pequenas atitudes em que podemos fazer a nossa parte e buscar um viver mais significativo. É pensar globalmente para viver e agir localmente, em cada parada, cada hospedagem, cada dia a dia de cada cidade, Estado e país. E incluindo aqui as inspirações do Slow Travel, onde identificamos a pressa como a maior inimiga das viagens agradáveis. Em cada local visitado ou que escolhemos “morar” por alguns dias, semanas ou até meses, seja ele rural ou urbano, vila ou metrópole, que possamos fazer parte dele através do contato direto com a população residente, com o ambiente, suas paisagens. Em um ritmo adequado à absorção da cultura local. Mesmo que por poucos dias, que seja possível conhecer melhor menos coisas e lugares. Conhecer espaços locais, produtores, mercados, pessoas e suas histórias, suas línguas, seus modos de viver; visitar aquela pequena loja, ateliê ou restaurante que não consta nos guias. Explorar, descobrir, desfrutar. Reconhecer os locais onde mais nos identificamos e passar horas por lá. Conhecer a pé, de bicicleta… Enquanto vivemos e trabalhamos, é ajudar a fortalecer a economia local e a preservar a natureza ali presente. Como mais você poderia contribuir com a comunidade onde você está agora?

É desenvolvermos um estado mental que se amplia, em que saímos do automatismo para a consciência na hora de se escolher. Sejam pequenas ou grandes as decisões, os afazeres ou as compras. É tomar você mesmo a direção do seu caminho, saboreando o inesperado com mais leveza, mais calma e cuidados. E menos excessos.

INOVAR/EVOLUIR

Se tem algo que colabora com o nosso desenvolvimento pessoal é uma experiência nômade, como já falamos ali na parte do Equilíbrio. Um constante readaptar, absorver, renovar, “empatizar”. Evoluímos como pessoas e como profissionais. Revemos a nossa relação com o tempo, com o consumo, com o que fazemos. Novos formatos, mais livres e remotos, de morar e trabalhar. Menos. Durável. Mais uso e menos posse. Uma nova economia, que compartilha e colabora. O custo de vida pode inclusive ser menor do que na vida cotidiana de moradia fixa, facilmente. E todo cenário é possível para um escritório! O Slow Work entra em cena para deixar de lado a imagem de que sucesso é ser um profissional excessivamente atarefado e sem tempo pra nada. Passamos a absorver o trabalho de modo a fazer menos coisas, mais bem feitas. Priorizamos, em equilíbrio com o trabalho, o tempo para experiências incríveis, para a saúde e para nutrirmos nossas relações – com a gente mesmo, com os outros e com o espaço onde estamos. O bem viver torna-se essencial. E ao aliarmos o trabalho a ambientes em que nos sentimos bem, nos sentimos realmente vivos e pertencentes à natureza, pertencentes ao mundo. Nos realizamos.

Foto do topo: Dunas do Rosado/RN | Dezembro 2017

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Sobre Bruna e Ismael

Na estrada para inspirar e compartilhar mais equilíbrio e escolhas conscientes, desaceleradas e significativas. De vida, consumo, trabalho e viagens. Seus benefícios e transformações pro mundo, pra nós mesmos e ...

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