Guia Slow Pelo Brasil | Rota Ecológica – Maragogi/AL

Por Bruna e Ismael

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Continuando daqui e… Playlist a postos, carro na estrada de novo! Partimos em direção à Rota Ecológica, que passa por várias praias rústicas, de um ainda mais deslumbrante mar azul-esverdeado, característica de boa parte do Alagoas. O nome oficial dessa região é Costa dos Corais – mas como isso engloba Maragogi (que, por ser um destino tradicional do turismo convencional, não tem a ver com esse trecho), é então usado o termo Rota Ecológica inclusive nas sinalizações, nome que surgiu no final dos anos 90 pelo então secretário de turismo de São Miguel dos Milagres. Essa informação veio daqui e eu gostaria de saber se tem algum motivo a mais para esse termo além das belezas naturais… Voltando a São Miguel, é um dos pequenos municípios da região, com sua praia cada dia mais famosa, especialmente por seu reveillon. Um lugar que estávamos animados pra conhecer!

Tchau Maceió e, seguindo em frente, primeira parada, a Barra de Santo Antônio, que é onde fica a Praia de Carro Quebrado. Uma cidadezinha onde começamos a perceber um maior contraste entre o turismo nas belezas naturais e a triste pobreza da região. Chegamos a entrar na estradinha de terra, deserta, que leva a essa praia, bem conhecida já e adorada por muitas pessoas, mas tivemos uma abordagem tão agressiva do pessoal de moto que quer de todo jeito te levar aos lugares que desanimamos de prosseguir. A intuição nos disse pra deixar pra outro dia e decidimos mais uma vez ouvi-la.

Essa região da Rota Ecológica foi preservada graças ao traçado da estrada litorânea de Alagoas, que na altura de Barra de Santo Antônio faz um desvio para o interior e só retorna à costa em Maragogi.

Seguimos e só paramos em São Miguel. Aí entendemos que a rodovia em si já faz parte dessa micro cidade, que evidencia um contraste econômico/social ainda maior. As praias são bem mais tranquilas e cruas, naturais. Lindas! Não espere estrutura de cidade de praia, nem mesmo de vila. Mais próximo à praia estão pousadas e hotéis, boas delas de luxo. Encontramos o sítio Martoke, que já havíamos consultado antes pelo site Alugue Temporada. Na beira mar, são alguns chalés com cozinha completa em uma área ampla e com bastante mato, grama, uns jardins. Apesar da proximidade com o tipo de hospedagem que priorizamos, pros cachorros não era o ideal (eles são pet friendly) porque a área é bem aberta e ficar com eles presos ou fechados no chalé não seria uma boa ideia. E ainda por cima eles estavam dedetizando o local e as hospedagens só aconteceriam uns três dias adiante.

Só sabemos que tudo nesses dois dias (a história começa aqui) acabou nos trazendo mais pra adiante. Passamos pelas Praias de Porto das Pedras, Patacho, do Toque e Porto da Rua, todas bem próximas ao vilarejo de São Miguel. Como a estrutura de hospedagem era mais ou menos a mesma, com a dificuldade em encontrar o serviço pet friendly chegamos à conclusão que ficar em Maragogi, que é um pouco maior, seria melhor pra gente, apesar das rotas turísticas convencionais não serem nossas preferências.

Mais uma balsa a bordo para atravessar o rio Manguaba saindo de Porto de Pedras, também com mercadinhos simples em cada lado da fila de espera do carro. Do outro lado, chegamos a Japaratinga, um ambiente mais organizado, e seguimos pelo litoral passando por outras praias até chegar a Maragogi, no cair da tarde. Das nossas buscas, já havíamos encontrado apenas um lugar pet friendly, onde passaríamos a noite para buscar, então, uma casa/apartamento para mais dias.

A Pousada Portal de Maragogi está tão de parabéns por ter nos recebido com os cachorros! A ÚNICA. Um espaço bonito, na beira da praia, com uma decoração rústica minimalista e quartos com varanda e rede em um ambiente acolhedor. Só não achamos que o valor da diária seja coerente ao que eles oferecem como um todo (lembrando que Maragogi é um lugar turisticamente famoso, então tem dessas coisas), mas nesse caso claro que pra gente foi essencial. E aí paramos pra pensar, como tem crescido o mercado pet friendly, em todos os setores, e em alguns lugares isso têm é diminuído, como nos falaram que aconteceu aqui…

Potinhos de água e ração na frente de uma loja da orla da Praia de Maragogi, para os cachorros de rua <3

Quem nos confirmou isso alguns dias depois foi a atendente de uma pousada da orla (não pet friendly), que é argentina e eu me esqueci o nome. Ela nos disse que há algum tempo a cidade tinha mais opções, mas com o tempo foram proibindo, proibindo, até ficar só essa. Ela mesma criadora de um projeto que arrecada doações para castrar os animais de rua de Maragogi. Em vários restaurantes, pousadas e outros tipos de comércio você encontra a caixinha, nos caixas, para contribuir.

Bom, voltando a essa estadia, foi um pausa muito bem recebida pra nossa saída de Maceió que a gente nem imaginava que seria assim, demorada e “pingada”, rs, antes de nos estabelecermos de novo em algum lugar. Dessas surpresas que aparecem pelo caminho e que a gente não tem controle mesmo, mesmo tentando ao máximo nos organizar. Acontece!

No outro dia, descansados e renovados, viemos até a cidadezinha, na extensão da orla procurando uma casa. Achamos os correios, já facilitou bastante!

Garagem e mini jardim na entrada de nosso apartamento térreo em Maragogi

Depois de algumas perguntas e voltas de carro, encontramos o apartamento térreo onde ficamos, a um quarteirão do início da praia e com duas suítes (ou seja, poderíamos até receber visitas, rs), um pequeno jardim cercado, ideal pros cachorros, e outra área aberta atrás, que ventila bem a casa toda. Aqui é bem possível alugar casas compartilhadas, para temporadas, muitas placas pelas ruas sinalizam os imóveis, de todos os tipos e valores. A maioria é focada pra grupos maiores, especialmente os de busca pela internet, mas dá para encontrar pra casais e menos pessoas, com um preço honesto. Aliás, essa é uma surpresa de Maragogi, mesmo tão turística o valor das coisas não é inflacionado. Tem muita coisa até bem barata por aqui. Já pet friendly, mesmo as casas, continuam a ser poucas. E com wifi disponível também, então nos viramos com o 4G mesmo (que pega razoavelmente bem lá, o nosso é Tim) e, na necessidade de uma banda larga pra arquivos maiores, o quiosque Lua Cheia, na orla, salvou. E ainda com uma boa tapioca recheada!

Ah, outro detalhe é que o chuveiro elétrico ou a gás não é algo que tem em toda casa, não deixa de conferir isso quando for alugar, se você fizer questão. Porque é bem comum eles só usarem o frio mesmo e ainda olharam pra gente e comentaram: “Ah, vocês são mineiros, né? Gostam de banho quente…”, com uma cara nos julgando como frescos, rs!

Voltando ao dia a dia, completamos hoje uma semana na cidade. Nossa primeira impressão não foi das melhores por essa pequena confusão que passamos, especialmente por termos chegado anoitecendo, o que deixa tudo mais difícil. Mas com os dias fomos nos simpatizando, principalmente porque essa casa onde ficamos é perto da orla e das ruas mais movimentadas, dá pra fazer tudo a pé. Mas ainda assim é uma rua sossegada, bem iluminada à noite.

Nossas caminhadas na praia foram fantásticas. É lindo demais acompanhar o mar ficando nessa cor caribenha à medida em que o sol vai ficando mais forte. A areia é plana, uma delícia pra andar, a água é fria pra morna e calma, nada daquilo do mar ir puxando pro fundo, como acontece na Praia de Abaís, principalmente. E a orla ser pequena traz mais aconchego. Indicamos o restaurante Gauana, bem na metade da rua principal, pra aproveitar o dia (ou manhãs ou tardes, no nosso caso), que tem cadeiras acolchoadas, para dois,  almofadas e outros espaços confortáveis, além de ser silencioso e ter preços justos. Aliás, foram poucas as situações aqui em que ouvimos música alta. O gerente da pousada do primeiro dia nos disse que virou uma lei bem rígida isso do som alto, ainda mais vindo de carros na rua.

O caseiro aqui do prédio nos indicou um mirante, Alto do Cruzeiro, bem pertinho da cidade, só pegar a rodovia principal e seguir em frente à direita (saindo da cidade na direção contrária a Maceió). Não é sinalizado, mas é só entrar à direita na placa que indica a pousada e restaurante de mesmo nome. Lá existe um mirante dentro do pousada, mas ao lado da entrada, à esquerda, tem uma pequena descida que leva a um espaço de vista deslumbrante, de 180 graus, ideal pra contemplar, pra agradecer por toda essa beleza, pra fotos.

Imagina se Claudinha e Varlô também amaram a vista!!!?

Sem dúvidas das paisagens mais maravilhosas que já vimos na vida. Indescritível a sensação!

Não resistimos e fizemos um passeio de lancha pelas praias da orla, a ideia de movimentar por essas águas é bem vinda demais. Fomos também por esse restaurante Gauana, com a Rose e seu marido, que nos levam às praias mais afastadas e vazias, já chegando em Pernambuco, como a Praia da Bruna (achei chic ter uma praia paradisíaca com o meu nome, rs!) que é onde, mesmo afastado da margem, há uma ampla piscina natural, rasa e dos sonhos, e com um barco-bar a postos. Ficamos por uma hora, mais ou menos, imersos naquelas águas de cor surreal de maravilhosa e temperatura agradável. Isso numa segunda de manhã! (Ah, como temos que rever, como sociedade, esses pode e não pode, segunda é horrível e sexta que é bom, segunda é que é trabalho, fim de semana não…). Demos a sorte de faltar pouco pra partirmos quando chegaram os catamarãs dos hotéis com muito mais gente e música alta, ginástica, essas coisas. E a lancha faz uma pausa também na Praia de Antunes, que é possível chegar de carro (uns 6 km). Linda e um sossego só, mas com estrutura de bar e cozinha.

A única observação é que, se você tem um organismo facilmente enjoável, como o meu, vai ser fácil ficar da cor do mar se no dia o vento estiver mais agitado, como foi com a gente. Do meio pra frente, cada movimento da lancha era um socorro, e quando terminou fiquei com a cabeça girando mais algum tempo… Mas valeu a pena, claro!

O que adoramos: Resumindo, Maragogi é uma cidade bem turística que fico feliz por termos visitado ainda em baixa temporada. O seu mar é realmente hipnotizante! A cor é tão bonita, tão viva, que supera qualquer dificuldade ou detalhe daqui que não nos encante tanto. Adoramos retomar, um pouco que seja (e já ficamos satisfeitos, rs) um movimento noturno. Nas outras cidades pequenas que ficamos, com exceção da Praia do Forte, a noite era quase um deserto. Caminhar na orla depois de escurecer nos permitiu assistir a uma partida de final de futvôlei, com um narrador profissional e tudo; ver adolescentes reunidos dançando felizes em uma pracinha na orla e até ir em um bar que descobrimos no caminho de casa, o récem inaugurado Pallet Bar Maragogi que, além da decoração com os pallets que leva no nome, tem como copos potes reutilizáveis, balanços no balcão, hambúrguer veggie, bom atendimento e boa música brasileira. Vale a visita!

O que não gostamos: O contraste social incomoda, parece um cenário onde na orla tá tudo bonitinho e, uma ou duas ruas pra trás, vira uma chave e caímos na realidade. Nos perguntamos, mais ainda, como um lugar que gera tanta renda com o turismo não recebe um mínimo cuidado em seu entorno, para a população… Os descasos de sempre. E viver a cidade aqui não tem o mesmo espírito de uma vila como as que citamos aí pra cima, motivo pelo qual achamos que uma semana foi suficiente pra ficarmos.

Se a gente voltaria a Maragogi? Sim, mas provavelmente, dessa outra vez, pra entrar no circuito de turismo e ficar em uma pousada/hotel para vivenciar seu conforto e as belezas do mar e da praia. Especialmente em uma pousada que vimos à beira mar e que tem como foco exclusivo o yoga. Que lindo espaço! Ainda vamos falar dela em nossa redes sociais.

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