A gente devia ser certinho só de sacanagem

Por Diorela Bruschi

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Já deu. Meu país está pagando um preço muito alto por não ver, por não cuidar ou por cultivar a malandragem.

Fico pensando naquela moça que resgatou o vira-latinha mal tratado no fim de semana, em Santa Luzia. Como ela precisava de dinheiro, fez um apelo na internet e muita gente avulsa, mesmo sem a conhecer, começou a doar. Um dado momento ela falou que já tinha recebido mais de cem reais e que as pessoas poderiam parar de doar enquanto ela ia apurando as necessidades do cachorro. Mais tarde, a jovem enviou a prestação de contas para todo mundo e descreveu exatamente o que precisaria, o preço, os motivos e o estado do cãozinho. Uma amiga minha se comoveu e doou mais.

O que a gente fez com a confiança do mundo?

Rimos dela. Muitas vezes. Deixamos para lá quando agiram de má-fé com a gente. Tentamos levar na brincadeira os abusos alheios. Isso quando não eram os nossos.

Pois agora acabou. Acabou grande parte da confiança das pessoas e das relações tranquilas entre elas. Como advogada, posso dizer que virou um inferno.

Pois eis aqui a minha decisão: Não ligarei mais de ser chamada de chata. Vou ficar mais exigente. Tanto comigo, quanto com os outros, e em particular com quem está mexendo no meu dinheiro que é pouco, mas é honesto. Quero meu troco em moedas pequenas. Quero que o banco cumpra o prazo que me pediu para aquele documento imprescindível para minha vida. Quero fidelidade de quem jura fidelidade. Quero representantes que me representem.

Ao mesmo tempo, quero cumprir o que prometi. Quero ir nos eventos que confirmei presença, quero ser pontual, quero honrar meus acordos formais e informais. Quero elogiar quando for merecido e fazer críticas sem arruinar a vida de ninguém. Ainda, quero exigir leis que façam sentido e a revogação daquelas que perderam a noção. Também quero comprar de gente honesta e pagar o preço justo por isso. Aliás, o preço justo por qualquer trabalho. O meu e o dos demais. Quero.

Essa será uma das minhas muitas maneiras de manifestar para tentar melhorar esse país e este mundo para mim, para você, para meus sobrinhos e também para os mais velhos que merecem algo de bom da vida.

Que seja por reação, por raiva, por agonia, ou por uma grande esperança, agora tudo meu vai ter que ser muito mais certinho. Mesmo que eu quebre a cara algumas vezes. É o que temos que fazer. E vou enaltecer, como nunca, quem se esforça em seguir a mesma linha. Vamos, Brasil!

Imagem do topo via Pinterest

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Sobre Diorela Bruschi

Advogada, redatora e professora, vive entre o Brasil e a França e seus contrastes culturais. Autora dos blogs Direito é Legal e Saída à Francesa, aprecia a vida em comunidade ...

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