Os prazeres e desafios de se trabalhar em casa

Por Bruna Miranda

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Durante os três primeiros meses de 2008 eu tive meu último emprego fixo, em uma agência de comunicação. A partir de então, embarquei em um processo de (aprender a) empreender que me traz até hoje. Entre 2010 e 2011 tive um escritório na Savassi, BH, onde ia trabalhar de segunda a sexta com a regalia de sair de casa após o horário do pico de trânsito e a mesma coisa na volta. Foi uma boa experiência! Um espaço decorado e vivido com liberdade, animado, um trabalho com pessoas queridas e Heinekens nas tardes de sexta.

De 2013 para cá trabalho basicamente no formato de home office. Desde o final da minha fase do escritório próprio comecei a considerar essa possibilidade um privilégio, por motivos claros: não ter que deslocar, mais tempo e tranquilidade, economia, agenda ainda mais flexível; e por outros mais pessoais, como por exemplo comer em casa o que eu mesma faço e trabalhar com calma no meu espaço.

Pensando um pouco mais sobre isso, listei alguns pontos que me ajudam a lidar com a semana de uma maneira mais organizada, agradável e produtiva e que podem, na minha opinião, inspirar quem busca essa liberdade do trabalho remoto – vista como o presente/futuro do trabalho, do qual acredito bastante para algumas áreas – e também para nos aprimorarmos com relação à algumas de suas desvantagens.

– Sem ser tão rígida mas, na medida do possível, mantenho uma rotina de horários – de início e término – e pausas. Seja no convencional, manhã e tarde, ou até mesmo aproveitando a paz da madrugada.

– Apesar de ser a primeira coisa que passa pela cabeça de muita gente ao pensar em trabalhar em casa, não trabalho de pijama. Se tenho um compromisso fora em algum horário durante o dia, já me arrumo direto pela manhã e, se não tenho, posso até não me arrumar como se fosse sair, mas entra em cena ao menos uma roupa que diferencia que estou em um horário de trabalho e não no momento “estou em casa relax”. Mas claro que vez ou outra, dependendo das atividades do dia e, principalmente, se está aquela chuvinha fina lá fora, abro exceções (com o sofá ou cama incluídos), porque afinal todos merecemos!

– Tenho um espaço só para trabalhar, o que acho excelente para separar do ambiente de dormir/comer/socializar do restante da casa. Mas por algum tempo já trabalhei no mesmo quarto em que dormia, então penso que nesse caso focar na “hora de trabalhar é trabalhar” ajuda bem.

– Gosto de trabalhar em silêncio, de preferência, ou com alguma música instrumental de fundo, especialmente quando tem algum barulho vindo da vizinhança.

– Mais um plus do home office (e de muitas empresas legais por aí): adoro trabalhar com os cachorros por perto, eles ficam no sofá do escritório e, claro, trazem outra energia para o dia.

– Outro plus: a siesta na rede da sala depois do almoço…

– Com a praticidade do trabalho remoto também gosto de mesclar ocasionalmente o home office com o trabalho em cafés, bibliotecas e espaços colaborativos e, por que não, penso em praças e até em praias, conhecendo outras cidades e descobrindo novas possibilidades.

– E bom para qualquer ambiente profissional: evitar o multitasking; não acumular abas abertas no computador; evitar deixar tudo distraindo ao mesmo tempo, como messenger, whatsapp, email, melhor estabelecer alguns horários pelo dia para checar e responder; focar em uma atividade por vez para fazer bem feito e por completo; e algumas pausas de hora em hora, mais ou menos, para relaxar a mente e esticar as pernas. Aparentemente simples, são coisas difíceis de colocar em prática diante do excesso de informações e do piloto automático a que nos habituamos mas, o quanto conseguirmos, os benefícios valerão a pena.

Agora, o que vejo como negativo no trabalho em casa:

– Se você não está sozinho, a chance de se dispersar é grande, seja em conversas, barulhos, tv ligada ou etc, especialmente se o seu trabalho não inclui um espaço exclusivo. Por isso vale reforçar quando for o seu horário de trabalho para menos interrupções.

– Sempre tem algo de casa a ser feito, então acho que o jeito é se desligar mesmo das tarefas domésticas o quanto for possível ou dentro do horário estipulado para trabalhar.

– Como tudo em excesso, tem hora que não é bom ficar sozinho demais ou dentro de casa demais, até mesmo para quem tem um trabalho introspectivo como escrever, pesquisar, programar… Por isso é essencial saber a hora de aproveitar o dia também para dar um volta, resolver coisas burocráticas na rua, interagir em outro lugar, com outras pessoas, refrescar a cabeça para novas ideias. Inclusive para não deixar passar a vitamina D do sol, como acontece com tanta gente que trabalha em espaços fechados (em casa ou não, claro) por quase todo o dia.

– Para algumas pessoas, essa opção simplesmente não é algo possível ainda, mas vemos que é crescente; ou até mesmo não é desejável, seja pela preferência pela divisão mais certinha entre casa e trabalho ou pela dificuldade em estabelecer uma disciplina que permita essa junção ou quaisquer outros fatores. Acredito que estamos caminhando para um maior entendimento das novas premissas de trabalho e, consequentemente, isso vem trazendo mais harmonia para as possibilidades de criar e interagir, mantendo o espaço para diferentes escolhas.

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Sobre Bruna Miranda

Bruna é empreendedora e jornalista, idealizadora da plataforma Review e da revista impressa Guia Slow Living, e está experimentando uma vida nômade pelo Brasil. É movida pelo que é atemporal ...

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