Biblioterapia: Livros como cura do corpo e da alma

Por Bruna Miranda

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A cura para os males humanos, já sabemos, pode vir de tantas outras formas além da tradicional medicina e os remédios das grandes farmacêuticas. Longe de querer discutir a importância dessas áreas para a nossa saúde, vejo com ótimos olhos a crescente busca (um resgate, na verdade) por remédios vindos da natureza, sempre sábia e generosa em nos proporcionar, por meio das plantas, exatamente o que precisamos. Sem contar que ela nos fornece também a essencial prevenção do modo mais prazeroso possível, através da alimentação consciente.

O que mais pode ser considerado remédio? Uma mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo, como nos lembra a letra da música. Bons relacionamentos, poucas pessoas a quem confiar e algumas “regalias” que caem tão bem como uma chuva durante o sono, como massagens, viagens, celebrar momentos especiais e o cotidiano também.

E livros? Excelentes para a mente e a alma, também entram em cena para nos curar. Quem nunca teve inspirações de vida por meio de boas histórias e relatos? E agora de maneira mais efetiva: uma clínica de tratamentos alternativos de Lisboa, Portugal, a The Therapist, passou a oferecer, dentre os seus tratamentos ligados à medicina chinesa e a naturopatia, a biblioterapia, algo que acredita-se ser estudado desde os anos 1940. As sessões, inéditas no país, são exatamente o que o nome indica, a prescrição de leituras. Cada consulta custa 60 euros por pessoa (200 reais, em média), onde o terapeuta se informa detalhadamente sobre os problemas de saúde e os hábitos de leitura do paciente. Com essas informações, cria um plano de leitura personalizado.

Isso me lembrou o filme francês Paris-Manhattan, uma homenagem a Woody Allen, onde a protagonista, a farmacêutica Alice Orvitz, receita filmes do cineasta às pessoas que chegam com problemas de saúde ou existenciais. Voltando para a versão real, “os biblioterapeutas são profissionais que reúnem competências de análise de comportamentos humanos, de hábitos de leitura, de técnicas de rentabilização de leituras e uma grande capacidade em pesquisar e recuperar livros verdadeiramente transformadores. O trabalho consiste em encontrar o livro certo, no momento certo, para cada paciente”, explicou César Ferreira, biblioterapeuta e “reading coach” da clínica em matéria do jornal Nexo. E ele afirma ainda que, apesar de cada caso ser único, os dois dos livros mais prescritos por ele são “O cavaleiro preso na armadura”, de Robert Fisher, e “O velho e o mar”, de Ernest Hemingway.

Outra estudo do tema citado pelo Nexo é “A Leitura Como Função Terapêutica: Biblioterapia”, da professora Clarice Caldin, da Universidade Federal de Santa Catarina. De acordo com ela, os componentes da leitura descritos como “biblioterapêuticos” são a catarse, o humor, identificação, a projeção e a introspecção que ela proporciona e, dentre os objetivos e potencialidades do tratamento, permitir ao leitor verificar que há mais de uma solução para o seu problema, adquirir um conhecimento melhor de si e das reações dos outros, alcançar um entendimento melhor das emoções e afastar a sensação de isolamento. E o ponto chave da biblioterapia é quando o paciente consegue trazer a história e o aprendizado para a sua própria vida, permitindo-o lembrar que todos nós somos heróis.

E para quem a biblioterapia pode ser mais particularmente útil? Para os adolescentes e em hospitais, penitenciárias, asilos e no tratamento de problemas psicológicos, deficiência física, doentes crônicos e dependentes.

Além do momento de calma e concentração proporcionado por uma leitura, inspirar-se em outras mentes, que viveram situações semelhantes ou ainda que estejam distantes, mas que, de algum modo, tem algo relacionado ao viver humano onde poderemos refletir, sentirmo-nos motivados, entender um pouco mais a lógica de tempo, espaço, pensamento e emoções em que estamos inseridos diariamente. Em épocas de leituras rápidas e rasas, do domínio do efêmero, da televisão e das redes sociais, nada pode ser mais significativo do que a leitura de um livro, chega a ser uma conquista nos dias de hoje, tamanhas as distrações e correrias. Seja com os seus títulos favoritos, através de um clube da leitura, de trocas via correios, para manter por perto, para compartilhar, para reler e presentear, a terapia dos livros (e das boas revistas também, sem sombra de dúvidas!) sempre ocupará seu posto como uma indicação das mais positivas para um bem viver.

E eu termino, claro, com citando um livro, um título que pode ser muito útil para todos nós que buscamos mais momentos de tranquilidade em meio ao caos e podemos buscar também uma leitura, qualquer que seja, mais produtiva e focada.

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Sobre Bruna Miranda

Bruna é empreendedora e jornalista, idealizadora da plataforma Review e da revista impressa Guia Slow Living, e está experimentando uma vida nômade pelo Brasil. É movida pelo que é atemporal ...

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