Agenda | Temas como presença e consciência enfatizam a estreia do Renove – Mostra de Slow Living

Por Bruna Miranda

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O RENOVE é um ponto de encontro entre o público interessado e os profissionais e suas histórias, produtos e serviços que inspiram e trazem melhorias à nossa cidade, ao mundo e ao bem viver, pessoal e coletivo, indo de encontro à crescente e global abrangência desse comportamento.

Foi nesse último sábado, 18 de março, a estreia do projeto Renove, uma mostra de slow living produzida em uma parceria do Review com a Casa Idea de Cultura. Como o próprio nome já diz, o projeto propõe mudanças e é um encontro, uma oportunidade para nos reunirmos para compartilhar, vivenciar e estimular, presencialmente, novos caminhos, hábitos e propostas para uma vida equilibrada; fortalecer o bem viver, a inovação, os cuidados, a responsabilidade, o poder das escolhas conscientes e o senso de comunidade. Tendo como base, claro, o Slow Living.

Como estreamos em março, um mês de importante reflexão acerca do feminino, a programação de estreia foi composta inteiramente por mulheres inspiradoras.

Começamos a tarde com a exibição do curta Terra Mãe e com as comidinhas veganas da Verde Mary, feitas com muitos cuidados por outra mulher que incentiva um consumo alimentar muito mais leve, saudável e amoroso, a Mariana Marzano.

Para a conversa inicial do Renove, eu apresentei o início do movimento slow, que seu deu através da comida, na Itália, na década de 1980, e sua expansão para todas as áreas da vida, em todo o mundo: da necessidade de desacelerarmos o cotidiano aos processos de produção e consumo em cada uma das abordagens relacionadas. Como por exemplo, dentro do Slow Food temos as inovações defendidas pelo Slow Wine, Slow Beer, Slow Coffee; Slow Kids, Slow Parenting; Slow Design; Slow Fashion; Slow Travel; Slow Sex; Slow Beauty e muito mais… (em inglês pela abordagem global dessas questões).

E apresentei também como trabalhamos essa proposta aqui no Review, através dos nossos símbolos e do manifesto.

Os comes e bebes do Renove foram todos da Verde Mary: veganos, leves e deliciosos, com as receitas criadas pela Mariana Marzano, idealizadora da marca

Com o Slow Living apresentado de forma abrangente, cada uma das convidadas expôs como se sente com relação a esses incentivos, como se identificam com eles, pessoalmente e em suas atividades diárias.

A Carol Neves, sócia na Vila João de Barro e diretora da Pachamama “Ciclos do Sagrado Feminino” enfatizou a importância do despertar feminino para as questões naturais que nos foram praticamente bloqueadas pela sociedade de um bom tempo para cá, como a profunda conexão entre as mulheres e as fases da lua e esta relação manifestada principalmente através do ciclo menstrual (incluindo aqui os tabus por trás da mentruação, que são difundidos até hoje). Com o conhecimento dessas relações, conseguimos nos sintonizar aos nossos períodos: naquele que é melhor para nos recolhermos para as questões mais internas e introspectivas; em outros em que estamos mais “empresárias”, mais ativas; ou ainda mais amorosas e acolhedoras… Com essa consciência ativa, com essas percepções sobre nós mesmas, conseguimos lidar de uma maneira muito mais saudável e “certeira” com o mundo e com o que fazemos nele. Quer um exemplo incrível? Na Pachamama, a sua empresa de ecologia feminina que oferece soluções saudáveis e alternativas para a saúde da mulher, todas as funcionárias têm direito a uma folga remunerada na lua cheia para que possam se recolher, se tranquilizar em seu momento. A Carol destacou ainda como cada transformação em nossas vidas traz novos olhares e escolhas para tudo ao nosso redor, impossível não ficarmos mais seletivos! Lemos rótulos, buscamos cada vez mais nos informar e adquirir o que for benéfico. E o melhor, hoje em dia, é que estamos passando da fase do “ser um ET” por essas nossas escolhas conscientes, rs, já que o mercado e as pessoas estão cada vez mais acordando para a necessidade e os benefícios de uma vida que resgata valores ancestrais e os adapta aos dias de hoje.

A conversa aconteceu no auditório da Casa Idea

A Denise Casagrande, naturóloga, instrutora de mindfulness e sócia da Quântica In Company, enfatizou a educação como um fator primordial para essas transformações, já que todos nós, até então, erroneamente crescemos sem uma base de educação emocional. Ela acredita, principalmente, na presença consciente como o ponto chave para os obstáculos da mente difusa, acelerada e desfocada. Ao colocarmos a nossa atenção plena em cada atividade, desaceleramos e nos alinhamos ao momento presente. E funciona como um treino constante: só de já percebermos que estamos fazendo uma coisa pensando em várias outras, já estamos nos tornando cientes para retomarmos o foco para o agora. Afinal, não somos seres multi-tarefas, mesmo que o mundo corporativo tenha nos jogado isso garganta (e mentes) abaixo, como um indicativo de sucesso e produtividade – principalmente com relação às mulheres, que naturalmente já possuem um cérebro mais ativo para armazenar tarefas simultâneas. E como pessoas, queremos com frequência a boa sensação que é liberada em nosso corpo quando concluímos alguma tarefa. Então, ao invés de criar menos coisas a seu tempo e com mais dedicação, nos tornamos viciados em fazer mais, mais rápido, para mais gratificações. Isso também é algo a ser internalizado para sabermos equilibrar nossas atividades com o seu tempo hábil e com as sensações ainda melhores de um dever cumprido com mais qualidade (qualidade no próprio trabalho quanto qualidade de vida). Até porque já é mais do que sabido que menos horas de trabalho bem feito, com o corpo e a mente relaxados, rendem muito mais do que horas a fio trabalhadas sem as condições para se recarregar bem as energias.

E a Luciana Dulci, professora de sociologia na UFOP e pesquisadora nas áreas de sociologia da cultura, moda e educação, compartilhou que seu questionamento com o status quo começou a surgir a partir do momento em que tinha realizado todas as etapas que, socialmente, nos são impostas para uma suposta vida de sucesso – com relação à carreira, principalmente. E que tudo isso não a realizou como deveria. Ela questiona a academia, onde o acúmulo de pesquisas e projetos produzidos de maneira cada vez mais rápida e superficial, para satisfazer currículos invejáveis, torna-se mais importante do que o conteúdo e sua aplicação. Outros pontos que ela citou trouxeram a reflexão sobre o uso exagerado da tecnologia na vida atual, inclusive nas relações pessoais. Quem não fica incomodado quando conversamos com alguém que não tira os olhos da tela do celular? E ao observarmos como é surreal o desespero das pessoas para religar o celular após o pouso do avião? (Colocação bem lembrada da Maria Inês, idealizadora da Casa Idea. Só para constar a força feminina que se reuniu nessa estreia! Juntamente com a Luísa Gontijo, produtora cultural do espaço).

Guia Slow Living Dois

Finalizamos com o que seria essencial para cada uma na hora de colocar em prática, no dia a dia, os incentivos do desacelerar. A meditação, a busca pela atenção plena, observarmos (melhor) os ciclos da natureza – para entendermos que fazemos parte de um todo onde cada coisa tem o seu tempo, natural e saudável, de acontecer e evoluir – menos tecnologia e até mesmo uma aparentemente simples xícara de chá. Já que, para cada um de nós, através das buscas do autoconhecimento seja possível entender conscientemente o que nos traz paz, harmonia e presença. Uma receita mágica, prontinha, não existe. E muito menos funcionam regras e imposições mil para se atingir uma vida dos sonhos, 100% equilibrada e consciente. Cada um de nós precisa descobrir por si mesmo, através de “treinos” diários e um olhar voltado para dentro. E consequentemente, a atuação externa em nossas vidas vai se aprimorando, cada vez mais…

Agradecemos também à cada pessoa que enriqueceu o bate papo com suas visões! Incluindo as presenças masculinas que nos reforçaram a clareza de que somos todos complementos de ações, criações e energias.

Para os próximos encontros, vamos abordar o slow living dentro de cada proposta, como no Comer e Beber, Viver a Cidade, Beleza e Bem Estar, Viajar, Casa, Vestir, Pequenos, Pets, ONGs/Causas e etc. Mais uma vez destacando pessoas e iniciativas que trazem como propósito fortalecer o bem viver, a inovação, os cuidados, a responsabilidade, o poder das escolhas conscientes e o senso de comunidade em uma busca pelo bem comum, associando projetos, produtos e serviços humanizados à uma nova economia: circular, colaborativa e compartilhada.

A segunda edição do Renove será em maio e contará também com novas atividades. Quer sugerir um tema ou algo a mais? Escreve pra gente no review@reviewslowliving.com.br e até logo!

O Guia Slow Living Dois continua à venda na Casa Idea!

 

Fotos por Luísa Gontijo

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Sobre Bruna Miranda

Bruna é empreendedora e jornalista, idealizadora da plataforma Review e da revista impressa Guia Slow Living, e está experimentando uma vida nômade pelo Brasil. É movida pelo que é atemporal ...

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