Uma nova era, um novo mundo em Saturno

Por Bruna Miranda

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A astrologia é a língua do nosso universo. E se tem algo que não podemos negar é a presença de energia que nos move, sintoniza e influencia a todo o tempo!

Por exemplo, com relação aos planetas, sabemos que todo ano tem um deles nos rege e há também um que é nosso regente a cada 36 anos, em um grande ciclo. Citando o período de 1909 a 1944, que foi regido por Marte, o deus da guerra, justamente quando tivemos duas guerras mundiais. Agora, desde 1981, estamos sob a regência do Sol e, por isso, mais voltados para nosso ego.

Hoje, 20 de março de 2017, é um dia especial, pois saímos da Era Solar e entramos no bem vindo Ciclo de Saturno, que rege esse ano de 2017 e onde estaremos pelos próximos 36 anos, incentivando transformações que são totalmente alinhadas ao que acreditamos e buscamos. Selecionei alguns trechos da coluna da Eunice Ferrari, astróloga e psicoterapeuta, para que a gente possa celebrar esse novo ciclo com a firmeza da presença, da consciência, das escolhas e atitudes. Vale muito a leitura!

Saturno é conhecido por sua severidade e cobranças que faz às pessoas. Pelos obstáculos e limites que impõe, mas também pelas grandes, transformadoras e maravilhosas lições. Sua regência deve exigir de todos nós mais responsabilidade e comprometimento, de uma forma mais global e planetária, além da individual.

No Ciclo de Saturno podemos esperar por um tempo muito diferente do que vivemos hoje em dia, pois seremos obrigados a refletir sobre valores perdidos há muito tempo e a deixar cair as máscaras, o que pode não ser muito fácil especialmente para os nascidos a partir de 1981, que conhecem apenas uma sociedade solar com menos foco em valores humanitários e maior destaque para valores individualistas e narcisistas. Eles devem encontrar a si mesmos, compreender quem realmente são em profundidade e aprender as qualidades do iluminar, já que a sociedade ensinou-os a viver nas sombras.

Alguns males que nos trouxe o narcisismo da Era Solar:

– A valorização da imagem acima de tudo, um investimento excessivo nessa camada externa e superficial. O narcisismo empurra as pessoas a preocupar-se mais com isso do que com os seus próprios sentimentos e, agindo “sem sentimentos” tornamo-nos sedutores e manipuladores para obtermos poder e controle. Nos tornamos egocêntricos, voltados para os nossos próprios interesses e carentes de valores emocionais verdadeiros. Sem um sentido mais profundo de “si mesmo”, vivemos a vida de maneira vazia. Robôs autômatos e guiados pelos desmandos sociais.

– A humanidade dividida: homem x mulher, esquerda x direita, negro x branco, homossexual x heterossexual, indivíduo X comunidade. Como sociedade, podemos entender o narcisismo como uma perda de valores humanos, a ausência de interesse pelo meio ambiente, pela qualidade de vida, pelos semelhantes. Uma sociedade que sacrifica a natureza em nome do lucro e do poder e mostra total isenção de sensibilidade. Assim, o mundo material ocupa lugar superior à sabedoria, à experiência humana, o sucesso torna-se mais importante do que o respeito a si mesmo e à dignidade. Vivemos na superficialidade e, nesse movimento, vamos nos dividindo entre o que somos realmente e nosso sucesso pessoal e social. Dessa maneira, nossa frustração, ansiedade e sentimento de vazio só crescem.

– Temos que ser eficientes em tudo. Com uma vida cada vez mais vazia, nos distanciamos mais de nossa humanidade e o objetivo principal acaba sendo a eficiência. Temos que ser perfeitos em tudo. Mas ser humano incorre em erros, falhas, faltas. E caminhamos distantes da ternura, da compaixão, da verdadeira solidariedade. Desesperados, buscamos cada vez mais por um reconhecimento que nunca chega ou, quando chega, nunca é suficiente e queremos mais. E tudo isso unicamente a partir da imagem que refletimos exteriormente. E quanto mais forte e eficiente for a sua imagem, maior o reconhecimento. Quanto maior o seu status social, mais intenso o aplauso. E o que determina esse reconhecimento? O poder que você conquista, seja pela sua beleza, capacidade de não envelhecer, uma boa colocação, o cargo em uma empresa famosa. Ter sucesso, status e poder virou obrigação.

– Não bastasse tudo isso, temos mais um dever, o de sermos eternamente felizes e realizados. Esse é outro mal que a Era Solar nos trouxe, escondido em sua sombra: a felicidade como dever. E os laboratórios enriquecem cada vez mais exatamente por isso. Perdemos o fio, nos perdemos nas imagens adequadas para alcançarmos objetivos que, na maioria das vezes nem são nossos.

– Criamos uma máscara social, irreal, que se mistura à pessoal até que começamos a sufocar. E quando isso acontece, pode ser tarde demais para retirá-la.

A Era Solar foi construída sobre bases frágeis, pois há um grau enorme de irrealidade nela e em todos nós, que nos deixamos levar pelos seus enganos. As bases sociais narcisistas devem cair por terra e, junto com ela, toda a irrealidade individual, coletiva e social. A irrealidade é neurótica, mas também esbarra na psicose. Existe muito de loucura nesta sociedade que criamos e vivemos e nós mesmos não estamos dando conta dela. O vazio leva, necessariamente, à depressão, à ansiedade desenfreada, à obsessão, às manias e ao pânico. Uma sociedade doente é o lado obscuro desta Era Solar.

E agora é a  hora de o Universo colocar ordem na casa

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Imagem adaptada via uol

Devemos parar de olhar apenas para nosso próprio umbigo e mirar responsavelmente para o planeta onde vivemos. Vamos arregaçar as mangas e começar o grande trabalho de reestruturação de valores e princípios. Acabou a farra da adolescência solar, em que o narcisismo e o individualismo fizeram parte da vida de todos. Agora é hora de abraçarmos a maturidade ou, no mínimo, levar as coisas mais a sério para começar a amadurecer.

Precisamos refletir sobre o que nos levou a criar algo tão irreal em termos de sociedade e compreender as causas culturais e pessoais que nos levaram a isso. O que aconteceu conosco, para um distanciamento tão intenso de nossas emoções e sentimentos? Para um distanciamento tão severo de nós mesmos? Chegou o momento em que somos obrigados a olhar mais profundamente para essas insatisfações, essa incapacidade de doar-se verdadeiramente, para a dificuldade de construir relacionamentos mais profundos e significativos, para a dificuldade de ter e colocar limites.

Saturno é conservador, preza pelo cumprimento das leis, normas e regras. Um ciclo de 36 anos sob sua regência pode trazer, a princípio, valores antigos, como já estamos sentindo com o retorno de políticos conservadores ao poder. Creio que tudo o que for muito polar ao ciclo que passou não resiste muito tempo, pois será seriamente necessário ressignificar os valores antigos que estiveram inexistentes nas últimas décadas (e não ressuscitá-los, pois o processo evolutivo da humanidade caminha para a frente e porque não fariam mais sentido depois de tantas conquistas).

O símbolo de Saturno é uma caveira com uma foice nas mãos, o que significa que, assim que ele começa a derramar suas energias sobre nós, haverá uma tendência a ceifar tudo o que não serve mais para o nosso processo evolutivo. Em um segundo momento, nos adaptamos à sua força e exigência e começamos a buscar por alguma ordem dentro de nós mesmos. Os processos emocionais se tornam mais profundos e todos os que evitarem o contato consigo mesmos podem sofrer mais nessa transição.

Saturno é um planeta de karma, isso porque ele simboliza um processo psíquico mais profundo que brota com algum tipo de experiência, interior e/ou exterior. Saturno não simboliza apenas os limites, a dor, as exigências, a disciplina e os obstáculos mas, como processo psíquico, está atrelado à ampliação ou expansão da consciência de todos nós como indivíduos e como humanidade.

A partir da dor, a expansão e o crescimento acontecem. Nossa psique caminha em direção à unidade, ao verdadeiro ser. E tudo o que tem impedido essa expansão de consciência acontecer será eliminado, dentro e fora de nós. Saturno é o nó que precisamos desatar para dar o passo à frente, para compreendermos de maneira aprofundada quem somos, verdadeiramente. As experiências que costumamos chamar de negativas e que envolvem Saturno são absolutamente necessárias para o nosso crescimento e para que a humanidade, que somos nós, dê um passo adiante. Temos à nossa frente 36 anos, que devem ser vivenciados com a maior consciência possível, com responsabilidade por nossos pensamentos, palavras e ações e, dessa maneira, crescermos todos juntos, como humanidade.

A consciência é nosso melhor caminho. Mas não uma consciência superficial. É necessário o aprofundamento emocional para chegarmos no que existe de mais profundo em nós. Somente através da limpeza do que encobre nossa identidade poderemos viver a transformação necessária, que este próximo ciclo de Saturno exigirá de todos nós. É hora de arregaçarmos nossas mangas e trabalharmos duro na direção do crescimento e evolução de todos nós, com indivíduos e como humanidade.  É tempo de mais comprometimento, de construção de novas estruturas, de maior racionalidade e responsabilidade, maior consciência, mais paciência e, por fim, construção de uma nova Terra! Que todos possam abrir os braços para receber Saturno, que chega para colocar ordem em uma casa que nos foi dada mas com a qual fomos negligentes. Será a construção de uma novo lar, uma morada que possa nos acolher e sustentar, física e emocionalmente.

Leia também: Cri(s)e, para transformar

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Sobre Bruna Miranda

Bruna é empreendedora e jornalista, idealizadora da plataforma Review e da revista impressa Guia Slow Living, e está experimentando uma vida nômade pelo Brasil. É movida pelo que é atemporal ...

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