A falta de espaço virtual: hora das reflexões

Por Diorela Bruschi

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Há algumas semanas fiz um apelo público para que as pessoas me dessem dicas sobre como arrumar espaço virtual visto que meu celular e meu computador ficam lotados com muita facilidade. Depois que minha avó (hoje é aniversário dela! Feliz aniversário!!!) falou que eu deveria comprar outro computador, mais gente mandou sugestões via facebook ou nos comentários do site.

Fiz uma seleção aqui de algumas sugestões e também algumas reflexões sobre a questão com meus comentários.

Meu pai me mandou uma experiência da qual destaco o seguinte trecho: “Observei que o Mac permite que transfira arquivos de um HD externo para ele, mas não permite fazer a operação inversa, ou seja, não consigo transferir arquivos do Mac para o HD, só consigo fazer isso para pen-drives. Quando descobri isso, comprei um pen-drive de 128 GB de capacidade para complementar a capacidade de armazenamento do meu Mac deixando um certo percentual livre”.

O Caio Danyalgil fez a gentileza de mandar a seguinte opção que completaria a história contada pelo meu pai: “Curto fotografar e entendo bem esse problema é o time capsule da apple. Funciona como um HD externo fixo, só que é “smart”, entende? É feito pra funcionar em aparelhos apple; deve funcionar em outros, não sei – você chega em casa e ele via bluetooth transfere seus dados, funciona como um armazenamento nas nuvens. Pode-se acessar as informações naturalmente pelos dispositivos estando perto do aparelho, a diferença é que é algo físico e, por ser apple, tem toda a questão de segurança… funciona como repetidor de wi-fi também”.

Parece uma boa sugestão, Caio, mas aí entra mais um problema pessoal que é a minha desconfiança com nuvens. Meu pai também sugeriu comprar um armazenamento na nuvem e eu continuo com a pulga atrás da orelha. Talvez um sinal de que eu esteja envelhecendo…

Sobre este assunto, Alexandre Biciati deixou um comentário: “essa coisa de inseguranca digital é muito relativa, né? O que o google, a casa branca ou o vaticano podem querem saber sobre sua vida? Preferências e comportamento para oferecer anúncios qualificados? Mas isso não é melhor que receber um “enlarge your p” diário? Dropbox, google drive, icloud… tudo isso é melhor, mais seguro e eficiente que qualquer meio físico. Qual eu indicaria? Não sei. Não uso. PS: tive que deixar meu email para escrever esse comentário. Sabe o que isso significa, né?”

Mas a minha desconfiança não é do que irão usar das minhas imagens ou documentos (que claro, eu não gostaria), mas sim do tempo que aquilo será armazenado. Não acredito que ficará para sempre! Ou que será gratuito ou o mesmo preço para sempre.

A leitora Ana Sousa contou sua experiência: “Eu ainda sou neurótica e tenho três nuvens diferentes, depois que o hd externo fritou. Já usou Evernote? É interessante também. Boa sorte na empreitada!”.

Ana, já tentei usar o Evernote, não entendi muito bem e larguei. Mas isso tem muitos anos!

Então passamos a refletir sobre o que devemos guardar de verdade.

Começou com essa excelente reflexão da Renata Lopes: “às vezes me pergunto se todo esse espaço virtual é, realmente, necessário… estou tendendo a acreditar que não. Talvez essa “lotação virtual” seja um sinal da vida real, indicando que não dá para armazenar tudo em arquivos eletrônicos… ou que não precisamos disso, não é (tão) necessário. Sei lá… volta e meia me pego pensando nisso, quando algum dispositivo lota…”.

E depois minha mãe também deixou sua contribuição: “Acho que desde os tempos das cavernas somos acumuladores. Primeiro acumulávamos comida, porque era escassa. Nos tempos modernos, acumulamos roupas, sapatos, os artigos na pilha do “depois eu leio”, os livros que são interessantíssimos e que ficam esquecidos deitados na estante, em cima dos outros que estão de pé, porque não há mais espaço. Não vou ler isso nunca!! É uma conclusão dolorosa para o contumaz acumulador… Com a informática não seria diferente. Em qualquer área em que o ser humano se meter, vai acumular! Solução proposta – disciplina. Nem acho que seja tanto desapego. Disciplina para saber o que se pode ou não efetivamente fazer, guardar, planejar, almejar, estudar. Talvez um pouco de foco. Tudo me interessa…mas sou superficial em tudo. Guardo coisas por curiosidade e não por utilidade. Nunca mais eu vou olhar essa foto de novo! Antigamente, quando a foto era de papel e a revelação cara, a gente tirava um filme ou dois de 36 fotos por viagem. E trabalhava as fotos para que saíssem o melhor possível. A última viagem de 20 dias que fiz, tirei mais de 600 fotos. Não cabe na minha máquina, nem no meu computador, nem na minha vida. É a mania de acumular. Disciplina para selecionar as melhores e apagar as tantas similares que não fazem sentido. Foco – quero fotos de alguém ou só as que ficaram ótimas esteticamente… Acho que tivemos a impressão de que, no mundo virtual, não ocupando espaço físico, poderíamos levar nossa compulsão por acumular aos limites do humano. Não é assim. Com a leveza nos atos, nos fatos e nas fotos vamos nos sentir melhor. Com mais liberdade. Mas vai demandar esforços. Afinal, acumulamos desde tempos imemoriais”.

Mamãe e Renata, tenho pensado por este caminho também. Acho que temos capacidade de ter mais e guardar mais no mundo virtual, mas ainda assim temos que ter a noção de que é limitado e que temos que nos organizar mesmo assim. Gostei da palavra “disciplina” para isso. Outro dia, fiz uma matéria aqui, tirei mil fotos. Mandei duas. A matéria já saiu no jornal, mas ainda não apaguei nenhuma porque fico pensando que as fotos podem ser úteis para outro texto, outro trabalho. Mas talvez apenas uma. Não todas. Ou nenhuma. O “pode ser” indisciplinado nem sempre é um bom conselheiro. A verdade é que tenho que me educar mais para quando estiver num lugar bonito, num show, numa reunião de amigos, aproveitar mais o momento em vez de ficar tirando fotos, percebi de verdade que minha recordação tem tido um funcionamento muito mais amplo que meu celular.

Obrigada a todos pelas contribuições!

Postagem sobre os problemas de espaço virtual.

Um curta adorável preparado por um famoso youtuber francês sobre a vida sem tecnologia (em francês).

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Sobre Diorela Bruschi

Advogada, redatora e professora, vive entre o Brasil e a França e seus contrastes culturais. Autora dos blogs Direito é Legal e Saída à Francesa, aprecia a vida em comunidade ...

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