Três coisas que talvez eu não precise mais

Por Diorela Bruschi

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Estava aqui vivendo e pimba! Percebi! Tem umas coisas que eu achava que precisava, que o mundo me dizia que eu deveria ter, mas que talvez não seja bem assim. Talvez eu não precise tanto, ou quase nada, ou nada. Vamos ver!

1) Microondas

Meu primeiro microondas foi um acontecimento lá em casa. Ele era muito bonitinho e finalmente a gente poderia fazer as tão faladas « pipocas de microondas ». Admito que facilitou minha vida por um tempo, até eu descobrir que esquentar uma coisa na panela demorava mais ou menos o mesmo tempo e deixava a comida mais gostosa!

Fora que eu nem gosto de pipoca. Então passei a ver o microondas como o rei das comidinhas sem graça. Aqui na França dá para comprar um bom microondas por 30 euros. Isso porque o pessoal daqui é desconfiado que dá câncer, que explode. Eu ainda não me apronfundei nesses debates. Só acho que a comida fica meio triste lá dentro. Então, entrou pra minha lista de coisas que talvez eu não precise mais.

2) Televisão

Já trabalhei na televisão, cresci assistindo televisão. Já mudei programas para me ajustar ao horário que a televisão queria e um belo dia percebi que a televisão me fazia mais dormir que me divertir. Também percebi que estava tudo meio igual.

A graça de ter alguém falando ao vento pode ser perfeitamente substituída por podcasts e youtubes. Além disso, aquele jeitinho, aquela manipulaçãozinha que nem dissimulam mais me dá preguiça. Lamentei pelo fim do programa do Jô e um dia vou lamentar pelo fim do programa do Silvio também. Dois personagens queridos. Mas já que não tem mais episódios novos de Chaves, e o Roda Viva roda na internet, eu que não troco mais nenhum programa pra ficar na frente desta tela.

3) Namorado

Eu ia colocar na lista « cremes caros », mas achei melhor falar de namorado mesmo. Sei que não se trata de uma « coisa ». Cremes caros também não uso, simplesmente porque nunca funcionaram para nada além do que os óleos já fazem. Mas namorado… vamos entrar nesse assunto!
Outro dia li um tweet de alguém que falava que a propaganda mais bem sucedida do mundo não era a da Coca-Cola ou da Microsoft, era a do amor romântico. Essa coisa é uma utopia. Pelo menos pra mim. Que já tentei, ô, como tentei!
Ter namorado virou uma cobrança minha pra mim mesma e deixei também a sociedade me cobrar. Até que outro dia me vi superfeliz sem ter que dar satisfação pra ninguém, sem ter que ouvir lamúrias hipocondríacas, ou aguentar cenas de ciúmes e demonstrações de falsa-superioridade e estava tudo bem. Claro que namoros têm momentos ótimos e nem todo homem é igual (não, nem todo!)! Igualmente, devemos considerar que microondas fazem pipoca (pra quem gosta de pipoca) e televisão passa Silvio Santos (que todo mundo gosta, vai). Mas descobri que posso ser feliz sem esta entidade do namorado, sabe?!
Talvez tenha sido meu gato, minha maturidade, ou minha idade mesmo. Simplesmente essa ideia parou de me atrair ou de me criar uma necessidade.

Agora, assim como eu adquiriria sem problemas um microondas se me provassem que deixa a comida muito mais gostosa, também assumiria um namoro se ficasse provado que vale muito, muito, muito a pena.

Enquanto isso, estou descobrindo que posso, acho que posso, penso que posso, posso mesmo, ser muito feliz sem.

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Sobre Diorela Bruschi

Advogada, redatora e professora, vive entre o Brasil e a França e seus contrastes culturais. Autora dos blogs Direito é Legal e Saída à Francesa, aprecia a vida em comunidade ...

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