Black Friday: Substituindo compras em excesso por reflexões, doações e oportunidades

Por Bruna Miranda

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Chegou a época do ano de incentivo supremo ao consumo. Daqui até o Natal, propagandas e todo o ritmo frenético de compras. A Black Friday, mais um feriado que o país agregou dos Estados Unidos, dá início ao frenesi.

Já falei outras vezes aqui que não somos, de maneira alguma, contra o consumo. Precisamos dele para viver, para movimentar a economia, gostamos de comprar algo bacana, de trocar presentes e etc. Mas claro que somos a favor do equilíbrio em um consumo consciente, sem desperdícios e excessos, sempre, 365 dias por ano. Principalmente ao investirmos nosso poder de compra em empresas que merecem o nosso apoio por inúmeras razões que englobam cuidados em questões sociais, ambientais, culturais e mais.

Voltando à essa próxima sexta de “liquidações que chegam a 80%”, no Brasil o noticiário alerta para os golpes e fiscalizações que acontecerão para evitar que, como no ano anterior, lojistas aumentem o preço para depois abaixar e, na realidade, não oferecer um desconto real em seus produtos. O famoso “metade do dobro”. Algumas empresas utilizam a data como um impulso para vendas estendendo os preços baixos por toda a semana. Várias marcas têm nessa data o maior rendimento do ano. O filme The True Cost alerta para o excesso de consumo que o Black Friday impulsiona nesse trecho em que o assunto foi abordado no documentário. Eu mesma acho que a data, aproveitada com clareza, traz sim boas oportunidades para adquirir produtos que oferecem uma vida útil satisfatória e que custam mais caro, como móveis e produtos diversos para casa e roupas, acessórios e cosméticos de qualidade, por exemplo. No ano passado, estava mudando de apartamento nessa época e o fogão que eu e meu marido precisávamos veio de uma promoção dessas, mas com direito a um agoniante shopping lotado com loja abafada e fila de pagamento mostruosa. Foi o preço que pagamos pelo desconto no produto…

Update 2016:

Sigo aqui com duas ações inovadoras que estão acontecendo nesse ano e que são bons exemplos de como aproveitar a data com mais benefícios. Mais para baixo, você confere as de 2015.

Imagem Reprodução

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A Patagonia, que também está citada logo mais no texto e é das empresas mais inovadoras nesse incentivo ao consumo consciente, doará esse ano 100% do lucro de suas vendas para campanhas que trabalham para proteger nosso ar, água e solo para as gerações futuras. E, fora da Black Friday, 1% de suas vendas diárias recebem o mesmo destino. Com isso, já concedeu mais de 74 milhões de dólares para grupos ambientais, nacionais e internacionais.

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Foto Reprodução

E a United by Blue, com o objetivo de levar a reflexão aos consumidores nessa data, volta sua atenção para a limpeza do espaço, principalmente os verdes, ao redor. A marca sugere que, ao invés de levantarem cedo e formarem filas para comprar, seus clientes se reúnam em praias, parques ou rios e lagos locais e encham ao menos um saco com o lixo indevido. Com o nome de “Blue Friday”, abriu suas portas hoje mais tarde para dar aos clientes a chance de limpar pela manhã. Também ofereceu kits de limpeza, gratuitos, que incluem um par de luvas, dois sacos de lixo (um para o lixo, outro para a reciclagem) e um guia de limpeza rápida. Uma vez coletado um saco cheio do lixo do local escolhido, a sugestão é que seja compartilhada uma foto da pessoa e da área embelezada nas redes sociais, com a hashtag #bluemovement. E, para celebrar os cenários mais limpos e bonitos, a United by Blue enviará aos participantes um presente da loja, como agradecimento pela ajuda à natureza e à comunidade.

Esse plano de limpeza promove a missão da marca, que é remover meio quilo de lixo dos oceanos do mundo para cada produto que vendem. “Levante-se e limpe! Você pode deixar para ir às compras mais tarde”.

Fonte: Ecouterre

2015:

Na contramão do incentivo ao consumo, a marca Patagônia, em 2012, publicou um anúncio de página inteira no The New York Times com o título “Não compre esta jaqueta” e explicando: “Não compre o que não precisa. Pense duas vezes antes de comprar qualquer coisa”.

Nesse ano, também existem marcas apostando em abordagens diferentes para a data. A também americana Everlane, conhecida por suas lindas roupas atemporais, minimalistas e de qualidade, além da transparência em sua produção e comunicação, vai funcionar nessa sexta normalmente, nada de descontos. Vão manter os mesmos valores que consideram justos e todos os lucros do dia irão diretamente para ajudar os trabalhadores de suas fábricas e fornecedores, que ficam na América, Europa e China. O fundador e CEO Michael Preysman explica: “Essa é uma oportunidade para ajudar as pessoas. Ao invés de apenas comprar, vamos refletir que há outras pessoas no mundo que podem se beneficiar da nossa ajuda. Essa é a nossa maneira de encontrar o equilíbrio nesses dois lados”.

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Eles já tinham testado ano passado a opção de fechar o site no dia da Black Friday, alegando que “a data não é transparente, os varejistas brincam uns com os outros”. Estratégia escolhida agora pela marca REI, de equipamentos de entretenimento, também dos EUA, que está incentivando seus clientes a aproveitar o dia fora de casa ao invés de fazer compras. A Everlane conta que o fechamento não teve o efeito pretendido porque as pessoas simplesmente foram comprar em outro lugar, não ajudando em nada na diminuição do ritmo. E os clientes pediram para que mantivessem a loja aberta. “Então, ao invés de promoções, o que fazemos agora é doar nossos lucros. É uma maneira de estarmos abertos e disponíveis para as pessoas enquanto reforçamos os valores que defendemos”, complementa Michael.

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A empresa espera arrecadar cem mil dólares através do Fundo Black Friday para criar um novo programa de bem estar para os trabalhadores da fábrica, oferecendo cuidados de saúde no local, alimentos e aulas de inglês. No lugar de almoços gratuitos e reconhecendo que os funcionários geralmente tendem a levar seu almoço de casa, eles oferecem gratuitamente mantimentos. Ano passado, voltaram o dinheiro da data para uma fábrica fornecedora de seda e compraram painéis solares para os apartamentos dos trabalhadores. “Todos os anos, queremos oferecer uma iniciativa diferente e ver como podemos superar nossos próprios limites”, finaliza o CEO.

Ahimsa Black Friday Social Review Slow Lifestyle

Ahimsa – Black Friday Social

Update: Nossa colaboradora em jornalismo Ana Carolina Rodarte e a Fernanda Cannalonga (que já falamos aqui), nos deram a dica valiosa da marca brasileira de sapatos veganos, a Ahimsa, que também está com uma campanha diferenciada nessa Black Friday: se o cliente optar optar por 10% a menos de desconto, eles completam o restante e presenteiam uma criança do Recanto Esperança e da Instituição Espírita Estrada de Damasco, ambas paulistas, com um par de tênis, que serão entregues no dia 19 de dezembro na festa de final de ano das entidades.

Que a sua Black Friday seja preenchida com boas e conscientes escolhas, sejam elas de compras ou ainda de memoráveis experiências!

Fonte sobre a Everlane: Co.EXIST

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Sobre Bruna Miranda

Bruna é empreendedora e jornalista, idealizadora da plataforma Review e da revista impressa Guia Slow Living, e está experimentando uma vida nômade pelo Brasil. É movida pelo que é atemporal ...

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