O amanhã

Por Diorela Bruschi

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Update: Esse texto foi escrito pela Diorela em 07 de janeiro de 2016. E hoje o trazemos de volta para dizer que o filme está, com legendas em português, disponível no Netflix.

Mês passado, ainda em 2015, foi a estreia do filme « Demain » na França. Com um nome que significa « Amanhã », o filme se perguntava sobre o que vamos deixar para as novas gerações. E já começava falando das tragédias anunciadas que todos já conhecemos. Mas a questão não parou por aí.

Se pudermos nos orgulhar de algo da nossa geração Y, podemos dizer que foi a primeira geração a repensar os valores da forma de produção que temos. Não nos damos mais por satisfeitos com os velhos moldes construídos pelos nossos pais, avós, bisavós. Um aumento de salário não é mais o suficiente para te segurar num emprego em que você sinta que está se matando e matando o planeta um pouquinho mais todos os dias. É preciso ver propósito nas coisas, sentir que estamos contribuindo para… desculpa o clichê, para um mundo melhor mesmo.

O filme, criado por Mélanie Laurent e Cyril Dion, reflete bem isso. Jovens pais, que produzem um documentário sobre a busca de soluções para os problemas mais visíveis na sociedade atual: Alimentação, Energia, Economia, Democracia e Educação, passando por questões como transporte, saúde, reciclagem de lixo e relações humanas.

Dion, que por sete anos se ocupou de uma ONG (Colibri) de ecologistas, diz ter se dado conta de que as pessoas não aguentavam mais que fosse dito a elas que tudo estava indo mal. Isso já era sabido. Era preciso indicar caminhos, soluções. E Demain surgiu desta vontade de mostrar o que, em várias partes do mundo, as pessoas já estavam fazendo de diferente e com bons resultados.

E conseguiram, de forma não exaustiva, mostrar que há esperança, se a gente quiser trabalhar muito e se admitirmos para nós mesmos que precisamos conhecer também outras ideias, possivelmente melhores, mais eficazes e mais sustentáveis do que as nossas velhas conhecidas.

O filme começa então a partir das soluções para a Agricultura. Tem como primeiro exemplo o caso de Detroit, cidade americana que, depois de destruída e sem ter acesso aos alimentos de grandes redes de supermercado, passa a inovar com as hortas urbanas, que hoje produzem alimento suficiente para alimentar quase toda a cidade.

Depois percorre outras regiões, com soluções igualmente sustentáveis e ricas. Então enfrenta as outras questões dos dramas humanos. Encontraram ideias para a recuperar a participação democrática em pequenas iniciativas na Índia e na nova constituinte da Islândia. Visitaram as escolas consideradas perfeitas na Escandinávia, conheceram as novas moedas criadas pelas ongs britânicas para motivar a economia local. E fizeram nossos olhos brilharem.

Num emaranhado de entrevistas, imagens, ótima música e dados, o filme mostra, informa, educa. Ensina que com criatividade, conhecimento, muito trabalho e dedicação, as pessoas conseguem transformações e resultados surpreendentes. « É possível », a gente se diz.

Na subida dos créditos, todos os espectadores aplaudiam. Naquele início de dezembro, a gente acreditava que tinha jeito sim de fazer… aí vai de novo… um mundo melhor!

Já estamos em 2016. Não sabemos se esse filme chegará às telas brasileiras (embora eu tenha bem tentado oferecer minha contribuição para isso acontecer), mas podemos conhecer as soluções possíveis de outras formas: buscando pelas associações que se ocupam disso, buscando nós mesmos, procurando portais com propostas como essa do Review e pessoas como você, que querem contribuir para a transformação.

Aos poucos, irei colocando minhas pesquisas inspiradas neste filme que me fez tão bem e transformando em textos para divulgar, e em ações para ajudar. É o que temos a fazer, como dever de casa, se quisermos um melhor futuro para todos nós. Aquele amanhã que precisamos, é possível!

Página Demain le film

Página do filme no facebook

Um pouquinho mais sobre hortas urbanas

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Sobre Diorela Bruschi

Advogada, redatora e professora, vive entre o Brasil e a França e seus contrastes culturais. Autora dos blogs Direito é Legal e Saída à Francesa, aprecia a vida em comunidade ...

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