Adianta alguma coisa ser do contra?

Por Diorela Bruschi

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A Uber, empresa que dispensa apresentações, foi uma das que mais cresceu nos últimos anos. Sentindo-se ameaçados, muitos taxistas partiram para o confronto, diversas vezes fisicamente, com aqueles que representavam a ideia do serviço de transporte particular. Funcionou? Os taxistas ganharam mais espaço? A Uber perdeu espaço? Nem preciso responder que não, embora articulações políticas tenham se manifestado em todos os sentidos.

Esta semana a França viveu novamente uma experiência delicada com relação a culturas diferentes. Ao impedir uma senhora de se banhar no mar usando burkini (uma vestimenta de banho especial para muçulmanos), acabou atraindo atenções sobre a sua tão falada intolerância religiosa e a dificuldade de integração dos povos diversos no país. Uma questão a ser pensada. É possível ver razão em diversos lados do discurso. Mas adianta alguma coisa ser contra? Adianta forçar a pessoa a tirar a roupa na praia?

A fala daquele que é contra não representa uma proposta, apenas uma negação. Uma das técnicas que aprendi quando fui professora de crianças e adolescentes é a de, quando um aluno estiver agindo muito mal, procurar aquele outro que está colaborando e exaltá-lo. Nesse caso, não nos ocupamos em reprimir o mal aluno, mas em apontar e enobrecer o que existe de melhor. E geralmente funciona, porque o outro aluno, geralmente, só quer chamar atenção. Outra técnica é perguntar para o aluno bagunceiro o que ele pode fazer para ajudar o professor a continuar o seu trabalho. Se ele responde que nada, é ele o contra, não o professor. E assim, acaba o jogo de vitimização. Amo essas sutilezas! E isso pode ser aplicado em qualquer cenário, desde relações diplomáticas até para a educação de cachorros!

Entende o que quero dizer?

Os taxistas que se ocupam em oferecer um serviço mais adequado ao que a população precisa nesses tempos (atendimento simpático, troco certo, pontualidade, caminhos certeiros) têm muito mais chances de conseguir uma clientela do que os que partiram para a violência e ameaças contra os supostos concorrentes.

No outro exemplo, se me permite dar palpite, entendo que, se a França se preocupasse menos com as roupas de banho das muçulmanas e mais em incentivar grupos que se misturam (como um restaurante em Israel que dá 50% de desconto para árabes e muçulmanos que comem juntos), a chances de refletir mensagens de paz para o mundo seriam muito maiores. E os duelos entre as ideias divergentes poderiam, aos poucos, se tornar mais leves.

Refaço a pergunta: Adianta alguma coisa ser simplesmente contra?

LINKS:

Escola em que trabalhei.

Restaurante legal em Israel.

Foto: Reprodução, via Pinterest

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Sobre Diorela Bruschi

Advogada, redatora e professora, vive entre o Brasil e a França e seus contrastes culturais. Autora dos blogs Direito é Legal e Saída à Francesa, aprecia a vida em comunidade ...

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