Qual a velocidade do seu slow?

Por Diorela Bruschi

Publicado em , | Tags : , , , ,

O mundo parou para ver Gisele Bundchen atravessar a maior passarela de sua vida ao som de Garota de Ipanema. Ela, que não é mais tão garota, e nem de Ipanema, representou o Brasil em todo o seu esplendor, com suas curvas que se embaraçavam aos traços de  Niemeyer. Gisele, que veio do sul, usava um vestido brilhante, reluzia glamour e passos certeiros. Naquela sexta-feira, ela foi a cara do Brasil.

Na segunda-feira seguinte, a cara do Brasil já era outra. Rafaela Silva, de cabelo amarrado, kimono azul e muita concentração, vivia um momento decisivo da sua carreira de judoca. Depois de uma amarga desclassificação nos jogos de Londres, Rafaela, que veio do Rio de Janeiro, subia no pódio para receber, em sua própria cidade, algo que brilhava tanto ou mais que o vestido de Gisele: uma medalha de ouro.

Ao mesmo tempo, centenas de outros lutadores (esportistas ou não) miravam as duas histórias de sucesso dessas duas mulheres, cada uma em sua história, e tentavam tirar para si a inspiração para seguir sua batalha.

Falar em desaceleração enquanto nas olimpíadas as pessoas mudam suas vidas por milésimos de segundos de diferença pode soar anacrônico, mas é exatamente aí que está o foco. Veja só! De Gisele à Rafaela, passando por Guga e Vanderlei Cordeiro de Lima, todos podemos ver histórias de pessoas que precisaram traçar prioridades para sua vidas e concentrar energias e esforços em coisas que, muitas vezes, grande parte da sociedade não estava de acordo. São pessoas que souberam desacelerar o que fazia mal para potencializar o que lhes dava forças.

Souberam lidar com críticas, com derrotas, com traições, com falhas próprias e alheias. Souberam acelerar o que lhes impulsionava. Uniram a disciplina ao entusiasmo e hoje são vencedores. Hoje revelam para o Brasil toda a beleza que existe neste país que precisa se agarrar a tantas esperanças para continuar de pé, enquanto tantos parecem querer vê-lo tombar.

Esses jogos ainda vão nos ensinar muita coisa! Já somos fortes o suficiente para desacelerar a maldade que nos coloca para baixo. E vamos continuar caminhando na velocidade que escolhemos, levando os sonhos adiante. Olha que coisa mais linda! Mais cheia de graça!

Compartilhe esta história

Sobre Diorela Bruschi

Advogada, redatora e professora, vive entre o Brasil e a França e seus contrastes culturais. Autora dos blogs Direito é Legal e Saída à Francesa, aprecia a vida em comunidade ...

Publicações Relacionadas