O Slow Living nas (grandes) cidades

Por Bruna Miranda

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Pesquisando para o meu livro sobre as diversas abordagens onde o Slow incentiva seus benefícios, conhecer uma delas mais a fundo me rendeu esse texto por acreditar ser dos mais próximos e consistentes para o nosso dia a dia em comunidade. Mais do que apenas um conceito para inspirar mudanças na qualidade de vida diária, as Slow Cities (“Cidades Lentas”) vêm se fortalecendo por todo o mundo e atraindo o interesse até das metrópoles globais, com relação às ações e buscas até então associadas a espaços menores.

Esse movimento possui uma organização própria, a Cittaslow, fundada em 1999, também na Itália – assim como seu precursor Slow Food – por Paolo Saturnini, na ocasião prefeito da charmosa Greve in Chianti, pequeno município de 15 mil habitantes conhecido por seus excelentes vinhos e localizado na Toscana, entre Florença e Siena. Dentre suas aspirações, frear a uniformidade da globalização e preservar os tesouros únicos da região. O objetivo principal da Cittaslow foi, e ainda é, ampliar a filosofia do Slow Food para as comunidades locais e ao governo das cidades, aplicando os conceitos de ecogastronomia na prática da vida cotidiana e sem negar a influência da modernidade, mas sim aliando o melhor dos dois mundos, o moderno e o tradicional.

Valores Cittaslow | Via cittaslow.org.au

Valores Cittaslow | Via cittaslow.org.au

Paolo foi inspirado também pelas interações vivenciadas em tradicionais praças italianas, ao confirmar o valor que existe quando as pessoas se reúnem, conversam, relaxam e se relacionam com o espaço onde estão. A ideia de considerar a cidade em si e pensar o desenvolvimento de uma forma diferente o levou a espalhar seus pensamentos e, rapidamente, seus ideais foram aprovados pelos prefeitos das cidades de Bra, Orvieto e Positano e, mais tarde, receberam o apoio do fundador do Slow Food, Carlo Petrini.

Paolo Saturnini foi também presidente da Associazzione Cittá Del Vino, que reúne as cidades italianas produtoras de vinhos. É autor de livros sobre o uso do vinho na culinária, sobre o açafrão, e também escreveu o “L’armonia Del Chianti – Riflessioni su una terra in bilico” (em tradução livre, “A harmonia de Chianti – Reflexões sobre uma terra em equilíbrio”)

Paolo Saturnini foi também presidente da associação que reúne as cidades italianas produtoras de vinhos, é autor de livros sobre o uso do vinho na culinária e sobre o açafrão, e também escreveu “A harmonia de Chianti – Reflexões sobre uma terra em equilíbrio”). Foto: In Vino Viajas

“A Cittaslow, a mais revolucionária proposta de desenvolvimento urbano sustentável da atualidade, busca, desde então, desacelerar a vida nas cidades e melhorar a qualidade de vida das pessoas a partir de propostas de valorização do território, do meio ambiente e, especialmente, da alimentação local, o respeito cultural e o uso de novas tecnologias, usando como ‘arma’ o protagonismo comunitário. Os inimigos são o estresse, a pressão de valores não naturais, a perda de referências e a pressa, que geram má qualidade de vida. Em pequenas comunidades como Greve in Chianti, as pessoas estão vinculadas ao território: elas nascem, crescem, moram e trabalham em fazendas, casas, ruas e bairros. Conhecem cada árvore, cada casa. Vivem no território do município, um espaço que deve ser seu e que deve ser fonte de harmonia e prosperidade. E este ambiente deve ser respeitado e valorizado, e não envenenado como é a tendência no que se refere ao meio ambiente. Queremos valorizar o território e não apenas ocupá-lo. Para ser reconhecida como uma Cidade Slow, é necessário que tenha menos de 50 mil habitantes para evitar que cometa os mesmos erros das cidades que crescem sem controle. ‘Cidades pequenas devem preservar; cidades grandes precisam revolucionar – e não sabem como’. O Brasil tem mais de 5 mil municípios com menos de 50 mil habitantes e pode criar centenas de Cidades Slow, salvando do caos urbano mais de 65 milhões de brasileiros”, explica o jornalista Rogerio Ruschel em trechos da entrevista que fez com Paolo em 2012, em uma viagem à Itália, para seu blog In Vino Viajas.

Sokndal, Noruega - Escandinavia | Cidades Slow | Review Slow Living | Foto In Vino Viajas

A bandeira do Cittaslow em Sokndal, Noruega. Foto: In Vino Viajas

As cidades slow aderem a 55 princípios ligados à política ambiental, sustentabilidade urbana, infra-estrutura, incentivo a produtos locais, hospitalidade e senso de comunidade; além de conservar seu patrimônio histórico e tornarem-se mais agradáveis para se viver, como fechar o centro da cidade ao trânsito um dia por semana e aumentar as áreas para pedestres; adotar políticas para diminuir o ruído, controlar o tráfego, defender seus produtos locais e conservar as características do espaço. Outros exemplos, ainda em resposta do fundador da organização à Rogerio Ruschel: “A política de planejamento deve servir para melhorar o território e não apenas para ocupá-lo; as cidades devem implementar uma política ambiental baseada na promoção da recuperação e reciclagem de resíduos, quando não for possível evitá-los; devem usar os avanços tecnológicos para melhorar a qualidade ambiental e de áreas urbanas; devem promover a produção e utilização de produtos alimentícios obtidos de maneira natural e ambientalmente respeitosos, excluindo os produtos transgênicos; devem entender que o fortalecimento da produção local deve estar ligado ao território, onde agricultores e moradores tradicionais devem preservar suas mais antigas tradições; devem implementar, quando necessário, políticas e serviços públicos de defesa de grupos geralmente excluídos e promover a hospitalidade respeitosa e a convivência harmoniosa entre moradores e turistas, sem exploração, mas com valorização”.

Municípios que se juntam ao Cittaslow são motivados por um resgate onde o homem ainda é o protagonista de uma lenta e saudável sucessão das estações, ao respeito pela saúde dos cidadãos, a autenticidade dos produtos e a boa comida, a riqueza das fascinantes tradições do artesanato e das valiosas obras de arte; praças, teatros, lojas, cafés, restaurantes, locais de espírito e paisagens intocadas, caracterizadas pela espontaneidade dos ritos religiosos e o respeito às tradições, através da alegria de uma vida desacelerada e tranquila. – cittaslow.org

Foto Telegraph

Por cidades com, dentre outros, menos trânsito, menos barulho e menos multidões – Foto: Telegraph

As cidades slow estão por toda parte, sendo várias dezenas delas só na Itália. Atualmente, existem 213 certificadas pelo Cittaslow em 30 países. A cidade italiana de Orvieto, no Piemonte, com 27 mil habitantes, tornou-se a sede do movimento. E a tradicional cidade de Jenjou, na Coreia do Sul, foi uma das últimas reautorizadas a manter o posto de slow city, em reconhecimento aos seus esforços para preservar tradições e a natureza. Confira a lista completa das cidades slow em todo o mundo.

Os princípios da cidade slow salientam a importância de coisas como comer comida da região e da estação, comprar em empresas locais e preservar o patrimônio cultural e o artesanato de pequena escala. O valor de uma vida onde o trabalho não é necessariamente priorizado acima de tudo e a importância de se criar e manter ambientes naturais, para que os moradores possam vivenciar o ritmo das estações. Ao longo dos anos, o Cittaslow tem procurado provar que cada cidade tem uma personalidade única que pode ser preservada e uma comunidade local que pode ser reforçada.

Praça Floriano Peixoto, BH | Foto Consciência e Consumo

Praça Floriano Peixoto, BH | Foto: Consciência e Consumo

Mas, e para quem não tem o privilégio – ou mesmo a vontade – de morar em uma cidade pequena? Pier Giorgio Oliveti, diretor da organização, disse ao site Positive News que, dos últimos anos pra cá, tem notado um enorme interesse vindo também das grandes metrópoles. De acordo com ele, a infra-estrutura tecnológica disponível em cidades maiores (e geralmente, desenvolvidas), como o transporte público mais amplo, é uma benção para aqueles que querem simplificar. E um dos principais valores da Cittaslow está em utilizar as inovações tecnológicas de hoje para recriar, de maneira adaptada à atualidade, um estilo de vida mais lento como o que tínhamos no passado. “Não existe uma cidade slow que não seja também uma cidade inteligente”, disse Oliveti. “Infra-estrutura e tecnologia são essenciais”.

E nessa semana, de 23 a 26 de junho, acontece a Assembléia Internacional da Organização Cittaslow International, em Vizela, Portugal. “Mais do que um encontro internacional de grande importância, a relevância deste evento reside no fato de ser uma ‘família mundial’ de cidades de pequena dimensão que procuram, no seio das transversalidades das suas diferentes culturas, modelos de salvaguarda e reconhecimento dos valores intrínsecos e fundamentais dos seus territórios, reconhecendo a importância das suas formas de vida e defendendo-as como elementos representativos e de identidade de cada região e de cada país. Essa tomada de consciência denota uma vontade das cidades de se encontrarem e se reconhecerem nas suas diferenças, já que são estas mesmas diferenças que definem a espinha dorsal da sua originalidade. Será sempre na afirmação maior destes valores (história, arquitetura, natureza, etnografia, educação, gastronomia) que cada lugar, cada cidade, cada região poderá afirmar cabalmente as características da sua humanização e, desta forma, a sua atratividade”.

Ser uma ‘Slow City’ constitui um selo de qualidade e uma marca que funcionam tanto como uma distinção como também como um compromisso e um ponto de referência para habitantes, turistas e investidores que esperam da cidade credibilidade no que diz respeito à sustentabilidade, para as pessoas e para a natureza. Nessas cidades, buscam-se comunidades com identidade própria, identidade esta que seja reconhecida por quem chega e profundamente sentida por quem dela faz parte. Cultiva-se aqui o sentido de ligação entre os produtos e os consumidores, entre pessoas e meio ambiente protegido, entre residentes e visitantes, que devem sentir-se residentes durante a estadia. – Slow Movement Portugal

Grandes Cidades Slow

Segundo a  ONU, Organização das Nações Unidas, em 2007 mais da metade da população mundial passou a viver em espaços urbanos e é estimado que, em 2050, mais de 70% viverá em cidades. O Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, explicou que “a maior parte do crescimento urbano do mundo ocorre em países em desenvolvimento, onde muitos centros urbanos já têm infra-estrutura inadequada e autoridades estão à procura de soluções para responder adequadamente às demandas da rápida expansão das populações urbanas. O que nos leva a pensar que, de fato, as grandes cidades, principalmente as de países em desenvolvimento, seriam os últimos lugares a evocar ideias sobre o slow living. Mas, com essa previsão do crescimento inevitável da população em áreas urbanas, há prefeituras tentando tornar suas comunidades mais agradáveis para se viver e menos destrutivas para o meio ambiente, além, claro, das pessoas em si e de grupos em geral, sejam eles de porte micro a macro, fazendo a sua parte para melhorias.

Um exemplo de grande cidade inspirada pelos conceitos do slow living vem do país onde mais pensamos em aglomerações, a China. A cidade industrial de Wenzhou tem uma população de dois milhões de habitantes e é atualmente conhecida por seu rápido desenvolvimento como um centro econômico, mas alguns moradores esperam que ela possa um dia ser conhecida como uma cidade slow. No ano passado, uma delegação de habitantes de lá visitou os arredores da Toscana, origem do Cittaslow. Preocupados com os efeitos colaterais de uma vida hiper acelerada, queriam aprender mais sobre como o slow living poderia preservar o patrimônio cultural da China. Visitaram os mercados locais e os estúdios de artesãos, incluindo alguns onde a arte italiana dos sapatos feitos a mão ainda é praticada. Os artesãos que encontraram pelo caminho enfatizaram o papel que a Cittaslow tem desempenhado na preservação do valor do artesanal, que é possível graças ao tempo investido e, nesse caso, uma forte economia local também colabora.

No vídeo abaixo, uma empresa tailandesa se inspira no slow living urbano para a produção de um vídeo promocional.

 

Foto diadovinho.com.br

Foto: Dia do Vinho

No Brasil, o site Serra Gaúcha destaca que Antônio Prado, no Rio Grande do Sul – designada a cidade mais italiana do Brasil com 92% de seus 13 mil habitantes descendentes de italianos – é o município que representa o país como sendo uma cidade slow, com sua filosofia de “cidade do bem viver”, sendo a primeira a receber essa certificação na América Latina em 19 de novembro de 2001, acompanhada posteriormente por Tiradentes, em Minas Gerais. O site Rede Brasil Atual reforçou, em matéria atualizada em 2010: “A geógrafa Ciane Fochesatto, de 25 anos, funcionária pública em Antônio Prado, encaminhou a candidatura da cidade, que recebeu o selo slow city em 2001. ‘Temos um dos maiores patrimônios históricos do Brasil, com 48 edifícios tombados. Adaptamos todo o cotidiano à preservação dessa história e do meio ambiente urbano’, diz. Segundo ela, a população resistiu à idéia num primeiro momento mas, aos poucos, compreenderam a ideia e a adesão foi praticamente unânime. A prefeitura lançou uma cartilha de educação patrimonial, desenvolveu coleta seletiva intensa, dedicou grande cuidado ao saneamento e implantou a educação ambiental nas escolas”.

Já de acordo com o site Gastronomia Sustentável, a cidade de Antônio Prado, oficialmente, não pode ser assim anunciada por questões burocráticas e financeiras que não permitiram que, de forma concreta, o selo oficial da Cittaslow chegasse à serra gaúcha. Mas, ainda de acordo com eles, em Antônio Prado o conceito slow ganha exemplos em cada esquina, com a preservação das antigas casas de madeira e alvenaria construídas no final do século XIX e início do século XX pelos imigrantes italianos e tombadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) – como foi possível admirar no filme “O Quatrilho”; na tradição da sesta de duas horas após o almoço, quando o comércio fecha por completo, e nos encontros dos domingos sempre em volta da “Nona”, a avó. É forte também a preocupação dos moradores e, em especial, dos donos de restaurantes, em manter vivo o prazer de saborear pratos preparados tradicionalmente e à base de produtos naturais.

Continuamos na torcida para que, em breve, o Brasil possa contar com uma típica cidade slow ou, melhor ainda, que seja sempre inspirado por seus ideais para melhorias coletivas.

Interessante também conferir como algumas grandes cidades pelo mundo têm manifestado os princípios da cidade slow, em levantamento realizado pela Yes! Magazine em 2015. E que cada exemplo seja replicado, da melhor maneira possível, em crescentes benefícios para todas as comunidades.

Foto wilderutopia

Foto: Wilderutopia

Onde: Barcelona
População: 1,6 milhões
O quê: Agricultura Urbana
Princípio Slow: Cidade Inteligente/Santuários verdes urbanos

O prefeito de Barcelona e o arquiteto-chefe da cidade têm trabalhado há anos com o Cittaslow, liderando o novo projeto da organização, “Metrópole Cittaslow”, motivados em trazer os princípios do slow living para as grandes cidades, que incluem, em sua longa lista, Busan, na Coreia do Sul, São Francisco, Roma e Milão. O prefeito de Barcelona anunciou um ambicioso objetivo na 13ª Bienal de Arquitetura de Veneza – ocorrida entre agosto e novembro de 2012 – dizendo que ele quer que Barcelona seja uma cidade de bairros produtivos em um ritmo humano, tornando-se um espaço hiperconectado com um nível zero em emissões. Inspirados por uma palestra ministrada por Oliveti – o já citado diretor da Cittaslow – sobre os princípios do slow living, os alunos do Instituto de Arquitetura Avançada da Catalunha (IAAC) foram desafiados a imaginar cada bairro em Barcelona como uma própria cidade slow, com cada peça se conectando como uma gigante cidade inteligente. Uma idéia que surgiu a partir daí foi transformar espaços urbanos geralmente sub-utilizados, como as pontes para pedestres, em locais de agricultura urbana que se duplicam ainda como santuários verdes para as pessoas. Mais vegetação significa um ar mais limpo e comida fresca e se alinha com o princípio slow de manter a natureza ao alcance.

Sloth Club Tokyo | Review Slow Living | Foto Reprodução

Foto: Reprodução

Onde: Tokyo
População: 13,5 milhões
O quê: Blackout Voluntário
Princípio Slow: Minimizar o impacto ambiental

Tóquio, uma das maiores cidades do mundo, tem a sua própria organização de slow living chamada Sloth Club. Fundada há mais de 15 anos, a missão do clube inclui “minimizar o impacto destrutivo e encontrar a alegria em nossas vidas sem consumir uma cadeia interminável de coisas sem sentido”. Em admiração ao bicho-preguiça, que dá nome ao clube, eles também trabalham para proteger florestas no Equador, um habitat natural do animal, através do apoio a produtos de comércio justo da região. Os membros do clube também seguem princípios como a preferência por alimentação local e com frutos da estação, o apoio a empresas locais, o upcycling (reutilizar e transformar positivamente algo que seria descartado) e caminhar ou usar o transporte público. Uma das principais iniciativas do clube é uma campanha nacional que pede a moradores de Tóquio para desligarem as luzes elétricas durante duas horas à noite, durante os solstícios de verão e inverno, para promover uma valorização da luz natural e o uso mínimo de energia elétrica.

Foto gvftma.com

Foto: gvftma.com

Onde: Providence e Columbia – Estados Unidos
População: 178 mil e 115 mil
O quê: “Walking School Bus”
Princípio Slow: Organização comunitária

O “ônibus escolar andante” está ganhando popularidade em algumas cidades americanas, como Providence, em Rhode Island, e Columbia, no Missouri, onde milhares de crianças caminham para a escola, em grandes grupos, guiadas por adultos voluntários. A iniciativa beneficia a saúde de todos e cria fortes laços comunitários.

Foto CDN Home Designing

Foto: CDN Home Designing

Onde: Denver e Nova York
População: 650 mil e 8,5 milhões
O que: Micro-apartamentos
Princípio Slow: Diminuir espaços

Denver e NY deram um passo inicial para novos complexos de micro-apartamentos. Para as pessoas que buscam desacelerar sua rotina com a praticidade e preços acessíveis, a localização central facilita caminhar ou ir de bicicleta para o trabalho e outras atividades do dia a dia. Moradores desses espaços, que têm em média 30m², poupam dinheiro, podem gastar menos tempo trabalhando e minimizam seu impacto sobre o meio ambiente.

 

 

Foto do topo: Mirante Mangabeiras, em Belo Horizonte, via Meliuz.

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Sobre Bruna Miranda

Jornalista e escritora, se inspira na busca por um viver mais consciente e significativo e é idealizadora do Review e da revista Guia Slow Living. Percebe o slow como ...

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