O desacelerar, para o agora e o amanhã

Por Bruna Miranda

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Hoje acontece o lançamento, em toda a França, do documentário Tout s’accélère (algo como “Tudo está se acelerando”), que interroga a nossa relação com o tempo e com a constante busca por mais crescimento. A que imperativo obedece toda essa aceleração?

Achei genial a abordagem desse tema acontecer com crianças, em reflexões com um professor. O que elas já têm a nos dizer sobre um mundo que caminha cada vez mais rápido? Suas respostas, de tão positivas, viraram esse filme, que traz também a participação de alguns especialistas. Se é comum dizer que as novas gerações serão (são!) as mais impactadas por nossa busca insana por crescimento e consumo – ismo, então ouvir delas mesmas, que não conhecem um mundo desconectado e mais tranquilo, deve ser uma experiência interessante.

Fica a boa sensação de perceber que esse tema vem sendo retratado de maneiras mais amplas e profundas. E a reflexão sobre o paradoxo do tempo: se a tecnologia veio também para nos facilitar a vida e encurtar/agilizar atividades, onde foi parar esse tempo “de sobra”? “Estou correndo, com a semana muito apertada, agenda cheia, não tenho tempo para nada” continua saindo de cada um de nós, não importa a profissão. Nosso tempo – limitado e precioso – foi parar nas telas de computadores e smartphones e suas infinitas distrações, no trânsito cada vez mais parado, nas burocracias de órgãos públicos. Essa lista, claro, não para por aqui. Outro exemplo é o formato de trabalho como o temos hoje, que vem sendo repensado. Afinal, estar ocupado não significa ser realmente produtivo.

Cada vez mais sinto que o desapego e a busca por melhores escolhas, somados a uma crescente preferência por momentos offline, sejam mesmo uma excelente proposta para aperfeiçoar nossa relação com o tempo. Aceitar de vez que nunca teremos como fazer tudo, ler tudo, assistir tudo, nutrir relações profundas com todas as pessoas que gostaríamos, ir a todos os lugares, vestir todas as roupas. Focar no que nos é relevante (e exercitar essa percepção!), e o que não der, a gente vai desapegando… nos sentimos tão bem quando dedicamos nosso tempo ao que nos toca a alma! Menos opções, escolhas e informações geram menos estresse e inquietação.

Assim como o Demain, esse filme já entrou para a nossa lista!

Cada vez mais os cidadãos sentem uma saturação, difícil de lidar, com relação ao tempo. A aceleração dos nossos resultados de desenvolvimento econômico e tecnológico encontra-se cada vez menos sincronizada com os ritmos naturais da Terra. Aos poucos, percebemos que não é só o planeta, mas também nós mesmos, que estamos à beira de um colapso.

E, no entanto, apesar de todos os sinais mostrarem que chegamos nos limites do sistema (ambientalmente, psicologicamente, socialmente e financeiramente), longe de desacelerarmos, nós nos aceleramos mais!

Alguns estudantes de Paris tentam entender com seu professor as razões para esse paradoxo. Com sua visão de crianças, nos dão uma nova compreensão do mundo e do tempo. Questionam o papel do dinheiro, da busca pelo poder, o gosto pelas emoções fortes e nossa relação com a morte como fatores que nos empurram para o acelerar. Cinco especialistas enriquecem a reflexão e trazem a perspectiva de uma “nova e diferente forma” que vem chegando.

Educacional e filosófico, o filme chega para sensibilizar, expandir a consciência e permitir o pensar em outras possibilidades, em caráter individual e coletivo.

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Sobre Bruna Miranda

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