A moda slow em sua roupagem minimalista

Por Bruna Miranda

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Como se vestir quando se adere a um estilo slow? Peças atemporais e minimalistas dão conta do recado para quem busca uma vida desacelerada. Novo texto em nossa coluna na Cris Guerra.

Quando falamos em slow fashion, conceito que apareceu pela primeira vez em 2007 e tem ganhado cada vez mais força, a primeira impressão que se pode pensar é sobre a moda sustentável, verde, eco… E olha, é muito mais do que isso! A moda slow engloba sim a questão de tecidos ecológicos que já são nossos conhecidos, como o PET reciclado, o cânhamo e o algodão orgânico, as fibras naturais, como o linho, e até inovações curiosas como os tecidos desenvolvidos recentemente que vêm do abacaxi, da borra de café e do leite (!). Bom, vamos esperar as próximas notícias sobre essas pesquisas e experimentações. O slow fashion também destaca o consumo consciente e até mesmo uma estética que volta e meia ganha destaque nas revistas de moda e passarelas e que, hoje em dia, tem aparecido com mais frequência, além de repaginada com um conteúdo que vai além das aparências: a moda minimalista.

Um design clean, cortes e caimentos impecáveis, uma atmosfera que pode ir do básico ao clássico e ao futurista, cores sóbrias. Uma estética bem escandinava, com suas lindas inspirações de arquitetura e decoração, por exemplo, que remetem a espaços vazios, à geometria reta, a poucos objetos e uma certa frieza que pode causar um estranhamento a nós, brasileiros, acostumados a visuais mais coloridos e culturalmente diversos, preenchidos. Mas em que o minimalismo na moda se conecta ao slow? Há algum tempo, quem acompanha as tendências de moda vai se lembrar do normcore, uma proposta para “estilos normais”, sem grandes produções, um visual confortável que quer parecer que não liga para a moda, que é uma “não-tendência”, um básico que remete à década de 1990. Poucos meses depois, já não se fala mais essa palavra mas novas marcas apareceram – e outras se fortaleceram – oferecendo apenas peças assim, básicas, para se usar em qualquer ocasião, todos os dias, seja qual for o seu estilo. E elas vieram com uma proposta de qualidade superior em caimento e tecidos, são roupas feitas para durar. Algumas até usam o termo “básicos de luxo” (confira: Bossa Social | basico.com | lemon basics).

Porque se a (sua) moda segue para o essencial caminho do consumo consciente, uma importante faceta é que ela diminua o ritmo de suas tendências para se tornar mais atemporal. Quer algo mais confortável e libertador do que gostar, comprar e usar uma roupa por quanto tempo você quiser sem ter que sair na rua e ver todo mundo igual, seguindo o mesmo modismo? Ou ainda sem olhar suas fotos de um tempo atrás e se achar esquisita com uma certa roupa que veio de uma tendência passageira e enjoou, tornou-se obsoleta? (O clássico “como eu tive coragem de usar isso?”). E aí essas marcas focadas nos básicos acertam em cheio ao nos propor pagar um pouco mais por peças duráveis e eternamente funcionais – feitas em condições socialmente e ambientalmente justas, de preferência, claro. Porque com a moda minimalista, a gente não precisa, de maneira alguma, pensar em uma moda monótona. O minimalismo não precisa ser só branco (ou preto, p&b, cinza e nude, apesar de serem tons maravilhosos e tão agradáveis ao olhar, na minha opinião, além de adaptáveis com todo tipo de acessórios). Ele traz também estampas clássicas e incríveis, como as listras (quem não ama o estilo descontraído e sempre elegante das francesas, eternas fontes de inspiração?), xadrezes, poás e, no mais, qualquer cor e estampa que te agrade. Uma moda minimalista a seu estilo. Seja ela neutra e linda como os exemplos que citamos aqui ou colorida e brasileira como também é bonito de se ver. E ainda decotes, fendas, recortes, volumes, texturas e o que mais a imaginação permitir. Com o “minimalismo brasileiro”, sugerimos uma moda livre, leve e equilibrada, com uma menor quantidade de peças chave, mas que aparecem para darem o ar da graça mais vezes. Para vestir sempre que quiser, (re) criar um laço emocional e resgatar aquele sentimento bom que é comprar, ter e usar uma peça que a gente realmente se identifica. Para não querer se ver livre dela. Isso também é, e muito, o slow fashion.

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Sobre Bruna Miranda

Jornalista e escritora, se inspira na busca por um viver mais consciente e significativo e é idealizadora do Review e da revista Guia Slow Living. Percebe o slow como ...

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