Do que comemos ao que vestimos

Por Bruna Miranda

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Saber degustar os momentos da vida com tempo e espírito sócio-responsável, isso é ser slow. Novo texto em nossa coluna no site da Cris Guerra.

Das melhores coisas de um mundo globalizado, destaco a infinita capacidade de nos inspirarmos. E, mais ainda, de aprendermos. Nos comunicarmos. E assim, criarmos um laço mais forte de união. Offline, de preferência.

Acho que nem deve ter passado pela cabeça do Carlo Petrini, jornalista italiano, quando criou, em 1986, o movimento Slow Food. Em um país conhecido por sua qualidade alimentar e capacidade maravilhosa de dolce far niente (lembra da cena com esse assunto no filme “Comer, Rezar, Amar”, com Julia Roberts?) a comida começava a chegar às pessoas de uma maneira oposta, com o avanço do fast food nos principais pontos das cidades.

Eis que quase trinta anos depois, os conceitos slow baseados no Bom, Limpo e Justo, felizmente, inspiraram outras partes da vida. Não poderia ser diferente para nortear (e inspirar ainda mais) a maneira como merecemos viver. No Bom podemos dizer da qualidade, ser saudável, ser local; o Limpo referindo-se a não usar nada na produção que faça mal à nossa saúde ou ao meio ambiente, produção transparente; e, fechando com o Justo, as condições em que nossos produtos são feitos, trabalhadores em uma vida digna.

 

“Basicamente, ser slow é saber degustar os momentos da vida com tempo e espírito sócio-responsável.” – Carlo Petrini, fundador do movimento Slow Food

 

Em um mundo de velocidades e excessos, uma busca constante por equilíbio e melhores escolhas, de maneira holística. Não é papo com uma exclusiva proposta zen, mas sim de vivermos, o quanto possível, em harmonia. Afinal, tudo está conectado. E  tudo isso se adequou perfeitamente, além da alimentação, na moda, no estilo de vida, na beleza e até nas viagens, design, modo de criar os filhos, no sexo…

O slow saiu da cozinha e chegou nos guarda roupas pela inglesa Kate Fletcher, professora do Centro de Moda Sustentável do Reino Unido, em 2007. Não é mais uma tendência passageira, mas sim um movimento de moda sustentável ganhando força e que veio para ficar. Mais qualidade, menos quantidade. Mais feito a mão, menos produção em massa. Mas originalidade e estilo próprio, menos pessoas padronizadas pela mídia e pela indústria da moda. Nada pode ser mais importante do que nos conhecermos e sabermos o que realmente gostamos e queremos vestir e comprar. E disso tudo, tem ainda um retorno à uma das palavras com que fechamos o nosso texto de estreia por aqui: a empatia, o pensar no próximo. Porque não tem estilo que seja tão satisfatório quanto a certeza de usar uma peça de roupa em que sabemos que a produção foi feita com respeito pelas mãos e vidas envolvidas. E, claro, uma roupa que ainda seja linda.

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Sobre Bruna Miranda

Jornalista e escritora, se inspira na busca por um viver mais consciente e significativo e é idealizadora do Review e da revista Guia Slow Living. Percebe o slow como ...

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