Seis tecnologias de tecidos sustentáveis

Por Ana Rodarte

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Nós aqui da Review encaramos algumas brincadeiras sobre, se seríamos, de acordo com os rótulos que a socidade impõe, “naturebas” e “hippies”. E disso a gente até ri junto, afinal, uma de nossas propostas com o conceito slow é exatamente desmistificar essas teorias. E o que tantos estereótipos não revelam é que buscar uma produção sustentável é também incentivar o avanço tecnológico na indústria fashion. Afinal, o que pode ser mais instigante para tantos pesquisadores de materiais se não a descoberta do que os recursos naturais podem nos oferecer, para que todos tenhamos uma qualidade de vida melhor?

Para mostrar que a indústria têxtil está se sacudindo, listamos seis iniciativas que podem tornar o futuro da moda muito melhor. A lista foi baseada em um artigo escrito por Shannon Whitehead para o Factory 45. Confira:

Linho CRAiLAR: Reduzindo Pesticidas

As fibras naturais de linho CRAiLAR reduzem o uso de pesticidas e corantes e o volume de água empregado na produção de malhas. As propriedades do linho são semelhantes às do algodão, e em 2012, o USDA (United States Department of Agriculture) classificou o CRAiLAR como um produto 100% BioPreferred®. Este selo, criado pelo USDA em um programa de mesmo nome, estimula a busca e a utilização de produtos naturais, para que assim a dependência americana da importação de petróleo diminua e o uso de recursos renováveis aumente.

Qmilk: Fibra Produzida a Partir de Proteínas do Leite

A fibra alemã Qmilk foi criada por Anke Domaske quando ela procurava por roupas que não houvessem passado por tratamentos potencialmente cancerígenos para o pai que, à época, estava em tratamento. O interesse de Domaske pelas proteínas do leite foi o agente catalisador para que ela iniciasse uma start up em sua cozinha com recursos bastante limitados.

De acordo com a empresa, a fibra Qmilk é tão macia quanto a seda, e é produzida com recursos crus e renováveis. Além disto, a fibra possui propriedades antibacterianas, regula a temperatura e tem alto potencial de brilho. A sustentabilidade é uma parte integral dos valores corporativos da marca.

Fonte: Qmilk.

Fonte: Qmilk

Recyclon e a Reciclagem de Nylon

A Repreve, marca já conhecida por produzir malhas a partir de garrafas plásticas recicladas, lançou o Recyclon, fibra produzida a partir de nylon reciclado. Os ingredientes da fibra não são todos vindos de processos de reciclagem, mas a iniciativa foi celebrada pelo destino dado aos resíduos de nylon, que até então tinham poucas soluções.

Há uma série de marcas bastante conhecidas que utilizam as malhas produzidas pela Repreve. Você pode conferir a lista aqui.

À Base de Café

Hum! A gente adora um cafezinho, especialmente se ele vier acompanhado de pães de queijo bem quentinhos! A S. Cafe também. Tanto que a marca tailandesa produziu uma fibra a partir de grãos de café moídos. Surpreendentemente, a malha não tem o odor característico e, em relação a processos tradicionais, requer uma quantidade muito menor de energia no processo de fabricação.

EcoCircle Plant Fiber: Poliéster Baseado em Plantas

O EcoCircle Plant Fiber é um poliéster baseado em plantas, que pode ser empregado em roupas, bancos de carros, suprimentos sanitários e outros materiais industriais. A fibra EcoCircle contém 30% de cana de açúcar, o que substitui o óleo DMT-PTA, derivado de petróleo. A Nissan foi uma das primeiras empresas a utilizar o tecido quando empregou o EcoCircle no carro elétrico Nissan Leaf, em 2014.

Evrnu: Upcycling em Massa

Já a Evrnu é a ação na qual aposto mais fichas. De acordo com o site Factory 45, atualmente, 12 milhões de toneladas de tecidos são jogadas fora somente nos Estados Unidos. Qual a solução para este problema, além da redução dos atuais padrões de consumo no país? A Evrnu, formalmente conhecido como Loopool, foi fundada em Seattle pelos entusiastas do upcycling Stacy e Christo, que fizeram os primeiros protótipos da Evrnu com dinheiro do próprio bolso.

Fonte: Evrnu

Fonte: Evrnu

O processo é, teoricamente, simples: as malhas de algodão são desfiadas e reduzidas até as suas partículas moleculares. As partículas são expulsas e rearranjadas até que formem uma nova fibra de algodão, prontas para serem transformadas em tecidos novamente. Na prática, fica um pouco mais complicado. As máquinas para que novos protótipos sejam produzidos são caras, e a equipe Evrnu está em uma campanha de financiamento no IndieGogo para produzir a malha em maior escala.

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Sobre Ana Rodarte

Formada em Comunicação Social e estudante de Design de Produto. Com o slow, busca significados e valores dentro dos sistemas de produção têxtil. Inovação, sustentabilidade e inclusão social a moveram ...

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