Creative Mornings BH com Nina Braga

Por Bruna e Ismael

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O Creative Mornings faz jus ao nome. Um café da manhã  agradável em um espaço confortável e repleto de histórias, seguido de uma palestra com temas atuais e relevantes. Boa dose de inspiração e motivação pra começar o dia, e, ainda, gratuitamente. Aqui falamos sobre o evento – que começou em Nova York e já está em 87 cidades pelo mundo – e um pouco da sua atuação em BH (que é incentivada pela Lei Estadual de Incentivo à Cultura de Minas Gerais).

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Atualmente o Creative Mornings BH é realizado no MMGerdau – Museu das Minas e do Metal, um belo espaço na Praça da Liberdade

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Diego Rezende, um dos organizadores do evento na capital mineira

A 11ª edição do Creative Mornings BH contou com a Nina Braga, socióloga, psicóloga e diretora do Instituto e e os temas moda + sustentabilidade e o novo luxo, em sintonia com as áreas que tenho muito prazer em pesquisar e trabalhar. Além da palestra, conversei melhor com a Nina – leia abaixo – e agradeço aos organizadores pela querida receptividade; também à jornalista Ruth Martins, do MM Gerdau, pela citação na matéria sobre a palestra. Completa e esclarecedora, vale muito a leitura.

Moda e Sustentabilidade – Herança

Como trabalhar projetos sustentáveis usando a criatividade, de modo que desperte o interesse da sociedade? Esse é um ponto a ser estudado em todos os campos de atuação no mercado e que deve ser considerado como prioridade, para que as próximas gerações saibam valorizar o meio ambiente e tenham, como herança, a possibilidade de desfrutar a vida com melhor qualidade.

O novo luxo é tido como uma forma diferente de considerar um produto luxuoso, e, para isso, é preciso pensar em toda sua cadeia produtiva. Esse conceito busca o equilíbrio. É saber fazer um design com sustentabilidade e criar peças que tenham esses critérios. É ter atitudes nobres, usando moda sustentável no dia a dia.”  – Moda Sustentável é assunto no MM Gerdau

Com o Instituto e, que foi desenvolvido por Oskar Metsavaht, também fundador da Osklen, Nina coordena várias atividades na área da moda com sustentabilidade, como por exemplo os inspiradores projetos Traces e Water Traces, com o Ministério do Meio Ambiente da Itália. Eles promovem o desenvolvimento humano sustentável, atuando com os seis ‘e’s: earth, environment, energy, education, empowerment e economics – com o sétimo ‘e’ vindo por aí, de acordo com a Nina, o entrepreneurship (empreendedorismo). Dentre os projetos do Instituto, o e-fabrics, que identifica matérias-primas sustentáveis que possam ser utilizadas pela indústria têxtil e pela cadeia produtiva da moda, estimulando o consumo consciente. Alguns e-fabrics usados pela Osklen são o algodão orgânico, algodão reciclado, PET reciclado, couro de pirarucu e eco-juta. Nos vídeos no final do post dá pra entender tudo sobre os projetos, que têm como objetivo transformar o Brasil em uma referência na moda sustentável.

Além de apresentar os trabalhos desenvolvidos com o Instituto, ela falou sobre a herança que carregamos pela diversidade cultural do Brasil. Ela resulta, dentre outras coisas, na “atmosfera” de nosso país, o que nos rendeu até mesmo o título de ‘Copa das Copas’ no último Mundial. Na conceituação do novo luxo, tópicos que descrevem a busca das pessoas pelo equilíbrio entre a natureza e o urbano, o sofisticado e o simples, o tecnológico e o rústico. O new luxury mescla a criatividade brasileira com o design e os materiais de origem sócio-sustentável do Brasil. Chegam as novas escolhas, conscientes: sai o automóvel e entra a bicicleta; combustíveis fósseis dando lugar às energias alternativas; bebidas artificiais substituídas pelas naturais; e o foco do made in China retorna para o feito no Brasil.

Continua aqui um trecho da entrevista/bate papo com a Nina Braga.

Review – Sua opinião sobre o presente e o futuro da moda sustentável no Brasil.

Nina – Eu vejo um mercado crescente. Está se tornado mais conhecida a questão da moda com a sustentabilidade, vinda do trabalho de várias pessoas, além do Instituto e. Acredito em um mercado a médio prazo. As sementes foram lançadas e, hoje em dia, a realidade já é diferente de quando começamos, no final dos anos 90, início do século XXI. Nossos parceiros eram pequenos grupos, um nicho muito pequeno, e foi se expandindo. Atualmente já temos um diálogo com o poder público, com empresas de médio a grande porte e associações empresariais. Antes era um trabalho muito mais de prospecção, e agora nós somos procurados, o que mostra que já existe um aumento da consciência. Ainda está longe do ideal, com certeza, mas o que acontece é que não temos mais tempo a perder. É complicado ainda estarmos engatinhando quando já deveríamos estar em ritmo de maratona, para conseguir fazer frente às nossas necessidades, ao que o planeta está gritando pra gente. Mas é possível, sim, e no Instituto, inclusive, trabalhamos com o conceito de ASAP – As Sustainable As Possible. Nesse sentido, a parceria com a Osklen é muito importante, porque como eles são uma benchmark, o mercado sempre fica antenado com o que eles estão fazendo. E isso já conta como algo positivo.

Qual a relação entre o suporte vindo do Brasil e do exterior?

Em nossos projetos, 65, 70%, em média, vêm de fora, infelizmente. Mas como o Brasil se influencia muito com o que está sendo feito internacionalmente, isso pode ser um bom caminho.

Como você vê a disseminação da informação da sustentabilidade na moda?

Hoje em dia vemos pessoas que preferem comprar uma camiseta do que lavá-la, porque elas chegam a custar 2, 3 dólares. Isso é uma loucura, as pessoas ainda não pensam nas consequências. Pelo menos ao chegar nas gôndolas, ter ali exposto quanta água foi consumida na produção das peças, o que é o algodão tradicional, o que está por trás dele, o que é afetado por aquela cultura, qual o percentual de agrotóxico que se usa na lavoura do algodão… Ninguém sabe disso, então a questão da informação é importantíssima.

Sua opinião sobre a moda sustentável também ser vista como algo elitizado em que a maioria das pessoas não se identifica e/ou não tem acesso pelo preços das roupas e, com isso, a consciência acaba se perdendo.

É preciso indicar para as pessoas, para a maioria da sociedade, os caminhos do novo luxo. Cabe a quem pode, aos formadores de opinião e afins, sinalizar isso, cobrar de quem realmente poderia intervir para mudar esse quadro, cobrar ações mais contundentes. Precisamos ter um acesso mais facilitado, subsídios. Por exemplo, um plantador da agricultura orgânica, ao pegar dinheiro emprestado em um banco oficial, paga mais caro do que o plantador do algodão convencional, porque o gerente do banco, ao ver que não serão utilizados agrotóxicos, subentende que não haverá garantias sobre a produção no final dessa safra. De duas toneladas previstas, pode ser que apareça algum agente invasor na lavoura e reduza essa entrega. Então ele tem um risco maior do que o outro que está com a safra garantida por conta dos agrotóxicos. Tudo isso tem que ser revisto, e isso só vai acontecer se tivermos um primeiro momento de apoio. Outro exemplo é a Turquia, que virou um grande produtor de algodão orgânico. A primeira safra foi toda pré-paga, os produtores já sabiam que estava tudo vendido, facilita muito. O Peru, país cujo PIB não dá nem pra comparar com o Brasil, também investiu, deu facilidades ao plantador, e isso falta para a gente. As condições de mercado são desiguais. E nós temos que ter essa ótica, estamos falando de uma economia que tem que ter todos esses mecanismos funcionando direito.

 E sobre o fast fashion e outras alternativas na moda?

Pra começar já acho o nome impróprio, isso não é fashion, é a moda com m minúsculo, a cópia da cópia, não tem originalidade e não se investe em inovação. Voltando ao outro assunto, falta informação, as pessoas não sabem que temos outras alternativas, outras marcas, ainda o brechó… Aumentando a divulgação da moda feita com cuidado, com histórias, e que outras marcas continuem se inspirando nesses processos, desenvolve-se esse novo caminho.

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Sobre Bruna e Ismael

Na estrada para inspirar e compartilhar mais equilíbrio e escolhas conscientes, desaceleradas e significativas. De vida, consumo, trabalho e viagens. Seus benefícios e transformações pro mundo, pra nós mesmos e ...

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