Slow life: desacelerar o ritmo

Por Bruna Miranda

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Slow é uma revolução, uma alternativa para a nossa obsessão com a velocidade. Você vê mais quando encara as coisas de um jeito mais lento, como você percebe cada pequeno detalhe quando um filme é mostrado em câmera lenta. O slow pode se manifestar em qualquer design, objeto, espaço ou imagem que encoraja a promoção de artesãos, designers e sabores locais. É uma ideia interminável que dá pra fazer você mesmo, de qualquer jeito que quiser. O slow funciona para contrariar a vida rápida e o desaparecimento das tradições locais. Em um mundo barulhento, lotado e louco, é bom para a alma ter uma vida melhor, vivendo mais devagar”.

Tranquilidade. Respirar lentamente, ter atenção aos detalhes, aproveitar o tempo para fazer nada, ou para pelo menos fazer uma coisa de cada vez. Menos é mais.

Há quanto tempo você não faz isso? Essas são algumas das propostas do Movimento Slow, que você já deve ter ouvido falar. Perceber que, com os excessos e o ritmo frenético em que vivemos hoje em dia, desacelerar é o melhor a se fazer para a nossa saúde e qualidade de vida. Foram tão rápidas as mudanças dos últimos anos que, ao mesmo tempo em que a tecnologia facilitou muita coisa, também nos deixou conectados demais, com informações demais, possibilidades demais. Veio a correria sem fim e, ironicamente, desconectados de uma maneira mais profunda com as pessoas, os lugares e nós mesmos. O slow veio pra dar um chega pra lá nessa loucura.

O movimento começou na Itália, na década de 80, à mesa. O Slow Food surgiu literalmente para se opor ao fast food, comida rápida e prejudicial à saúde, ao meio ambiente e à economia local – bem no país onde as refeições têm um significado especial de envolvimento, qualidade e prazer. Engolir uma coisa qualquer em frente à tv ou o computador não dá mais. Logo chegou no Japão com o Slow Life, mais abrangente e com base na Sustentabilidade, no tempo para se fazer nada e no Bem Estar pessoal e coletivo – menos conectados, menos quantidade e mais qualidade, mais experiências. Suas vantagens foram percebidas e logo o Slow chegou em outras áreas: Nossos também adorados Slow Fashion, Slow Design, Slow Travel…

Ele não propõe que a gente deixe a lentidão dominar, mas sim fazer uma coisa de cada vez, da melhor maneira possível, e não o mais rápido possível. Mais foco e menos distrações. Claro que esse é não é um caminho tão fácil, principalmente para quem mora em grandes cidades e não tem como escapar do trânsito, do computador e das tarefas intermináveis. Mas aos poucos dá pra ir incorporando essa tranquilidade do desacelerar. Afinal, é pra aproveitar a vida, o tempo e os pequenos prazeres que estamos aqui!

Para inspirar:

Foto Reprodução

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Slow Food – Reúne pessoas que compartilham o interesse na alimentação de qualidade pela busca de relações mais justas de consumo e produção de alimentos, além de modos criativos e prazerosos de se relacionar com o território, com seus habitantes e com a cidade. Internacional | Brasil | Belo Horizonte

 

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Slow Down Now – Um grupo que preza pelo devagar com bom humor. No manifesto deles, tem sugestões que vão de uma xícara de chá na cama, olhando para a janela, a menos seriedade e mais bocejos.

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Devagar – Em meio à vida apressada, o jornalista canadense Carl Honoré se viu comprando para o filho um livro de histórias com apenas um minuto de duração cada. Daí veio o “clique” e ele começou a explorar essa obsessão da sociedade moderna por velocidade. Em seu livro, de 2004, ele conta porque acredita que a velocidade é tão negativa e diz ainda que o Slow é algo que acontece aos poucos, de forma discreta.

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Nadismo – O Brasil tem a sua versão Slow Life. É um grupo que se reúne para fazer absolutamente nada, momentos essenciais nessa vida corrida defendidos pelo criador do movimento, o designer gaúcho Marcelo Boher. Ele criou o grupo depois de ter sido internado por uma crise de stress.

 

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O ócio criativo – O sociólogo italiano Domenico de Masi defende esse conceito em seu livro, de 2000. Mais leveza e aprendizado nas relações humanas com o trabalho, sendo o ócio criativo a mistura do trabalho com estudo e diversão.

 

 

 

“Há mais na vida do que aumentar sua velocidade.” – Mahatma Gandhi

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Sobre Bruna Miranda

Jornalista e escritora, se inspira na busca por um viver mais consciente e significativo e é idealizadora do Review e da revista Guia Slow Living. Percebe o slow como ...

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