Aprendendo a ouvir

Por Bruna e Ismael

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A primeira vez em que fui a uma psicóloga ela me contou que a grande maioria das pessoas que entravam em seu consultório não queriam uma solução para seus problemas (algumas até já a tinham). O que elas queriam eram ser ouvidas.

Cada vez mais nas relações humanas percebo que saber ouvir é um desafio dos nossos tempos. Talvez seja por isso (psicologicamente falando) que muitas pessoas tem um animal de estimação como o cachorro. Parece-me que os cachorros conseguem nos escutar melhor do que os seres humanos, infelizmente.

Nas grandes capitais e centros urbanos tem sido raro encontrar alguém para escutar. As pessoas estão com pressa até para falar e poucos conseguem parar para ouvir.

Eu diria até que “bem-aventurados são os tímidos” porque estes (ainda) ouvem mais do que falam.

O educador Rubem Alves uma vez disse que faltava no mercado um curso de “escutatória”, pois além de termos tantas coisas a falar ainda estamos buscando técnicas, cursos, que nos ajudem a falar mais e melhor.

Às vezes, em um almoço de família, pode reparar nos mais velhos, como por exemplo nossos avôs. São as pessoas que mais ficam em silêncio e são eles justamente os que mais têm algo (profundo) para dizer. Mas eles estão lá, na sua quietude, enquanto todas as outras pessoas falam ao mesmo tempo. Um tenta falar mais alto para conseguir ser ouvido, o outro nem espera o amigo parar de falar e logo o interrompe.

Por que quando estamos com alguém sempre precisamos arrumar um assunto? Não seria o silêncio também uma forma de manter a simpatia na hora da conversa?

Ouvir não é fácil. É bem mais fácil falar, carregamos algo para contar e é falando que podemos impressionar, chamar a atenção.

Mas eu continuo querendo aprender a ouvir. Nunca encontrei o curso de “escutatória” que o saudoso Rubem Alves sugeriu mas, uma vez lendo um provérbio hebraico do rei Salomão me deparei com uma orientação milenar que dizia que “responder antes de ouvir, além de tolice, é pura grosseria”.

Defini para mim, a partir desse provérbio, que essa é a primeira lição para quem quer adquirir a arte de ouvir: aprender a não interromper quem está falando. Quando você interrompe, na verdade enquanto ela falava você não estava ouvindo, você estava pensando no que falar.

Quando se ouve não se pensa no que falar e responder, se pensa no que está ouvindo.

Ouvir é uma atividade quase que holística, exige todos os nossos sentidos, se ouve com olhos, com os lábios (ahann), se ouve com a mente e, acima de tudo, se ouve com o coração.

* Por Alan Corrêa, que vive em São Paulo, no grande ABC. É casado e pai de duas crianças e gosta de poesia, trilhas e cachoeiras.

– Imagem do topo via Pinterest

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