Em 2017 vou falar mais nãos: um texto bem otimista!

Por Diorela Bruschi

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Vamos começar este texto com a conclusão e depois você continua se quiser saber mais. É o seguinte, já faz um tempo que entendi que quando a gente diz sim para uma coisa, a gente está dizendo não para outras. Sim, vou almoçar na sua casa amanhã. Sim, posso te buscar meio dia. Sim, vamos ao cinema neste filme que você escolheu. Sim, você pode dormir aqui semana que vem. Sim, eu me adapto à você.

É superbonito alguém que diz sim o tempo todo. É louvável. É nobre. É agradável. Mas pergunta pra essa pessoa como ela se sente? Geralmente, ela vai te responder « eu nunca tenho tempo para mim », « passo a vida tentando agradar », « estou exausta » ou algo parecido. É meio frustrante! Até porque, não necessariamente a gente vê muito bem um retorno desses esforços, por mais que sim, continuemos adeptos do « espalhe amor para receber amor ». Isso sempre!

Como muita gente tem falado que 2016 não foi um ano muito fácil, imagino (e tenho certeza) que este não foi o único fator desencorajador dos saltos de alegria ao longo dos últimos 12 meses. Mas como queremos mudar e gostamos muito de acreditar que a virada do ano pode dar um empurrãozinho transformador nas vidas, taí uma proposta: vamos falar mais nãos. Eu vou.

Mas falar não pra tudo? Parar de ajudar as pessoas? Seremos mesquinhos e egoístas ?

Eita! Mas como alguém publicaria um texto para fazer esse desserviço? Claro que não (olha o não aí!). Ninguém tem que deixar de ser solidário. Por favor, não deixe!!! A pessoa deve apenas passar a considerar mais a conclusão deste texto que não à toa coloquei logo no primeiro parágrafo: Quando você fala sim para uma coisa, está falando não para outra.

Então, « sim, posso te buscar amanhã meio dia » pode significar « não terei tempo para finalizar aquele meu projeto que considero importante e que também poderá ajudar muitas pessoas ». Logo, escolho qual das propostas pode render melhores frutos e faço uma escolha consciente. « Desta vez não posso te buscar, depois de amanhã talvez » ( e eu ainda milito pela não necessidade de justificar publicamente todas as nossas decisões e pelo direito de fazer contra-propostas!).

Ah, mas meus amigos e minha família não vão entender… Pois bem, é aí que fala alto todo o nosso histórico. Pode ser que você já tenha provado para seus amigos que é uma pessoa generosa, colaboradora e dedicada. E com tato e suavidade, grandes chances de todos entenderem sim. Até porque, claro que não vamos falar não para gente que está entre a vida e a morte. Sejamos razoáveis!

Pode ser que agora você esteja querendo provar que consegue tempo para aprender aquele idioma que sempre quis, para montar aquela empresa que sonhou, para escrever aquele livro, para fazer mais ginástica (a palavra é treino agora, tô ligada!), para fazer aquela reforma ou mudar aquela coisa na sua vida que há anos está pedindo para ser mudada. É primeiro um « sim » para você e depois um « não » para quem não está com a corda no pescoço, só não percebeu suas prioridades, suas outras necessidades ou quem, com o devido respeito, anda abusando um pouco da sua boa vontade.

E se você passou da conclusão inicial e chegou até aqui, tem um bônus. Porque vale também recompensar quem fala mais sim pra gente, exatamente para criar aquela corrente do bem com cara de sessão da tarde. E para os nossos sins não serem tão penosos como antes! Neste bônus eu te faço um convite: a pensar no que de bom você seria capaz de fazer se tivesse todo poder e tempo necessários. Quem sabe falando não para o que vai contra esta ideia, a gente não consegue um pouco mais de tempo e poder para tal?

E aí, meu caro, entram também os « nãos » para os seus próprios vícios. O melhor não de todos. E o mais difícil.

Feliz não novo!

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Sobre Diorela Bruschi

Advogada, redatora e professora, vive entre o Brasil e a França e seus contrastes culturais. Autora dos blogs Direito é Legal e Saída à Francesa, aprecia a vida em comunidade ...

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