Por mais festas na rua e a rua limpa também

Por Diorela Bruschi

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Ainda é junho e com junho (e julho) acontecem minhas festas brasileiras preferidas. As festas juninas. Festas que tinham origem na mudança das estações e que foram apropriadas pela religião (tanto as de junho quanto as de dezembro e a internet está aí para quem quiser comprovar). Festas que apresentam comidas típicas, danças tradicionais e muitos encontros na rua. Como não amar aquelas pintinhas que as crianças fazem na bochecha ? As bandeirolas no alto da rua. As quadrilhas improvisadas na última hora. Eu só tenho boas recordações das festas juninas, desde a escola, até a rua fechada no meu bairro quando eu morava no Brasil.

Mas por que temos que esperar o ano inteiro para fazer festas de rua?

Tudo bem que temos também festas no carnaval. Mas da observação que tenho da França, onde moro atualmente, basta que o tempo comece a esquentar, e as pessoas já inventam alguma fanfarra na rua.

Tem a festa do início da primavera, onde a gente sai tocando flauta, tambor e batendo campainha em todos os vizinhos para pedir bebida e comida como contribuição a um grande banquete de rua no final da noite. Quem colabora ganha uma pêra e é convidado a participar. Muitos colaboram!

Tem a festa da vizinhança, onde as associações de bairro se organizam para vender sanduíches e bebidas e, em troca, oferecem concertos lindos e gratuitos para o público que consome tudo o que é oferecido e ajuda a limpar a rua no final.

Tem também encontros de artesanato com música de rua. A festa da música (dia 21 de junho) e muitos outros eventos inspirados em tradições, no período da agricultura, e até em lendas. Quem quiser, pode também se voluntariar para servir nestas festas e foi uma das coisas mais divertidas que já fiz porque o clima colaborativo é o que conta e eles arrumam um tesoureiro bonzinho que passa a noite calculando o troco que devemos entregar para cada cliente.

Festas de rua precisam de certa organização e motivação de uma equipe para montá-la e decorá-la, mas fazem parte também de um hábito de vida que muitas cidades do interior (mesmo brasileiras) ainda conservam. Isso não pode ser perdido! Lembro-me que em Ouro Preto as pessoas faziam o blog do Pijama num dos carnavais mais aguardados do ano. Em Belo Horizonte, o carnaval de rua também voltou dessa forma, com a vontade de quem queria sair de casa para cantar, sabe-se lá porque. A vida não precisa estar perfeita para ser festejada, filhão!

É grande o valor que essa troca pode trazer para a cidade e as pessoas. Um ambiente em que crianças, velhos, jovens e animais convivem numa boa. Que sonho seria!

Queria que a gente pudesse dar mais chances para festas na rua que em buffet. Não sendo nada contra os lindos buffets que toda cidade possui. Apenas favorável à diversidade e às festas acessíveis a todo público. E se alguém pensa que isso vai atrapalhar muito a circulação do trânsito, a vida dos vizinhos, o sono das crianças… Pense de novo! Não faz sentido viver numa cidade onde não existe encontro, onde espera-se a solidão. Não é preciso fechar a rua principal. Não é preciso fazer festa todo fim de semana. Mas uma vez por mês ou a cada dois meses, com policiamento tranquilo, música boa, horário razoável, sinalização e cuidado com os preparativos, garanto que aumentaria a qualidade de vida de qualquer cidadão. Desde que a gente lembre de limpar o que sujou antes de ir embora.

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Sobre Diorela Bruschi

Advogada, redatora e professora, vive entre o Brasil e a França e seus contrastes culturais. Autora dos blogs Direito é Legal e Saída à Francesa, aprecia a vida em comunidade ...

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