Cinco dietas que todos podem fazer (e não estamos falando de alimentação)

Por Diorela Bruschi

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Todos sabemos disso: a vida é para equilibristas. Enquanto estamos equilibrando os aspectos financeiros, familiares e saudáveis da nossa experiência, lá se vão a vida sentimental, estudantil, espiritual. Como acontece no equilibrismo de pratinhos, a gente tem que ter uma coordenação ninja e um movimento constante para que tudo fique mais ou menos estável. Não é fácil.

Por isso, longe da gente ditar regras para a vida dos outros quando já estamos ocupados demais com a nossa própria. É exatamente por isso que, nessa ocupação, decidimos compartilhar algumas dietas que encontramos por aí e que podem ajudar na difícil arte de viver com equilíbrio.

Dieta da queixa

Certa vez, eu e minha chefe do escritório nos propusemos a fazer uma dieta de reclamações. Havíamos lido em alguma revista que se a gente ficasse 21 dias sem reclamar, para o resto das nossas vidas seríamos pessoas mais serenas, menos reclamonas. Tentamos alguns dias, mas depois acabamos esquecendo. Quando me mudei para a França, diante das dificuldades de adaptação e compreensão de uma cultura diferente, me propus a fazer aquela dieta de novo. Desta vez, consegui até o 15˚ dia. A dieta havia sido interrompida por uma prova oral na qual eu me dei muito mal. Antes daquele evento, eu tinha passado por maus momentos e problemas que havia conseguido suportar sem reclamar. Mas depois daquela prova, o baque foi muito grande e voltei a fazer umas reclamaçõezinhas. Com o tempo, fui evitando novamente, afinal, a queixa não resolve nada. Espalhar negatividade é tão inteligente quanto jogar mais sal na comida salgada. Encontrar a fonte certa para informar o problema e até uma possível solução é que faz sentido. Aprendi: se tiver que reclamar, tente encontrar aquele que poderá ajudar na questão. E vamos poupando os outros e a nós mesmos da nossa ladainha. Fácil não é, mas é mais gratificante.

Dieta da informação (principalmente da negativa)

Não, não é para a gente ficar alienado do mundo. É apenas para a gente selecionar um tempo, um espaço e uma forma de receber a informação que hoje paira sobre os nossos olhos sem muito filtro. Tenho tentado ler as notícias por inteiro ao invés de ler apenas o título delas, que muitas vezes passa uma mensagem que não é verdadeira. E isso faz com que, automaticamente, eu tenha que selecionar algumas. Geralmente quatro por dia. Não consigo mais. Também tenho tentado limitar o número de horas que me dedico a saber tudo que acontece no mundo. Eu entendi que nunca vou conseguir e que, na maioria das vezes, ver imagens de ataques e crueldades só me fazem perder energia ou invés de investi-la em algo produtivo. É complicado encontrar o equilíbrio entre a indiferença, tão horrível, e a sobrecarga de informação (principalmente negativa) oferecida. Talvez se educar a dizer « já deu por hoje » seja o primeiro passo para que a gente consiga seguir adiante sem se afetar tanto (impossível não se afetar com algumas notícias), mas sem desconhecer os males e as necessidades do mundo. Também passei a acompanhar páginas que sei que sempre apresentarão uma compensação para tanta notícia negativa. E procuro recordar-me daquela frase do desenhista Liniers da Argentina: « Neste exato momento, milhares de pessoas estão se abraçando ». Fica a dica.

Dieta do maldizer

Tenho uma amiga que pratica há muitos anos uma dieta que acho louvável: ela não fala mal de ninguém (pelo menos, eu nunca vi). Simplesmente, se ela não gosta de uma pessoa, ela vai falar bem de todas as outras. Se não tem algo de bom para falar da pessoa, ela não fala nada. Ela também não escuta e não estimula diálogos que maldizem os demais. Além de ser extremamente simpático isso, faz com que ela seja uma pessoa muito mais leve e tenha uma predisposição a querer o bem do próximo. Que pessoa agradável de se ter como companhia!

Dieta do consumo e do lixo

Não poderia deixar de falar da dieta que o mundo tem pedido. Consumir menos, produzir menos lixo. De certa forma, todos seremos forçados a praticá-la num futuro próximo. E para evitar o desespero, talvez seja melhor já começarmos o treinamento com escolhas razoáveis. Acostumarmos com a pergunta « preciso mesmo disso ? » ou « qual o processo que este produto envolveu ? » ajuda na hora da seleção. O primeiro passo seria entender que isso não é uma punição, é apenas um ajustamento de um comportamento que talvez tenha ficado um pouquinho compulsivo demais.

Dieta do ódio

De forma geral, todas as dietas são também dietas do ódio. Porque sempre que afastamos algo negativo da nossa vida, é colocando algo de positivo no lugar. Evitar receber e veicular o ódio é talvez uma das melhores dietas que você possa fazer para a sua vida e de seus próximos. Se algum discurso parece muito cínico, se existe humilhação a alguém, se há alguma desculpa para destruir ou praticar qualquer maldade, fique esperto. Você não vai querer fazer parte disso. É digno tentar evitar a todo custo ser mais um porta-voz de pensamentos pesados como de rancor, violência, vingança, racismo etc. Humor sem deboche pode ser uma estratégia legal para ajudar na sua dieta. Animais também são bons aliados: pedacinhos de amor espalhados pelo mundo pra gente lembrar que existe e que é bom!

As dietas para o mundo todo são quase infinitas. Podemos sempre selecionar algo que nos faz mal para colocarmos uma boa ideia no lugar. Se você tem ideias sobre mais dietas ou outras formas de praticar essas mesmas, escreva pra gente. Praticar dietas coletivamente é um grande estímulo para todos que estão envolvidos!

Ricardo Siri Liniers | Review Slow Living

“Faz tu, um mundo melhor.”, da Logosofia

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Sobre Diorela Bruschi

Advogada, redatora e professora, vive entre o Brasil e a França e seus contrastes culturais. Autora dos blogs Direito é Legal e Saída à Francesa, aprecia a vida em comunidade ...

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2 Thoughts to Cinco dietas que todos podem fazer (e não estamos falando de alimentação)

  1. Fernanda Responder 21 de junho de 2016 at 10:51

    Verdade! Todos os conselhos são válidos. E por mais que seja mais fácil falar do que fazer, o importante é tentar! Ficar sem reclamar de tudo realmente ajuda a vida ficar mais leve!

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  2. LYGIA BRUSCHI Responder 18 de junho de 2016 at 13:05

    Não acho que a pessoa tenha que ser tão pura e conformada com tudo. Algumas vezes temos sim que protestar, ensinar, repreender e muito mais. Isso de ser conformada com tudo não existe. Algumas coisas eu concordo com seu texto, mas nem tudo…

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