A moda slow em nossos guarda roupas

Por Bruna Miranda

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Pequenos hábitos e mudanças de comportamento nos ajudam a montar um guarda roupa alinhado com um estilo de vida mais consciente e coerente com a moda slow. Texto para a coluna do Review no site Hoje Vou Assim, por Cris Guerra.

Quando falamos sobre o slow aplicado na moda, um dos questionamentos mais frequentes é sobre como colocar esse conceito em prática no dia a dia sem limitações, sem muito esforço e sem ter que adaptar o nosso estilo pessoal a alguma outra coisa menos atraente. O mais interessante disso é que são várias as opções para uma moda mais consciente e que é boa para todo mundo: para o nosso bolso, o meio ambiente e nós mesmos – já que ficamos mais satisfeitas, fortalece o auto conhecimento e acredito que ficamos também mais organizadas.

Longe de querer acabar com a festa de ninguém, porque sei demais, claro, como é bom comprar e usar roupa nova, a primeira dica aqui bate nessa tecla: antes de comprar, naquele momento lá na loja em que a tentação está falando alto, tente se perguntar se você precisa de algo novo. Ou se, pelo menos, essa peça vai ser útil para você, de verdade. Combina com as outras que você têm? O caimento tá certinho? Tem certeza de que o investimento vai valer a pena – vai durar, o tecido vai aguentar a máquina de lavar, vou usar ao menos umas 30 vezes? Já não tenho nada parecido no armário? E, para fechar, será que não seria mais válido usar o valor dessa peça para ajudar a comprar uma outra, de melhor qualidade, que tenha um caimento e tecido muito mais bonitos e que vai durar muito mais? Daquelas roupas incríveis que, mesmo lavando várias vezes, continuam com ‘cara de nova’. O menos é mais cabe perfeitamente bem aqui nesse pensamento!

Uma outra vantagem de um guarda-roupa com menos compras por impulso é poder enxergar as roupas que a gente tem, sem o acúmulo que acaba virando bagunça. E com isso fica mais fácil e mais rápido escolher o que usar e a gente vai, aos poucos, se conhecendo melhor por saber (quase que) exatamente o que gostamos de vestir, o que nos deixa confortáveis e com cara de “eu mesma”. E isso pode ser com as peças clássicas ou com as mais marcantes, as que seguem tendências… Uma boa pergunta a se fazer sobre as roupas que você já tem (e não sabe se vai continuar usando ou se seria melhor levar para um bazar, brechó ou ainda doar) é: “Se eu estivesse comprando essa peça hoje, levaria para casa?”. Se você ficar em dúvida, provavelmente aquela não é uma roupa das mais queridas.

Essa é uma das minhas dicas favoritas com relação ao slow fashion: conhecer e apoiar as marcas e designers locais! Tem tanta gente talentosa pertinho da gente que, às vezes, com a publicidade e o excesso de informações, até nos esquecemos. É sempre uma experiência muito prazerosa fazer compras com quem cria por conta própria, com muito mais cuidado, criatividade e dedicação. Resgatar aquela relação agradável diretamente com a própria pessoa que fez a roupa. Além de ser uma gentileza e uma ação bem inteligente apoiarmos os empresários locais e fortalecermos a economia do nosso bairro, cidade e país. São pessoas que se dedicam, a cada dia, para conseguir cumprir direitinho com todas as taxas e burocracias de se empreender, o que tá longe de ser fácil aqui no Brasil. E com isso todo mundo sai ganhando! Outro bônus: a chance de as roupas terem usado mão de obra exploratória diminui consideravelmente. Dá pra ir conhecendo mais marcas locais pelo Instagram, dicas dos amigos… E aqui cabe citar também visitas aos brechós mais legais da cidade, que há tempos deixaram de ser espaços apenas para quem quer adotar um estilo vintage. Neles encontramos verdadeiras relíquias para todos os gostos.

Para finalizar — porque esse assunto rende e vamos falando dele aos poucos! —, hábitos positivos que podemos resgatar ou deixar passar: trazer de volta uma boa costureira do bairro (ou a sua mãe, avó ou você mesma, um aprendizado muito útil!) para reparos e até para criar peças novas inspiradas nas revistas e no Pinterest; deixar de lado essa bobagem de que repetir roupa é feio — ah, mas já me viram nas fotos do Facebook com esse vestido…. — as roupas não são descartáveis e usar as peças que escolhemos e gostamos mantêm vivo nosso estilo pessoal, além de ser inteligente fazer uso de um investimento que fizemos em vez de deixá-lo parado; cuidar bem das nossas roupas na hora de lavar, secar, passar e no uso, para garantir que elas vão ficar bonitas por mais tempo. E agora, para terminar de verdade, vamos ficar de olho no movimento das bibliotecas de roupas, que estão chegando para ficar (para saber mais). E vamos continuar, mais do que nunca, nos divertindo e sendo inspirados pela moda como ela nasceu para ser — arte, leveza, cultura e o que mais ela trouxer de bom.

Na foto do topo, o estilo clássico, elegante e despretensioso das francesas, sempre uma inspiração (via Pinterest).

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Sobre Bruna Miranda

Desde que meu armário coube na mala busco a leveza abundante dos essenciais, dos atemporais, da soma de resgates e inovações.

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