A que podemos agradecer neste dia?

Por Diorela Bruschi

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Uma cena inicial de filme que sempre me calha recordar é aquela do inglês Love Actually. Ali, na primeira fala, o narrador e também personagem (uma estratégia que me agrada!) conta sobre o que faz quando se sente pessimista com o mundo. Ele pensa no saguão de chegada do Heathrow Airport, um enorme aeroporto londrino. Enquanto ele recita sobre todas as formas de afeto que reconhece nos reencontros das pessoas, o filme ilustra as mais diversas pessoas se abraçando, beijando. « Quando houve o ataque às torres gêmeas, até onde sei, entre os telefonemas daquela hora, não havia nenhuma mensagem de ódio, todas as mensagens eram de amor », ele conclui.

Vividas todas as tristezas dos últimos dias, de terrorismo a desastres ecológicos, parece não ter sobrado muito para agradecer neste dia que os norte-americanos denominaram Thanksgiving (ou dia de ação de graças). Mas você e eu sabemos que não faz sentido escrever um texto se for apenas para dizer que nada mais faz sentido. O poeta chora a dor, mas o profeta canta o remédio. Alguma coisa tem que existir. Então, se for para hoje ou amanhã ou a qualquer dia ainda neste ano difícil, temos que encontrar motivos para agradecer.

Lancei a pergunta para alguns amigos pelo mundo. Brasil, México, Japão, Líbano, Grécia, França, Marrocos, Estados Unidos e até Iraque me responderam. Percebi, em todas as respostas, uma coincidência feliz: As pessoas ainda guardam gratidão e esperança. E existem ainda sentimentos universais como o amor à família e a vontade de superação.

Uma amiga brasileira contou que era grata por ter tido forças para suportar essa segunda metade do ano, que para ela foi um desafio. Minha amiga norte-americana disse ser grata pela luta das mulheres pela igualdade de direitos entre os gêneros. Meu amigo no México disse ser grato por ter tido a maturidade para viver o que viveu este ano e saber que dinheiro não compra tudo. Minha amiga no Iraque agradeceu a oportunidade de continuar trabalhando com sua marca própria. Do outro lado do mundo, a gentileza das pessoas foi lembrada pela minha amiga japonesa, por ter recebido apoio nas horas mais difíceis.

Todos falaram de suas famílias, seus amigos, seus amores, comentaram sobre sorrisos, sobre o trabalho que amam, sobre conhecimentos que adquiriram. Agradeceram pelas escolhas que fizeram. E por mais diversos que tenham sido os problemas vividos por cada um neste ano, todos tinham algo a agradecer e algo a oferecer.

Então caso você precise de uma forcinha (o que entendemos perfeitamente), segue uma lista de coisas positivas para te lembrar que, apesar de muito trabalho pela frente, ainda temos a agradecer. Por exemplo…

Pessoas da UFOP se interessaram em usar os rejeitos de minerações para produzir material para construção.

Já existem supermercados que vendem produtos sem embalagens para gerar menos lixo.

Tem gente desenvolvendo algo que pode acelerar a limpeza do Rio Doce.

– Pessoas se interessam cada vez mais em criar « couro » a partir de frutas.

E « plástico » também!

A Organização Mundial de Saúde anunciou o fim da epidemia de Ebola em Serra Leoa.

O conceito de slow living tem crescido e as pessoas estão desafogando suas vidas de forma inteligente e gradativa. E as cidades estão se reinventando.

Foodtruck transforma alimentos que iriam para o lixo em refeições para quem precisa.

Um sistema de carros comunitário e sustentável pode chegar a Belo Horizonte.

Chinelos velhos viram brinquedos no Quênia e a ideia ajuda a despoluir o oceano.

– Nossas famílias, amigos e tudo aquilo que inspira merecem o nosso muito obrigado!

Que a gente possa aumentar essa lista pro ano que vem.

Pessoas se abraçam em Avignon para o flashmob da semana da gentileza celebrado no mundo inteiro entre 8 e 15 de novembro. Neste meio tempo, a França sofreu um grande baque

Nas duas fotos, pessoas se abraçam em Avignon para o flashmob da semana da gentileza celebrado no mundo inteiro entre 8 e 15 de novembro. Nesse meio tempo, a França sofreu um grande baque

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Sobre Diorela Bruschi

Advogada, redatora e professora, vive entre o Brasil e a França e seus contrastes culturais. Autora dos blogs Direito é Legal e Saída à Francesa, aprecia a vida em comunidade ...

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