O movimento slow e o mundo prático

Por Bruna Miranda

Publicado em , | Tags : , , , , , ,

Você acredita que o mundo de hoje conseguiria se adaptar ao movimento slow? A resposta está no tempo e na iniciativa de cada um. Nosso novo texto na coluna no site da Cris Guerra.

Em várias das publicações a que já tivemos acesso sobre o movimento Slow, algumas com críticas mais profundas e outras nem tanto, levanta-se o questionamento se o mundo de hoje conseguiria absorver as propostas que estão sendo levantadas pelo modo de vida denominado “devagar” perante às necessidades práticas da vida. E tem-se como resposta: “Só o tempo dirá”.

Sim, só o tempo dirá, assim como o próprio nos trouxe a mais atual notícia de que, como chegamos até aqui, não poderemos continuar. Quando se fala em sustentabilidade, tratamos também de um sistema não só consciente, que parece utópico em algumas vezes, mas sim de uma dinâmica sustentada na vida real.

E sim, também nos deparamos com essas questões a cada iniciativa, marca, serviço que conhecemos e que nos tocam no seu sentido mais ético e a sua importante relação com Inovação*. Porque quando apresentamos, fomentamos e difundimos o conceito “slow”, preocupamos com a mesma força de suas relações com o desenvolvimento das engrenagens de mundo que transformam a todo tempo a nossa contemporaneidade.

Hoje, temos a impressão de que, em nome da tecnologia e do desenvolvimento, algumas necessidades foram inventadas e o consumo superou a real demanda. Criou-se um mundo imaginário que parece inovador, mas sim, ele é “fake”. O que parece ser o acesso, não o é em sua integralidade.

De uma iniciativa de sucesso na Itália, quando se deu o início do Slow Food, este termo foi adotado em vários segmentos e hoje denomina, de forma simpática, tudo aquilo que vai contra ao fast, ao mundo instantâneo e que foi pensado para ser cada vez mais rentável. É uma cultura que vem chegando e nomeando o que não se pasteuriza, não se faz em série, que vai contra a supremacia do tempo sobre as pessoas e suas necessidades. Uma proposta de conhecimento e vivência de um mundo real e prático.

As várias ciências que lidam com o progresso ainda não têm respostas para um desenvolvimento que possa ocorrer num formato de mundo sem pressa. Mas, daqui de onde estamos, o indivíduo está se redescobrindo e ganhando força. E será só ele, ao se juntar aos iguais, que conseguirá levar dados reais aos estudiosos e formadores dos novos conceitos dos melhores próximos passos.

A ideia é que pequenos grupos de desenvolvimento (famílias, vizinhos, grupos de amigos e etc), cada um na sua, adotem novas práticas entre separação de lixo, locomoção, ocupações urbanas, encontros, consumo, trabalho, a relação com a própria região, e que estas práticas possam se tornar, assim, rotineiramente, num hábito de vida real. Pautada no mundo prático, de presença consciente.

Sim, os primeiros passos dependem de nós, somos todos nós os transformadores. E não só o progresso mas também a ordem está em nossas mãos! Criemos então, assim, um novo mundo, aos poucos.

Inovação significa novidade ou renovação e se refere a uma ideia, método ou objeto que é criado e que pouco se parece com padrões anteriores. É a invenção que chega no mercado, o processo que resulta na comercialização de novos (ou melhorados) produtos, ou na primeira utilização de novos (ou melhorados) processos. Inovação pode ser também definida como fazer mais com menos recursos, por permitir eficiência em processos, sejam eles produtivos, administrativos ou orgânicos, ou ainda na prestação de serviços, potencializar e ser motor de competitividade.

Compartilhe esta história

Sobre Bruna Miranda

Bruna é empreendedora e jornalista, idealizadora da plataforma Review e da revista impressa Guia Slow Living, e está experimentando uma vida nômade pelo Brasil. É movida pelo que é atemporal ...

Publicações Relacionadas