O upcycling em roupas e acessórios, por Mariane Oliveira

Por Bruna Miranda

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Começamos o Review produzindo roupas reaproveitando tecidos descartados por confecções e roupas sem uso e conhecer as histórias das costureiras Neli e Maria do Carmo, do Bairro Floresta, em BH. Foi uma experiência tão gratificante colocar em prática a moda consciente e conhecer e conviver com essas profissionais maravilhosas!

Agora, temos uma novidade que nos deixa também muito felizes e animadas: o nosso Upcycling tem nova produtora, a designer Mariane Oliveira. Com apenas 24 anos e várias experiências e competências, ela já teve uma marca de vestidos, feitos a mão por ela mesma, e agora tem uma marca de mochilas, também com produção própria e modelagem que seu avô lhe ensinou a fazer, a Dilim, que nós mostramos aqui.

No Review Upcycling, ela é a designer principal, participando com a gente da escolha por modelos atemporais, fáceis de usar e que combinam com diversas ocasiões, fazendo ela mesma a produção das peças.

Fiz uma entrevista com ela para conhecer melhor seu trabalho e seu engajamento nessa área da moda consciente:

Review: Como você começou a se interessar por moda e a costurar?

Mariane: Minha mãe tem uma loja de roupas desde antes que eu nascesse, então sempre tive contato com isso. Mas eu sempre gostei de roupas “diferentes”. Eu era a pessoa chata que nunca gostava das roupas que estavam nas lojas e que todo mundo usava. Fui vendo a costureira da família fazendo roupas e então, aos 18 anos, tive a oportunidade de fazer um curso de Corte e Costura Industrial pelo SENAI e comecei a fazer minhas próprias roupas, do meu jeitinho. Na época eu trabalhava como secretária e juntei dinheiro para comprar minhas máquinas. Depois disso, não parei mais.

R: Por que escolheu estudar design de produtos e interiores não o de moda, já que é uma área de seu interesse e que está na sua família há tanto tempo? 

M: Apesar de gostar de moda, eu quis investir em outras áreas do design para ter mais conhecimento e para explorar outros caminhos que eu também gosto bastante, como a área de produtos e de interiores.

R: Com o que você pretende trabalhar futuramente?

M: Decidir entre costuras e design de móveis é tipo a escolha de Sofia para mim, rs. Me vejo continuando com a Dilim e com as peças da Review e, se possível, desenhando móveis também. Vamos sonhar alto, né?!

R: Você faz muitas roupas para você, sua família, amigos?

M: Faço sempre que posso! Se preciso de uma roupa nova, ou eu faço do zero ou compro em brechó e reformo. Para os amigos e família, estou sempre consertando alguma coisa ou fazendo do zero também.

R: E de onde você tira inspirações?

M: Eu amo coisas antigas! Filmes, músicas, móveis e claro, roupas. Gosto muito dos cortes simples dos vestidos trapézio dos anos 60, amo as estampas dos anos 70 e tenho várias saias godês bem cinquentinhas. Costumo olhar revistas dessas épocas e fotos antigas da minha mãe.

R: O que mais te inspira, além da moda e design?

M: Sensações boas e leves. E isso engloba muita coisa, né? Desde comida, rotina, sons, acontecimentos, etc. Mas eu acho que quando as pessoas se sentem bem, elas exalam isso de uma forma tão natural e leve que eu me sinto inspirada e acabo observando mais esse tipo de comportamento. Tanto para criar coisas, quanto para tentar ter esse tipo de sensação também.

R: O que você acha do Upcycling, que já está bem inserido em seus trabalhos, e do movimento Slow Fashion? 

M: Acho necessário e importantíssimo. Basta ter um pouco de informação e consciência para saber que vivemos em um mundo abarrotado de lixo. As roupas mais acessíveis hoje são, em sua maioria, descartáveis, tanto pelo material com que são feitas quanto pelos modismos que seguem. Acho que reaproveitar materiais, prezar por modelos atemporais e valorizar quem faz é a maneira mais inteligente de produzir e tentar gerar uma cultura de consumo mais responsável.

R: E, para fechar, o que você pretende e espera agora, com o design e a produção no Review Upcycling?

M: Espero conseguir ajudar a espalhar essa ideia do consumo consciente para as pessoas. Mostrar que é possível ter peças de qualidade, duráveis e que valorizam a mão de obra e a matéria prima. E claro, mostrar que tudo isso pode ser feito com muito bom gosto, de maneira leve e responsável.

Bruna Miranda com o vestido feito pela Mariane com tecidos excedentes, em matéria do jornal Hoje em Dia e foto de Eugênio Moraes

Bruna Miranda com o vestido feito pela Mariane com tecidos excedentes, em matéria do jornal Hoje em Dia e foto de Eugênio Moraes

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Sobre Bruna Miranda

Bruna é empreendedora e jornalista, idealizadora da plataforma Review e da revista impressa Guia Slow Living, e está experimentando uma vida nômade pelo Brasil. É movida pelo que é atemporal ...

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