Uma roupa não deve custar uma infância

Por Bruna Miranda

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A criatividade está indo super bem para o lado das campanhas que destacam a necessidade de melhorias na indústria da moda. Essa aqui, que simula como seria se as histórias dos trabalhadores que fazem as nossas roupas fossem contadas nas etiquetas, se tornou viral na internet, e é apenas um dos exemplos – geralmente com ideias simples e geniais – que temos compartilhado em nossas redes sociais e aqui no site.

As mais recentes campanhas vêm de São Paulo, Brasil e chamam a atenção para outra grave problemática da moda, o trabalho infantil. A primeira, “Uma Roupa Não Deve Custar Uma Infância”, foi produzida para a Fundação Abrinq, afiliada à organização Save the Children, pela agência Lew’Lara/TBWA. À primeira vista, mais parece uma campanha habitual de moda, glamourosa e bem produzida, destacando que as listras são o próximo must have da estação. Conta com fotógrafos renomados e até mesmo a top brasileira Caroline Ribeiro. Mas, ao reparar mais de perto, dá para perceber que as listras nas roupas ocupam uma função mais profunda: simulando barras de uma prisão, atrás delas se encontram pequenas mãos e rostos que representam o alarmante número de 215 milhões de crianças no mundo que estão envolvidas no trabalho exploratório, 11% da população de menores de 18 anos do mundo ilegalmente empregados em setores como a agricultura, moda e mineração. Com a hashtag #Dress4Good, o público é incentivado a postar no instagram imagens positivas para um melhor presente e futuro da moda. Segundo a agência, a iniciativa não pretende ser um ataque à indústria da moda em si, mas foi projetada para espalhar a mensagem de que “crimes de trabalho infantil estão mais perto de nós, consumidores, do que poderíamos pensar”.

Uma Roupa Não Deve Custar Uma Infância - Abrinq - Save The Children - São Paulo BrasilUma Roupa Não Deve Custar Uma Infância - Abrinq - Save The Children - São Paulo Brasil

A segunda campanha What’s Behind – Find Out What’s Behind the Clothes you Buy (O que Está por Trás – Saiba o que Está por Trás das Roupas que Você Compra) foi criada no mês passado pela agência Africa para o grupo brasileiro de direitos humanos Cepia.

De acordo com a UNICEF, o trabalho infantil é uma questão particular para a moda porque grande parte da cadeia de abastecimento exige pouca qualificação de trabalho e algumas tarefas são ainda mais adequadas para as crianças do que para adultos, pelo tamanho das mãos e agilidade. “Em todo o mundo, desde a colheita do algodão até a costura e o tingimento de tecidos, as crianças que trabalham na indústria do vestuário estão em risco ainda mais elevado de serem mal pagas e sofrerem com acidentes de trabalho e doenças. Existem vários órgãos que certificam contra o trabalho infantil, incluindo o Fair to Wear, um acordo que atualmente foi assinado por mais de 120 marcas de moda (só reconheci duas dentre elas, a Filippa K e a Acne Studios). Vamos torcer para que essa campanha inspire tolerância zero entre mais marcas e consumidores.

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Sobre Bruna Miranda

Bruna é empreendedora e jornalista, idealizadora da plataforma Review e da revista impressa Guia Slow Living, e está experimentando uma vida nômade pelo Brasil. É movida pelo que é atemporal ...

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