O que é a moda slow para você?

Por Bruna Miranda

Publicado em , | Tags : , , ,

Fiz essa pergunta em nosso grupo no facebook (faça parte, é aberto a todos!). Confira abaixo as participações! Já parou pra se perguntar o que o vestir-se de maneira slow significa pra você?

“Acho que a primeira coisa é pensar antes de comprar, ou seja, comprar o que realmente precisamos. Doar algo quando adquirimos outra peça também é bacana, além de garimpar brechós. Em uma maneira mais ampla, pesquisar a origem das roupas e dar preferência à marcas realmente sustentáveis é um grande passo.”Carol Meyer, do Dicas da Carol

“Penso que com relação ao consumo, uma dica para diminuir o excesso é reciclar peças. Além de divertido, você exercita a criatividade e economiza muita grana! Acho muito legal também fazer garimpos em brechós como a Carol Meyer mencionou! E, no dia a dia, o cuidado na hora de usar a água na lavagem das roupas (lavar apenas de 15 em 15 dias já ajuda!). Não se deixar levar por promoções que acabam incentivando o consumo excessivo daquilo que não se precisa é uma boa também!”Mariane Moreira, do Eco Closet

“Como designer, penso em moda sustentável a partir da busca e desenvolvimento de soluções e novas técnicas que equilibrem as necessidades consumistas, minimizando o impacto negativo dos processos da produção industrial do setor de moda. É pensar no produto como um todo, desde o plantio do algodão, por exemplo, até a exploração desequilibrada de matéria prima e mão de obra, ou como as empresas destinam seus resíduos sólidos e líquidos. Combinar design, tecnologia, responsabilidade social e ambiental. Eficiência, qualidade e respeito ao meio ambiente vem primeiro, indo além da quantidade e preço. Como cidadã, penso que o respeito à vida e a consciência ecológica são as únicas alternativas de mudar nossa perspectiva de futuro. Pois a escassez de recursos naturais é iminente. O desequilíbrio social e a poluição que a indústria da moda gera é gravíssima e todos fecham os olhos para isto – e já temos tecnologia para fazer produtos ‘melhores’. Busco com a GRAMA tornar o consumo consciente e o comércio justo parte do cotidiano das pessoas. Penso também que este setor só vai deixar de ser um “modismo verde”, como muitos dizem, e se tornar um hábito cotidiano, quando a sociedade cobrar e buscar mais por estes produtos; e isso vale mais do que novos certificados e leis ambientais – pois o mercado puxará essas mudanças. Daí a importância da educação!”Ana Sudano, designer em sua marca Grama Roupas Ecológicas

“Bom, na minha opinião para a moda ser sustentável de verdade a marca em si já tem que levantar essa bandeira ecológica. Se preocupar com a matéria-prima, de onde ela é extraída. Atualmente nós vemos alguns estilistas se conscientizando e criando, por exemplo, coleções de inverno usáveis também no verão (com produções diferentes, claro). Os dois maiores problemas ambientais existentes hoje são o lixo e a falta d’água. A customização de roupas e acessórios é primordial para se construir uma moda ecológica. A transformação das peças e sua reutilização faz com que roupas que iriam para o lixo tenham um novo destino. Sem falar do ponto de vista econômico também, que o consumidor não vai precisar comprar outra peça. A conscientização também é muito importante. Tanto para o consumo consciente, quanto para a reutilização das peças com a customização. Por exemplo, eu tenho o hábito de sempre customizar, quando as pessoas me perguntam onde eu comprei a roupa e eu digo que fui eu mesma que fiz e elas ficam meio ‘espantadas’: ‘Nossa, mas você fez sozinha?? Isso era uma jaqueta do seu pai, como assim?’. Falta também, claro, interesse e curiosidade para pesquisar a respeito da moda ecológica e da customização. Não posso deixar de mencionar os materiais ecológicos utilizados na confecção de peças, também muito importantes.”Cecília Santiago, modelo

“Moda Slow, pelo meu entendimento, é aquela que contribui para o consumo consciente. Para isso esse conceito conta com três vertentes:
. Roupas feitas com mais “cuidado”, com acabamentos mais caprichados, por isso slow;
. Produção local (desde a matéria prima à mão-de-obra -especializada), o que pode resultar num processo mais demorado, por isso slow;
. Dinâmica de produção que se distancia da famosa “fast fashion”, em menor quantidade, o que pode ser um fator importante na qualidade do produto.
Obs: talvez esse tipo de produto (slow) saia mais caro ao consumidor, mas a satisfação é garantida (qualidade e durabilidade), porque é slow.” – Lorena Sender, designer e diretora de arte

Consumir menos e melhor! Basear o valor de nossas peças pelas memórias que carregam, como nossas avós faziam. Economizar pra comprar uma peça boa – um clássico; algo feito ecologicamente; artesanalmente; o que representa, para você, valor em uma peça de roupa. Cuidar bem delas, reaproveitar, permitir que durem (quem sabe até retomar o hábito de passar para outra geração!). Outro bom exemplo a se observar é quando vamos viajar e arrumamos a mala com nossas melhores peças. Essas são geralmente as que realmente gostamos, as mais confortáveis, as que caem melhor, que funcionam bem indo de um programa diurno a um jantar à noite. Com essas peças que escolhemos dar valor vamos montando um guarda roupa eficiente, um que não nos sufoca com tanta roupa. Porque, mesmo gostando de cada peça ali dentro, sabemos que acabamos não usando tudo e que uma parte delas nem deveríamos ter comprado. Roupas que trazem uma história respeitosa em sua produção, ambientalmente e socialmente falando; roupas que carregam nossas histórias de vida. Mesmo sem conseguir ser 100% sustentável, claro, buscamos uma moda consciente em que o normal possa ser comprar algo que sabemos que foi feito com cuidados e transparência. 

Foto do topo: The Merry Tought

Compartilhe esta história

Sobre Bruna Miranda

Bruna é empreendedora e jornalista, idealizadora da plataforma Review e da revista impressa Guia Slow Living, e está experimentando uma vida nômade pelo Brasil. É movida pelo que é atemporal ...

Publicações Relacionadas