O ano da moda sustentável

Por Bruna Miranda

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2014 foi um ano muito positivo. Lentamente sim, mas em todo o mundo a indústria da moda acordou e começou a levar a sério suas questões ambientais e sociais, onde a ética e sustentabilidade finalmente se tornaram uma prioridade para uma série de empresas – das pequenas que já nasceram com essa proposta aos influentes conglomerados de luxo (que fizeram, por exemplo, uma parceria com renomados cursos de moda para difundir a sustentabilidade).

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O primeiro Fashion Revolution Day marcou presença em uma forte campanha por toda a internet e em 58 países, incluindo o Brasil, chegando a trending topics número 1 no twitter. Compradores de moda em todo o mundo começaram a olhar com outros olhos e a se interessar (e consumir e até mesmo priorizar) os produtos sustentáveis, com diversas marcas investindo no fortalecimento da imagem da moda sustentável – sem deixar a estética e o estilo em segundo plano.

O movimento Slow Fashion também ganha destaque e comprova que a moda pode ser sustentável de várias maneiras, a começar pelo nosso próprio guarda roupa. Existem atitudes acessíveis a todos que beneficiam o planeta, o bolso e ainda fortalecem nosso estilo pessoal.

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O assunto se difundiu por todo o mundo também em eventos como desfiles, showrooms, palestras, mesas redondas, exposições, concursos, bazares e etc, incluindo novos livros sobre o assunto, parceria de marcas com organizações, como a PETA, projetos de celebridades e profissionais influentes e muito mais que você pode conferir aqui no site e pelo facebook. Quando citamos alguns desses acontecimentos marcantes do último ano na moda ética e sustentável, é muito gratificante e animador saber que o Brasil e BH também estão incluídos com o trabalho de ótimas marcas e profissionais diversos (acompanhe também pelo Guia Slow Online).

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Agora, falando de 2015, esse também já é um ano de oportunidades para todos os que trabalham nesta área e que querem difundir a sustentabilidade e ética na moda. Nada disso seria possível sem todos os profissionais e pessoas que abraçam a causa. A passos curtos, mas com muito ânimo e boa vontade para mudanças positivas, claro que ainda há muito a se fazer, mas a semente da moda sustentável começa a ganhar corpo. Continuamos de olho nas novidades pelo mundo e criando nossas próximas ações para esse ano! Confira as previsões de alguns dos principais profissionais da moda ética:

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“Eu prevejo uma competa Revolução da Moda. Junte-se ao movimento, pergunte às suas marcas e lojas favoritas “Quem fez minhas roupas?” e exija transparência e rastreabilidade em toda a cadeia de produção. E como os consumidores estão cada vez mais conscientes de que tanto o fast fashion quanto o “luxo rápido” são os responsáveis pela moda anti-ética, eu prevejo a ressurreição do artesão enquanto nós olhamos coletivamente para nosso patrimônio, assim como a inovação para soluções sustentáveis. Nossas roupas são a nossa pele escolhida e o que vestimos importa. Vamos fazer com que nossas escolhas de moda mudem o mundo em 2015.” – Orsola de Castro, co-fundadora do Estethica, na London Fashion Week, das marcas de upcycling From Somewhere e Reclaim to Wear e da campanha Fashion Revolution.

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“Em 2015, todos vamos finalmente perceber que a ação que realizamos a cada dia, o vestir, importa não só pela maneira que nos apresentamos e nos sentimos, mas, principalmente, pelas repercussões enormes sobre o meio ambiente e as pessoas em toda a cadeia de suprimentos. O caminho para uma existência mais justa e ecologicamente saudável para todos nós é notoriamente rochosa, mas cada indústria deve desempenhar o seu papel e trazer mudanças substantivas. Por alguma razão, a indústria da moda é muitas vezes ignorada ou deixada de lado como se fosse uma irrelevância. Mas a moda é uma indústria fundamental, e enquanto a espécie humana continuar a tratá-la como algo frívolo, ela vai continuar poluindo e desperdiçando com impunidade. Em busca de venda rápida e furiosamente, ela pode transgredir os limites ecológicos e deixar a justiça social em frangalhos. O Fast fashion tem sido uma grande parte disso, como nós todos nos tornamos consumidores vorazes pegos em uma dimensão insustentável de roupas, micro tendências e descartabilidade. Essa indústria tem criado uma “fábrica de consumidores” que é a oferta para dirigir/criar demanda. Nós compramos e descartamos tão rapidamente. Mas pra onde todas essas roupas vão? Como consumidores, parece que estamos hiper valorizando a mentalidade do fast fashion, o “vestir-hoje, descartar-amanhã”. Mas o pensamento de curto prazo, inevitavelmente, tem um custo mais tarde. E não vamos esquecer que, por baixo de todos nós, temos um exército de milhões de seres humanos cultivando o solo, na colheita do algodão, no processamento, tecelagem, tinturaria, teares, enfeites, lantejoulas e botões, máquinas de costura em grandes fábricas. É o negócio do comércio escravo moderno enraizado em nossas roupas, disfarçados de democracia.

Mas o número de desafios também deve ilustrar a dimensão da oportunidade. Acredito que estamos no limiar de uma nova indústria da moda, onde a ética e glamour coexistem, onde novas fibras e tecnologias minimizam o impacto, onde as marcas de moda começam a reconhecer sua dívida para com o mundo natural e as pessoas em suas cadeias produtivas e investiem na manutenção, tanto para o seu futuro quanto para o nosso. Que oportunidade! Isso nos dará a chance de ouro para nos tornarmos cidadãos ativos através de nossos guarda-roupas. Da próxima vez em que você passar por uma loja de fast fashion, olhe para a roupa que você está prestes a comprar, pergunte-se quantas vezes você acha que vai usá-la. Se a resposta for “menos do que 30″, coloque-a de volta na prateleira e saia. Se cada um de nós fizer isso, 2015 poderá ser o ano em que mudaremos a moda para sempre.” – Livia Firth,  Eco Age e Green Carpet Challenge

“A maioria dos designers vão continuar a repetir modelos ultrapassados, com exceção de um pequeno e belo grupo de inovadores que irão conceber produtos surpreendentes e serão seguidos pelo restante da multidão. Uma coisa deve ficar clara: enquanto os trabalhadores e artesãos independentes são os amortecedores da indústria da moda, ou seja, são aqueles que permitem que empresas mantenham altas margens comprimindo a remuneração dos produtos artesanais e oferecendo condições de trabalho miseráveis, essa indústria não vai conhecer o verdadeiro potencial de desenvolvimento que pode fornecer na construção de um futuro para o nosso mundo. A ganância é a palavra para classificar esta atitude. O consumo é um ato moral, o Papa Francisco está absolutamente certo. Mas também é injusto deixar toda a carga da mudança para os consumidores. Grupos de moda, acordem.” – Simone Cipriani, Fundadora da Ethical Fashion Initiative

“Vamos ver uma proliferação de novas e inovadoras soluções e alternativas mais ecológicas apoiadas por diversos grupos, com a Kering como uma forte líder.” – Marie-Claire Daveu, chefe de sustentabilidade do grupo Kering

Continue lendo no site Ecouterre (em inglês), são 39 depoimentos bastante esclarecedores e que nos colocam para pensar e nos inspiram a fazer a nossa parte, cada dia mais, para a moda caminhar como uma força para o bem.

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Sobre Bruna Miranda

Bruna é empreendedora e jornalista, idealizadora da plataforma Review e da revista impressa Guia Slow Living, e está experimentando uma vida nômade pelo Brasil. É movida pelo que é atemporal ...

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