Simplificar, minimalizar

Por Bruna Miranda

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O termo Minimalize surgiu com o meu trabalho no extinto site Exemplar id, quando começamos a nos interessar pelo minimalismo, um foco no essencial e na eliminação dos excessos. Essas escolhas do que realmente importa cabem na vida, nos objetos, nos sentimentos e, também, na moda. Menos acúmulos trazem melhorias maravilhosas e ainda nos ajuda a desenvolver o auto conhecimento e a economizar, nos organizar, a poupar os recursos do planeta e a gerar menos coisas para descartar depois.

O Minimalize Seu Closet vem então como uma categoria do Review na busca por um guarda roupa minimalista, prático e eficiente. Peças úteis que geram um maior número de combinações, com qualidade e que valem o investimento (ou manter as que já temos). A preferência fica para as clássicas e de cores mais neutras, fugindo de tendências passageiras, mas também abrindo espaço para um estilo mais pessoal com estampas, cores alegres e outros detalhes dentro das vastas opções que a moda nos oferece. Em um assessoria de imagem tradicional, um dos pontos abordados é o tom da pele da pessoa e as cores que caem melhor. Pessoalmente, acredito em uma total liberdade de gostos, independente do estilo e de padrões estabelecidos. Afinal, não é de hoje que a moda é sinônimo de liberdade e isso deve ser uma máxima ao buscarmos o que vestir. Nosso principal objetivo é focar no “destralhamento” e “desapego”, criando um guarda roupa mais leve, enxuto e objetivo, com menos desperdício e mais visão (e uso) das roupas que já temos e das que ainda vamos comprar.

Ainda dentro do conceito slow que o Review se baseia, também queremos continuar conhecendo novas marcas e roupas que unem o estilo à valores ambientais e sociais, mesclando-as ao nosso guarda roupa – e melhor ainda, inserindo-as cada dia mais.

Confira aqui o post que fiz com dicas para colocar o slow fashion em prática no dia a dia.

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“Faça-o simples, mas significante”

Outras dicas muito boas sobre uma moda simplificada foram escritas pela Garance Doré, ilustradora e blogueira francesa que abastece um elegante blog sobre estilo de vida e consumo, e compartilhadas pelas consultoras de moda da Oficina de Estilo. Elas falam sobre o cansaço em acumular coisas e roupas que têm atingido muita gente, e que aí percebemos que precisamos mesmo é de comprar menos e melhor, usando as mesmas roupas por muito mais tempo. “Talvez seja essa ‘orgia’ de streetstyle e semanas de moda em que a gente esteja inserido nos últimos anos”, analisa Garance.

#1 – Menos Escolhas = Mais Criatividade

Quanto menos a gente tem, mais a gente pode exercitar versatilidade e fazer tudo render (de jeitos diferentes, inusitados). Quando a gente resolve ter só o melhor, só o que a gente realmente gosta (como se o armário fosse uma mala de viagem), podemos experimentar usar cada peça com pelo menos outras três e ir multiplicando nosso universo visual. Assim, nada fica estagnado, perdido, deixado pra trás, a gente usa de verdade tudo o que tem. Quem tem menos peças usa mais as suas roupas.

#2 Peça Perfeita = Satisfação Duradoura

Procurar por uma peça específica, com ótima qualidade e caimento, mesmo que a gente demore a encontrar, não é ruim. A busca acaba sendo parte da diversão e o resultado vai ser uma peça que valeu o investimento, que vai durar e ficar bem com tudo. No texto original a Garance diz que coisas boas são, agora, cada vez mais raras de se encontrar. Também acho. Então esperar e procurar pelo que realmente vale a pena faz sentido – e faz a sensação de leveza e objetividade ser uma delícia duradoura mesmo.

#3 Qualidade = Longevidade

Muito bom ver uma peça “envelhecer bem” junto com a gente, na medida em que vamos usando. Camisas que vão ficando mais molinhas, sapatos que vão se moldando aos pés, casacos que acompanham a gente em fotos de muitas épocas diferentes. Mas só envelhece bem o que tem qualidade – e o que não tem qualidade não envelhece, acaba. Não precisa ser caro pra ter qualidade, mas pra encontrar qualidade a gente precisa procurar, tocar as peças, olhar etiquetas, observar acabamentos. Melhor ainda se for uma peça feita em condições justas ao meio ambiente e às pessoas – os trabalhadores que a produziram e/ou ainda, causas sociais.

#4 Mídia ≠ Vida Real 

Não é porque é bonito no editorial da revista, na passarela e, ainda, nas lojas, que vai funcionar no dia a dia. Principalmente quando se fala de roupas feitas para serem usadas várias e várias vezes.

#5 Comprar Menos = Comprar Melhor

Quando a gente compra muito e por impulso perdemos aquela sensação boa de satisfação que se sente com uma compra bem feita, desejada, batalhada. Se a gente compra loucamente, isso se perde. Consumir com consciência não é não comprar – pelo contrário, comprar pode continuar sendo bom e ainda ter uma real função. Quando compramos muito passamos a tratar nossas compras com muito menos valor. E se a gente resolve comprar menos, com mais pensamento, dedicação e auto-observação, além de ser mais agradável, podemos preservar as histórias que vêm com cada roupa/peça nova. Minimalize!

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Sobre Bruna Miranda

Desde que meu armário coube na mala busco a leveza abundante dos essenciais, dos atemporais, da soma de resgates e inovações.

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