Upcycling: um reaproveitamento cada vez melhor

Por Bruna Miranda

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Temos postado algumas inspirações de upcycling, criativas e práticas, e praticado com as nossas roupas e tecidos excedentes e/ou descartados. Além da moda, o método cabe na decoração, arte, podendo ir até onde a imaginação permitir. Você sabe o que exatamente significa essa prática sustentável?

A soma do “up” com a já conhecida reciclagem significa dar um status novo e melhor a algo que acabaria (injustamente) no lixo. A diferença para a reciclagem é que o material a ser reaproveitado não precisa ser desfeito, mudar de estado químico, para renascer — como exemplo, uma latinha de alumínio, que tem que ser derretida para dar origem a uma nova. É um reutilização criativa, com qualidade, de materiais que merecem uma segunda chance.

O termo foi usado por William McDonough e Michael Braungart no livro Do Berço ao Berco – Refazendo o Modo Como Fazemos Coisas, de 2002, que propõe alternativas inteligentes para a humanidade lidar com a produção e o consumo, acreditando em um redesign inteligente de tudo como meio de preservar o planeta. Eles afirmam que o objetivo do upcycling é esse, evitar o desperdício de materiais que ainda têm utilidade, sem ter que criar novas matérias primas, diminuindo o consumo de energia, a poluição do ar e da água e emissões de gases de efeito estufa.

Upcycling é um termo novo para reaproveitamento. É o ato de pegar algo que já não está em uso e dar-lhe segunda vida e nova função. O produto acabado muitas vezes torna-se mais prático, valioso e bonito do que era antes.

E ainda existe a vantagem de que o upcycling utiliza coisas como isopor, couro, cristal, madeira e outros resíduos que não são valorizados pelas empresas de reciclagem. Reduz a quantidade de entulho que vai para aterros ou que acabaria descartado de jeito incorreto, nas ruas, nos rios. Também é ótimo para exercer a criatividade e deixar de lado o pensamento de que reaproveitar tem a ver com produtos com estética e/ou qualidade inferiores.

Um exemplo incrível vem da petit h, marca pertencente ao grupo francês Hermès, que falamos aqui. Eles selecionam material rejeitado na linha de produção da maison e depois o reinventam, ou vira obra de arte. A responsável, Pascale Mussard, compara: “Para mim, é a tradução do espírito francês no design da mesma forma que o pain perdu na gastronomia”, diz, sobre um clássico da sobremesa cuja premissa é, como na rabanada brasileira, aproveitar o pão velho.

Como resultado, produtos artesanais, criativos e produzidos em pequena escala, o que aumenta a sua importância e atiça o desejo dos compradores. Mas talvez o maior valor venha justamente da história de cada um deles.

 

Fontes pesquisadas: Planeta sustentável, Estadão

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Sobre Bruna Miranda

Bruna é empreendedora e jornalista, idealizadora da plataforma Review e da revista impressa Guia Slow Living, e está experimentando uma vida nômade pelo Brasil. É movida pelo que é atemporal ...

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