Moda Livre, um app para descobrir marcas confiáveis

Por Bruna Miranda

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Quem tem acompanhado as notícias (ou o compartilhamento nas redes sociais) sabe: as denúncias relacionadas ao trabalho escravo na mão de obra têxtil já trazem uma “lista negra”, crescente, das oficinas que prestam serviços para nomes como Le Lis Blanc; o grupo GEP, das marcas Cori, Emme, Luigi Bertolli e que representa a GAP; M5 Têxtil, proprietária da M.Officer e Carlos Miele… Casos ultimamente mais evidenciados que nos últimos anos, felizmente fortaleceram-se as campanhas que buscam combater o problema.

Para não ficar apenas a opção de acompanhar a mídia para saber em quais marcas (não) confiar, uma iniciativa lançada essa semana – que também comemora o aniversário de 65 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos – foi lançada pela ONG Repórter Brasil o aplicativo gratuito Moda Livre. O objetivo é permitir ao consumidor, de forma ágil e acessível, consultar se alguma marca de roupas está envolvida em acusações de uso de mão de obra escrava e quais suas políticas para combater esse crime. Um app para quem gosta de moda mas quer consumir de maneira consciente.

Foto Divulgação

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O aplicativo está disponível para smartphones com os sistemas operacionais Android e iOS, e se propõe a evitar o financiamento indireto do chamado “trabalho sujo”. “O consumidor é chamado a fazer a sua parte, mas nem sempre ele tem informação suficiente para isso. O aplicativo surge no sentido de tornar possível uma ação direta das pessoas no combate ao trabalho escravo”, diz Leonardo Sakamoto, coordenador da Repórter Brasil. Foram incluídas 22 marcas na primeira versão, entre eles, os dez maiores varejistas do mercado, grupos nacionais e redes de fast fashion.

As empresas escolhidas foram submetidas a perguntas que incluem quatro indicadores que as colocam em três categorias: vermelho, amarelo e verde, sendo vermelho o pior indicativo. As que não forneceram respostas (apesar dos insistentes convites, de acordo com a ONG) foram automaticamente marcadas como vermelho.

– Políticas: compromissos assumidos pelas empresas para combater o trabalho escravo em sua cadeia de fornecimento.
– Monitoramento: medidas adotadas pelas empresas para fiscalizar seus fornecedores de roupas.
– Transparência: ações tomadas pelas empresas para comunicar a seus clientes o que vêm fazendo para monitorar fornecedores e combater o trabalho escravo.
– Histórico: resumo do envolvimento das empresas em casos de trabalho escravo, segundo o governo.

O Moda Livre será sempre atualizado de acordo com ações nas políticas das empresas, além de receber mais marcas com o tempo. Os idealizadores ressaltam ainda que o aplicativo não recomenda que o consumidor compre ou deixe de comprar roupas de determinada marca. Apenas fornece informações para que faça a escolha de forma consciente. Ótima iniciativa para incentivar a tão necessária transparência. Acompanhe! Baixe na Apple Store ou no Google Play.

Atualização: O aplicativo acaba de ser expandido e teve seu novo lançamento durante o Fashion Revolution Day SP, em 18 de abril de 2016. Android e IOS

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Sobre Bruna Miranda

Bruna é empreendedora e jornalista, idealizadora da plataforma Review e da revista impressa Guia Slow Living, e está experimentando uma vida nômade pelo Brasil. É movida pelo que é atemporal ...

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