Um jardim no telhado

Por Bruna Miranda

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Telhado verde. Cobertura viva. Eco telhado. Jardim suspenso. As também chamadas coberturas verdes são uma tendência positiva que aponta para uma nova fase na urbanização das cidades ao redor do mundo. São soluções sustentáveis excelentes que podem ser adotada por todos. Além de lindos, diminuem os danos ambientais causados pelo aquecimento global e pela poluição, com o enorme crescimento populacional nos centros urbanos.

A ideia não é nova, afinal já no século XIX era utilizada em alguns locais na Europa e nos EUA. Existe até uma premiação para os melhores projetos na Dinamarca, Noruega e Suécia, o Green Roof Awards – Telhados Verdes para Cidades Saudáveis. Há alguns anos começou a se espalhar em outras grandes cidades, onde os habitantes são os maiores beneficiados. Uma simulação feita pela Environmental Protection Agency (EPA), nos Estados Unidos, provou que um aumento de 5% de vegetação por meio de telhados verdes, em Los Angeles, pode reduzir a temperatura local, nos quentes dias do verão, em mais de 2°C. Além disso, uma diminuição significativa na poluição, de 10%, também seria favorecida. Em Nova York, o Empire State Building, símbolo da cidade, também já aderiu a esse tipo de cobertura ecológica. Ao todo, são quatro jardins que somam 845 metros quadrados e servem como áreas de convivência do edifício, onde é possível admirar a vista privilegiada, almoçar, descansar ou simplesmente bater papo. Em países europeus como a Alemanha e a Suíça, há leis que obrigam ao menos uma parte dos telhados das novas edificações a serem verdes. Assim, eles absorvem a água da chuva e cumprem a função da terra que o asfalto não exerce.

No Brasil, a Câmara Municipal de Curitiba discute um projeto de lei que pode tornar obrigatória a construção de telhados verdes nas edificações com três ou mais unidades agrupadas verticalmente. Em Belo Horizonte, já existe na cobertura de um edifício do Banco do Brasil, no 12º andar, na região central, cobrindo boa parte dos 475 metros quadrados do espaço. Também vêm sendo estudada a possibilidade de serem instalados em pontos de ônibus, deixando a cidade mais bonita e climatizada, além de conscientizar a população.

Especialistas apontam ainda que os pontos positivos das coberturas verdes em casas e edifícios são termo-acústicos, assim como os Jardins Verticais que falamos nesse texto. “Diminuem o calor que seria propagado pela laje, amenizando a temperatura interna e criando um clima agradável no entorno, além de aumentar o tempo de vida da manta de impermeabilização, sem tantas mudanças de temperatura”, diz Renan Guimarães, secretário executivo da Associação Tecnologia Verde Brasil. Fazem com que a troca de calor entre a parte interior e exterior se torne mais amena e gradual, ou seja, demora mais para que uma casa com telhado verde esquente no verão, assim como demora mais para esfriar no inverno. Além disso, reduzem o nível de ruído nas cidades e podem ajudar a evitar enchentes. Outra opção muito prática e totalmente benéfica é o plantio de hortas para consumo próprio e da comunidade.

Apesar de ser um procedimento relativamente simples, para se instalar um telhado verde é imprescindível consultar uma empresa especialista para a infraestrutura adequada. A aplicação pode ser feita tanto em lajes descobertas como em espaços que já foram cobertos por telhados coloniais ou de alumínio. O Instituto Cidade Jardim explica: “Lajes e telhados apresentam condições climáticas muito parecidas com as de regiões desérticas: são espaços áridos, com alta exposição à radiação e luz solar, ventos constantes, grande variação de temperatura ao longo do dia e, principalmente, expostos a grandes volumes de água durante a chuva mas com baixíssima capacidade de retenção dessa água. Ainda assim é possível cultivar telhados verdes com custo baixíssimo de irrigação. O segredo é escolher as plantas certas e utilizar sistemas de cultivo com uma boa relação de armazenamento de água/drenagem”.

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Sobre Bruna Miranda

Bruna é empreendedora e jornalista, idealizadora da plataforma Review e da revista impressa Guia Slow Living, e está experimentando uma vida nômade pelo Brasil. É movida pelo que é atemporal ...

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