O silêncio como artigo de luxo

Por Bruna Miranda

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O bem estar totalmente conectado à beleza. O cuidado com a aparência com cosméticos e tratamentos estéticos somado à prioridade com o equilíbrio para a mente por meio de esportes, terapias e espiritualidade, dentre outros, resgatando os pequenos (e mais importantes) prazeres da vida. Esses bens subjetivos sempre foram primordiais para uma vida saudável. Impossível não tocar no assunto sobre as distrações da tecnologia com suas redes sociais, conectividade exagerada e bombardeio de informações que dificultam que aproveitemos simples e prazerosos momentos.

Como não é sempre que dá pra relaxar em um ambiente natural e mais ainda a dificuldade de nos desligar no caos urbano, alguns espaços têm sido criados para fornecer descanso para a mente e o corpo de toda essa poluição sonora e inquietude. Quais os diferenciais desses lugares, que vão de restaurantes a hotéis e resorts? Além do conforto, a ausência de wi-fi, telefones, televisão, despertadores e, em alguns casos, até eletricidade. Todos concordam que doses de silêncio e calmaria fazem um bem danado à alma.

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No restaurante Eat GreenPoint, no Brooklyn, Nova York, uma vez por mês acontece a “Silent Meal”, um jantar com quatro pratos servidos e consumidos no mais absoluto silêncio. É proibido atender o celular, conversar com os vizinhos de mesa e inclusive fazer comentários sobre a comida. A inspiração do chef Nicholas Nauman veio das refeições silenciosas que ele conheceu em monastérios budistas na Índia. “São apenas 17 pessoas por jantar, com o objetivo de chamar a atenção para o ato de se alimentar, aproveitar o momento e sair um pouco das distrações que vemos tanto hoje em dia”, explicou ao jornal The New York Times. Se descumprir a proposta, o cliente é convidado a terminar a refeição do lado de fora do estabelecimento. O restaurante serve comida orgânica de pequenos produtores locais e tem os utensílios de cerâmica e metal feitos à mão por artesãos da região.

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Como os minutos de relaxamento são um verdadeiro luxo na correria cotidiana, pelo menos o tão desejado cochilo pós almoço é recomendado por especialistas para melhorar a produtividade, memória e humor. É também uma realidade no primeiro “cochilódromo” de São Paulo, o Cochilo. Em cabines acústicas com som relaxante, o sono pode durar de 15 minutos a uma hora (e de 15 a 30 reais, respectivamente) com direito a um acordar agradável e cafezinho para voltar ao trabalho.

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Na California, Estados Unidos, no hotel Post Ranch Inn, não há televisão e nem despertador nos quartos, para manter uma atmosfera tranquila e de descanso.

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No TEDx A Cidade 2.0 foi apresentado um aplicativo, o StereoPublic, que avisa sobre os lugares calmos e silenciosos da cidade.

E, para finalizar, alguns exemplos do The New York Times bem simples de serem seguidos no dia a dia, para merecidos momentos de sossego:

Mesmo sem seguir alguma religião, praticar yoga, meditação, tai chi ou atividades do gênero; fazer um ‘sabático de internet’ de sexta à noite até a segunda de manhã para reviver hábitos “antigos” como refeições e conversas em família; caminhadas nos fins de semana e, para finalizar, ‘esquecer’ o celular em casa de vez em quando. O jornalista Pico Iyer conclui: “Nada me faz sentir melhor – mais calmo, claro e feliz – do que estar em um lugar absorto em um livro, uma conversa, uma música. É realmente algo mais profundo do que a mera felicidade, aquela alegria que não depende do que acontece do lado de fora. É vital, claro, manter contato com o mundo para saber o que está acontecendo. Mas é só tendo uma certa distância dele que você pode vê-lo como um todo e entender o que você deve fazer com ele”.

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Sobre Bruna Miranda

Bruna é empreendedora e jornalista, idealizadora da plataforma Review e da revista impressa Guia Slow Living, e está experimentando uma vida nômade pelo Brasil. É movida pelo que é atemporal ...

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